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Insurreição Comunista de 1935
em Natal e Rio Grande do Norte

A Insurreição Comunista de 1935 – Natal, o primeiro Ato da Tragédia
Homero de Oliveira Costa

 

 

 

 

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Capitulo III
A Insurreição de novembro de 1935

3.2 - O Levante de Natal

O dia amanhecia calmo em Natal. Os jornais que circularam nesse dia não traziam novidades dignas de registro.Uma pequena nota no jornal “A República” convidava a população para assistir a uma solenidade de formatura de alunos do Colégio Santo Antonio(turma de Contabilistas),à noite, no Teatro Carlos Gomes, que tinha como presença confirmada o Governador Rafael Fernandes e outras autoridades. Seguia-se-ia à apresentação do drama “O triunfo da cruz”e vários outros numeros de declamações e comédias. “A Republica”- o jornal oficial- noticia em primeira página a chegada de diversos telegramas, tanto do sul do país como do próprio Estado parabenizando o governador Rafael Fernandes por sua eleição e posse. Traz também uma pequena nota informando a chegada, no dia 17 de novembro, de uma esquadrilha mexicana, composta de 6 unidades, tendo como comandante o capitão de corveta Hector Meixueiro, que junto com os demais comandantes, são convidados para a solenidade no teatro Carlos Gomes. O Cine São Pedro anunciava uma “programação gigantesca”, “pela ultima vez”exibindo três filmes : “Quente como pimenta”, “O tesouro do pirata”e “o preço do silêncio”. Traz também um curioso anuncio de um certo Prof. Pakchank Tonk que morava em Rosário, Santa Fé, na Argentina. que dizia “Quer ganhar sempre na loteria? a astrologia oferece-lhe hoje a riqueza. Aproveite sem demora e conseguirá FORTUNA e FELICIDADE...”etc etc(pelo jeito, devia ser um feliz excêntrico milionário Argentino...)

No palácio do governo houve expediente normal pela manhã. A única novidade, segundo o então secretário do Governador, Dr. Aldo Fernandes(que havia sido eleito deputado estadual pelo Partido Popular) foi ter chegado ao palácio notícias de “umas reuniões com um Zé Praxedes, Lauro Lago, de caráter subversivo”como Lauro Lago era administrador da Casa de Detenção , o Governador, junto com o Secretário, resolvem providenciar imediatamente a sua demissão(26).

Quartel do 21 Batalhão de Caçadores. O dia amanheceu calmo, com a mesma rotina da vida da caserna. Pela aparente calma reinante, logo após o rancho do meio-dia, a maioria dos oficiais e soldados seriam dispensados, devendo retornar ao quartel às 21 horas para a revista rotineira de recolher. A novidade desta manhã é a chegada de um documento endereçado ao comandante do 21 BC pelo General Manuel Rabello, da 7a. Região Militar, autorizando o licenciamento de praças com tempo vencido e de alguns envolvidos em incidentes poucos dias antes. Foram licenciados pouco mais de 30 praças. Como era sábado, ficou para segunda-feira, dia 25, a continuação das dispensas, que atingiriam também alguns cabos e sargentos(27). No inicio da tarde, parte da tropa, incluindo a oficialidade, foram para suas casas, ficando apenas dois oficiais: O tenente Abel Cabral, como oficial de dia e o tenente João Cícero de Souza, da banda de música do quartel.

Anoitecia. O Governador jantava com amigos e pouco depois se dirige para o teatro Carlos Gomes, acompanhado de seu secretário Dr. Aldo Fernandes. No teatro, ocupam as cadeiras reservadas às autoridades, incluindo oficiais do 21 BC e da Policia Militar e ainda tripulantes da esquadra mexicana que, de passagem por Natal, haviam sido convidados a participarem das solenidades de formatura.

