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Insurreição Comunista de 1935
em Natal e Rio Grande do Norte

Revolucionários Potiguares em Memórias do Cárcere
Graciliano Ramos

 

 

 

 

 

 

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Alcides Washington Guerra
Dentista, 01 ano de prisão

 

Alcides Washington Guerra Carlindo Revoredo Carlos Wan der Linden Domicio Fernandes Ephifânio Guilhermino Ezequiel Fonseca Filho Gastão Correia da Costa João Anastacio Bezerra João Francisco Gregório João Alves Rocha José Macedo Lauro Cortês Lago Leonila Felix Mario Ribeiro de Paiva Miguel Bezerra Morais Paulo Pinto Pereira Ramiro Magalhães Paiva Sebastião Felix Aragão Vicente Ribeiro da Silva

“um pequeno dentista, Guerra, petulante, de bigodinho.”

“Sebastião Félix, amigo dos espíritos, ia adquirindo uns modos fúnebres de espírito; desdenhava a existência terrena e acolhia-se no outro ,mundo. Operação lastimosa, com luz fraca, tentou ali realizar o pequeno dentista Guerra no queixo do estivador João Francisco Gregório, que estava feroz, de cara túmida, aperreado com um molar. “

“Guerra manejou o paciente conforme as regras e meteu-lhe o boticão na boca; desprezou o dente cariado e, com destreza, segurou um perfeito; como a vítima reclamasse, agitou o instrumento, fez fincapé, bradando enérgico:

Doente comigo não tem conversa.

Houve um rugido. Uma garra prendeu-lhe a mão, tomou-lhe o ferro. E o largo pé do estivador plantou-se no peito magro do dentista, que foi cair longe.”

“Alguns passageiros do Manaus iam ressurgindo. A careta medonha de Gastão, fixa na carne em rugas, na costura vermelha a estender-se da boca ao pescoço, voltou a zombar in voluntariamente de nós. O pequeno dentista Guerra alojou-se no segundo andar, perto da escada.”

“E redes a tiracolo, dobradas em rolos, como enormes serpentes grávidas, chamaram-me a atenção para algumas figuras do Rio Grande do Norte. Enfileirando-me à pressa, distingui Macedo, João Rocha, Van der Linden, José Gomes, o pequeno dentista Guerra.

“Findos os arranjos, atenuada a lufa-lufa, convenci-me afinal de que éramos dezessete pessoas, cinco nordestinos e doze paranaenses. Fixei a atenção nestes, quase todos rapagões fortes e brancos, já percebidos vagamente no andar térreo do Pavilhão dos Primários, envoltos em largos sobretudos espessos. Tinham prosódia esquisita, e sobrenomes exóticos feriam-me os ouvidos: Petrosky, Prinz, Zoppo, Garrett, Cabezon. A minoria, vulgar e mais ou menos cabocla, usava designações caseiras, expressas na fala arrastada, familiar no porão do Manaus, quatro meses atrás: Guerra, Macedo, João Rocha, José Gomes.”

“Falas vagarosas me arrastavam de chofre ao porão do Manaus, e três figuras ressurgiam: João Rocha, o pequeno dentista Guerra, José Gomes. De que modo iria comportar-se o pobre Guerra, dias antes acometido por um acesso de terror, a urinar-se e a tremer, querendo a presença de mamãe? “

“Em que estariam pensando o velho Eusébio, Guerra, Herculano, Zoppo, Macedo? Ignoravam talvez a minha presença, absorviam-se como eu, faziam gestos inconsiderados e tentavam emendar-se. Na ratoeira que andava em cima de trilhos, sem decidir-se a parar, na verdade éramos bichos bem mesquinhos. Todos bichos. Mencionei a prorrogação do estado de guerra, desdisseram-me com azedume; exibi o jornal, repeliram a nota agoureira: a unanimidade alienaria provisoriamente o sucesso aziago.”

“Não sei quem me tirou dessa horrível apatia, alguém que me pediu um cigarro ou ofereceu qualquer coisa. Regressei à realidade, enxerguei fisionomias sucumbidas, invadiram-me palavras soltas, o riso estridente de Guerra, a fala engrolada de Zoppo, o laconismo, a resignação bovina de Petrosky. José Gomes estava abatido. Lembrei-me do Manaus. A noite José Gomes fazia com as mãos uma corneta, erguia a voz imitando um locutor: - "Rádio Clube do Porão. “

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