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Paulo Pinto Pereira
Sargento da Policia Militar, Absolvido 07

 

Alcides Washington Guerra Carlindo Revoredo Carlos Wan der Linden Domicio Fernandes Ephifânio Guilhermino Ezequiel Fonseca Filho Gastão Correia da Costa João Anastacio Bezerra João Francisco Gregório João Alves Rocha José Macedo Lauro Cortês Lago Leonila Felix Mario Ribeiro de Paiva Miguel Bezerra Morais Paulo Pinto Pereira Ramiro Magalhães Paiva Sebastião Felix Aragão Vicente Ribeiro da Silva

“Paulo Pinto, ex-cabo de polícia, cafuzo sifilítico, era especialista em sambas. “

“Paulo Pinto, sifilítico, exibia umas canelas pretas finas demais. Era ele que tinha uma bala na perna? Várias vezes busquei examinar esse ponto; as informações perdiam-se. Bem. Se não era ele, seria talvez o chauffeur Domício Fernandes.

“Um dos dois. A verdade é que não cheguei a distinguir Domício Fernandes de Paulo Pinto. Confusão desarrazoada: juntos, notava-se que diferiam bastante; vendo um deles, sempre me aconteceu trocar-lhe o nome. “”

“Apurei os olhos e os ouvidos, percebi lá embaixo Paulo Pinto a iniciar um samba. Estava de pé e gesticulava, fingindo mover um ganzá inexistente; aproximava-se devagar, curvava-se, passava sob os punhos das redes. A princípio aquilo se engrolava num resmungo confuso; prudência e receio com certeza: não fossem passageiros e soldados achar que o porão se desarranjava e descomedia. As precauções desapareceram, as notas elevaram-se, ainda vacilantes, ganharam nitidez, o queixume pareceu transformar-se em dura exigência. Por mais que tentasse, não me era possível distinguir a letra da composição, e isto a valorizava. Sem dúvida versos insignificantes e errados. Não os discriminando, apenas me interessava pelo clamor que subia da escuridão. Algumas vozes se uniam à do sambista, formava-se um áspero conjunto, e a torrente sonora engrossava, transbordava, novos afluentes vinham juntar-se a ela, mudar-lhe o curso. Nada se combinara. Um murmúrio plangente, em seguida o rumor de cólera surda, e logo as adesões imprevistas, corpos a levantar-se nas redes, figuras aniquiladas a surgir da noite, espectros ganhando carne e sangue, pisando o solo com firmeza. Tinham estado em perfeita indiferença, numa resignação covarde e apática; a disciplina dos encarcerados, implícita e fria, ordenara as conversas zumbidas, o gesto vago, o passo discreto, respeito a autoridades invisíveis, general atrabiliário ou soldado preto boçal. Em minutos isso desaparecera. As espinhas curvas aprumavam-se; as expectorações e a tosse haviam cessado: os pulmões opressos lançavam gritos roucos, a animar a toada monótona do coro. Já não eram contribuições esparsas: dezenas de trastes humanos se erguiam, marchavam, os braços para cima, florestas de membros nus, magros e sujos, e o canto ressoava como profunda ameaça.”

“Vamos ouvir Paulo Pinto, rei do samba." E Paulo Pinto, negro, rei do samba, cantava; com amores, tolices, onomatopéias, reduzia o calor da fornalha, o cheiro de amoníaco, os vômitos, o arquejar penoso, as cascas de laranja atiradas da coberta sobre as nossas redes. Agora Paulo Pinto estava na Colônia, e José Gomes se imobilizava no silêncio.”

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