1935 Mapa Natal
 1935 Mapa RN
 ABC da Insurreição
 ABC dos Indiciados
 ABC Personagens
 ABC Pesquisadores
 Jornal A Liberdade
 1935 Livros
 1935 Textos e Reflexões
 1935 Linha do Tempo
 1935 em Audios
 1935 em Vídeos
 1935 em Imagens
 1935 em CD-ROM
 Nosso Projeto
 Equipe de Produção
 Memória Potiguar
 Tecido Cultural PC
 Curso Agentes Culturais
 Guia Cidadania Cultural
 Direitos Humanos
 Desejos Humanos
 Educação EDH
 Cibercidadania
 Memória Histórica
 Arte e Cultura
 Central de Denúncias
 Rede DHnet
 Rede Brasil
 Redes Estaduais
 Rede Estadual RN

Insurreição Comunista de 1935
em Natal e Rio Grande do Norte

Giocondo Dias, a Vida de um Revolucionário

 

 

 

Nosso Projeto | Mapa Natal 1935 | Mapa RN 1935 | ABC Insurreição | ABC dos Indiciados | Personagens 1935 | Jornal A Liberdade | Livros | Textos e Reflexões | Bibliografia | Linha do Tempo 1935 | Imagens 1935 | Audios 1935 | Vídeos 1935 | ABC Pesquisadores | Equipe de Produção

 

Giocondo Dias,
a Vida de um Revolucionário

João Falcão, Agir 1993

Infância e Mocidade | Filiação à ANL e ao PCB | Véspera da Revolução | A Rebelião de Natal | Junta Governativa | Três dias de governo | Jornal da Revolução | A Derrocada | A Fuga | Refúgio de comunistas

Junta governativa

Vitoriosos militarmente e, portanto, detentores do poder, os dirigentes do Partido reuniram-se na manhã de segunda-feira, 25 de novembro, na casa de um ferroviário, elemento de confiança, com o objetivo de definir a composição do Governo Popular Nacional Revolucionário. Participaram dessa reunião, entre outros, José Praxedes de Andrade, José Costa e João Baptista Galvão, que integravam o Comitê Regional do PCB, além de João Lopes, o Santa, e o jornalista Horácio Valladares.

Organizou-se, então, uma Junta Governativa que assumiu a direção do Governo, assim constituída: Lauro Cortez Lago, 31 anos, alto, moreno, ex-diretor da Casa de Detenção, demitido na véspera pelo governador, para Secretário de Interior e Justiça; José Macedo, 33 anos, moreno, estatura mediana, funcionário dos Correios e Telégrafos, Secretário de Finanças; Quintino Clementino de Barros, 38 anos, baixo, branco, sargento e músico de 1ª classe do Exército, Secretário de Defesa; José Praxedes de Andrade, caboclo, estatura mediana, 35 anos, sapateiro, Secretário de Abastecimento; e João Baptista Galvão, branco, alto, forte, poeta, advogado, secretário do Ginásio Estadual O Atheneu, para Secretário de Viação. João Lopes, o Santa, 36 anos, mestre-de-obras, e Horácio Valladares, jornalista, ficaram ligados à Junta como assessores. Não havia, portanto, nenhum operário ou camponês na composição do governo provisório desse fortuito regime "soviético" implantado no Nordeste do Brasil, o terceiro, no mundo, a ser instalado depois da União Soviética, em 1917.1

Praxedes foi indicado para ler a proclamação oficial do novo governo ao povo de Natal: - Foi para a Praça do Mercado, em frente ao quartel do 21º BC, e ali mesmo, na porta do quartel, subiu na murada e leu a proclamação do Governo Popular Nacional Revolucionário. O povo estava todo na praça e, depois da proclamação, saudou o novo governo, com gritos de "Viva a Revolução", "Viva o Governo Revolucionário", "Viva Prestes". Foi uma verdadeira festa. E o Valladares foi à Rádio Difusora de Natal ler a proclamação:2

Ao povo

O Rio Grande do Norte, desafrontado dos dias amargos em que viveu tiranizado por um governante forjado na prostituição dos princípios republicanos de outrora, hasteia-se soberbo, como flâmula redentora no setentrião brasileiro, abrindo caminho largo no solo abençoado da Pátria à entrada triunfal do Cavaleiro da Esperança - Luiz Carlos Prestes.

Ao seu lado, erguem-se, até agora, como mais duas esplêndidas victórias já conquistadas com sangue, como dois gigantes invencíveis - Pemambuco e Parayba. Pão, Terra e Liberdade é o nosso lema. É a victória do socialismo sobre a decantada Liberal-Democracia dos políticos profissionais; é a victória da Aliança Nacional Libertadora; é a victória de Carlos Prestes; é a victória do direito do mais fraco, que nunca terá direito! Direito ao que é seu, usurpado pelo mais forte; direito ao Pão com suficiência; direito às Terras; direito à Liberdade.

E com este postulado, com estas trez palavras escritas com fogo na grandeza do nosso idealismo - Pão, Terra e Liberdade, com essa bravura comprovada no antemanhã esplendente de hoje, marcharemos confiantes para o abraço fraternal dos irmãos do Sul. Nas nossas pegadas, seguindo o nosso passo e o nosso exemplo, virão a legendária Amazônia, o valente Grão-Pará, o Maranhão da inteligência, o Piauhy heróico, o Ceará escaldante de sol e de idealismo.

Soldados, cabos e sargentos do 21º BC, que fostes valentes como as vossas próprias armas no início edificante da derrubada de um regime que apodreceu de todo, o Rio Grande do Norte tudo espera de vossa bravura.

Mulheres operárias, trabalhadores, gente simples e boa que experimentastes, hontem e hoje, a vossa resistência na barricada, continua como indômitas sentinelas na defesa santa das reivindicações nacionais.

Povo! Conquistastes com sangue um direito; Rio Grande do Norte, sois o marco iniciante, a fé, o orgulho de uma geração redimida.

A Aliança Nacional Libertadora assegura garantias plenas a todos os cidadãos, sem distinção de credo político ou religioso, recebendo de braços abertos a todo aquele que deseje de boa fé cooperar na grande obra reconstrutiva que se alicerça.

Natal, 24 de novembro de 19353

Segundo o relato de Praxedes, "todos os nomes que integravam o governo eram do Partido. Não havia ninguém da ANL e muito menos de João Café Filho, que ficou fora do movimento. Era só gente do Partido".

 

Notas:

O primeiro regime soviético instalou-se na Hungria, em 1918, sob a chefia de Bela Kun, sendo sufocado pouco tempo depois. O segundo foi instalado nas Astúrias, em 1934, na Espanha.

Moacyr de Oliveira Filho. Ob. cit., p. 69.

Marly de Almeida Gomes Vianna. Revolucionários de 35 - Sonho e Realidade. São Paulo, Companhia das Letras, 1992, p. 216.

^ Subir

Infância e Mocidade | Filiação à ANL e ao PCB | Véspera da Revolução | A Rebelião de Natal | Junta Governativa | Três dias de governo | Jornal da Revolução | A Derrocada | A Fuga | Refúgio de comunistas

< Voltar

Nosso Projeto | Mapa Natal 1935 | Mapa RN 1935 | ABC Insurreição | ABC dos Indiciados | Personagens 1935 | Jornal A Liberdade | Livros | Textos e Reflexões | Bibliografia | Linha do Tempo 1935 | Imagens 1935 | Audios 1935 | Vídeos 1935 | ABC Pesquisadores | Equipe de Produção

História dos Direitos Humanos no Brasil
Projeto DHnet / CESE Coordenadoria Ecumênica de Serviço
Centro de Direitos Humanos e Memória Popular CDHMP
DHnet - Rede de Direitos Humanos e Cultura
Centro de Direitos Humanos e Memória Popular
Rede Brasil de Direitos Humanos
 
Desde 1995 © www.dhnet.org.br Copyleft - Telefones: 055 84 3211.5428 e 9977.8702 WhatsApp
Skype:direitoshumanos Email: dhnet@dhnet.org.br Facebook: DHnetDh
Google
Tecido Cultural Ponto de Cultura Rio Grande do Norte
Linha do Tempo RN Rio Grande do Norte
Memória Histórica Potiguar
Combatentes Sociais RN
História dos Direitos Humanos RN Rio Grande do Norte
Guia da Cidadania Cultural RN
Rede Estadual de Direitos Humanos Rio Grande do Norte
Redes Estaduais de Direitos Humanos
Rede Brasil de Direitos Humanos
História dos Direitos Humanos no Brasil - Projeto DHnet
Direito a Memória e a Verdade
Projeto Brasil Nunca Mais
Comitês de Educação em Direitos Humanos Estaduais
Djalma Maranhão
Othoniel Menezes Memória Histórica Potiguar
Luiz Gonzaga Cortez Memória Histórica Potiguar
Homero Costa Memória Histórica Potiguar
Brasília Carlos Memória Histórica Potiguar
Leonardo Barata Memória Histórica Potiguar
Centro de Direitos Humanos e Memória Popular CDHMP RN
Centro de Estudos Pesquisa e Ação Cultural CENARTE