21 Batalhão de Caçadores : Pouco depois das 19 horas, o pessoal da guarda, que dava sentinela no quartel, notam um pequeno movimento no pátio com deslocamento de alguns praças, cabos e sargentos, mas não percebem nada que pudessem qualificar como anomalidade. Como se aproximava da hora da troca de sentinelas, imaginaram ser um movimento nesse sentido. Às l9:30 os sentinelas viram, mais uma vez, o deslocamento de alguns homens pelo pátio, só que agora estavam armados e se aproximando do oficial de dia. Pensaram de início ser os integrantes da patrulha de rua, criada há pouco, em razão dos assaltos a bondes que tinham ocorrido nos ultimos dias (os assaltos foram feitos por homens fardados, com máscaras e haviam inclusive suspeitas de participação de militares do 21 BC) . Mas não era a patrulha. Eram três homens: O sargento (músico) Quintino Clementino de Barros, o cabo Giocondo Alves Dias e o soldado Raimundo Francisco de Lima. Estavam bem armados. Aproximam-se do oficial de dia e Giocondo, apontando um fuzil, diz : “Os senhores estão presos em nome do capitão Luiz Carlos Prestes”. Não oferecem resistências. Nesse momento, um grupo de homens armados ocupam rapidamente os lugares estratégicos do quartel, sob as ordens de Quintino Clementino e de outro sargento, Eliziel Henrique Diniz.. Os oficiais são recolhidos de imediato à prisão, improvisada no cassino do quartel. Giocondo, à frente de um grupo armado, manda soltar os presos que estavam no xadrez do quartel e determina a execução de repetidos toques de recolher. Como o quartel era no centro do cidade (onde hoje fica o Colégio Winston Churchill) e boa parte dos soldados estavam nas imediações - alguns em suas residências e outros divertindo-se nos bares da vizinhança - a ocupação do quartel é rápida. Os soldados, ouvindo os repetidos toques de recolher, dirigem-se rapidamente ao quartel. No pátio externo foram colocados estrategicamente armas e fardas. Ao entrarem eram orientados por alguns cabos e sargentos para que se armassem e se fardassem (em depoimentos posterior, alguns praças disseram que ao entrar no quartel lhes diziam que iam ser atacados). Da torre do quartel são disparados diversos tiros para cima. Os tiros e os toques de recolher era o sinal convencionado de que a revolta começara.. Um grupo de civis, incluindo algumas mulheres, invadem o quartel, se fardando e se armando. O maior número era constituido de estivadores, tendo à frente o presidente dos Sindicato das União dos Estivadores, João Francisco Gregório.A todos eram dadas orientações para se dá vivas a Prestes e a ANL.

Quintino Clementino e Eliziel Diniz, logo se destacam como chefes militares da rebelião, e após a conquista do quartel(sem que houvesse qualquer resistência) organizam o deslocamento de tropas para os pontos estratégicos da cidade (o cabo Giocondo Alves Dias, que se destaca no início, foi ferido e encaminhado ao hospital Miguel Couto .Segundo seu depoimento, depois da tomada do quartel, se dirigia com alguns soldados para o teatro Carlos Gomes com o objetivo de prender o Governador e outras autoridades, quando “no caminho houve um tiroteio, um dos recrutas que ia conosco atirou num soldado da policia, na Delegacia da rua São Tomé. No tiroteio fui ferido, levei três tiros e tive de ir ao hospital”(Dias, 1983, p. 152). Constituídas por praças e civis, sob o comando de um cabo ou sargento, estes deslocamentos se dão de forma eficiente e organizada: Rapidamente são ocupados o palácio do governo, a residência do Governador, a central de usina elétrica, estação ferroviária, a central telefônica e telegráfica e o aeroporto da cidade, sendo providenciado ainda nesta mesma noite, o desligamento do farol que orientava os navios, localizado no forte dos Reis Magos.

No teatro Carlos Gomes, onde estava sendo realizada a solenidade, em função da proximidade com o 21 BC, são ouvidos inúmeros disparos. A programação foi interompida . Como não se soube de imediato a origem dos tiros, o programa teve sequência. De qualquer forma, algumas pessoas sairam do teatro a fim de se informar sobre o que estava acontecendo. As pessoas que estavam nas primeiras filas, começam a se retirar, criando um ligeiro tumulto. Para abrandar os ânimos, o Governador se levantou do camarote, pediu calma e solicitou que a orquestra começasse a tocar. Não adiantou. As pessoas continuaram a sair, já que os tiros não paravam. Os tripulantes da esquadra mexicana, pedindo licença ao Governador se retiram, dirigindo-se rapidamente para os navios. Depois, com a frequência dos tiros, a saída é desordenada. O Governador, junto com o seu secretário e demais autoridades resolvem sair.Os dois primeiros se dirigem ao quartel da inspetoria de policia - reformada há pouco e da estrita confiança do Governador - localizada bem próxima ao Teatro. Ao sairem , ouvem tiros na praça Augusto Severo, em frente ao teatro. Temendo serem atingidos, embora não fossem alvo dos tiros nem tivesem sido reconhecidos, resolvem entrar na casa de Xavier de Miranda, que era amigo de ambos e cuja residência ficava também numa pequena rua, quase em frente ao teatro. Ao chegarem, a porta da casa estava aberta e em casa apenas à esposa de Xavier . Explicada a situação são convidados a ficarem até serem informados do que estava acontecendo. Dormem lá e pela manhã ao tomarem conhecimento do que tinha acontecido no 21 BC, resolvem ir até à casa de Guilherme Letiere, consul honorário da Italia, que morava proximo a residência onde estavam, onde recebem asilo e ficam até o final do movimento. Quanto ao prefeito de Natal, Gentil Ferreira , o seu chefe de gabinete Paulo Viveiros e Edgar Barbosa, diretor do jornal oficial “A República” abrigam-se na casa do Sr. Amador Lamas, que transformou sua residência em consulado chileno, permanecendo por lá até o final do movimento.

O chefe de policia, João Medeiros e o delegado auxiliar major Genésio Lopes estavam na av. Rio Branco quando foram surpreendidos pelo tiroteio. Logo perceberam que se vinham do 21 BC, onde se percebia haver uma grande confusão. Acharam mais prudente irem até o quartel da policia militar, próximo ao 21 BC(onde se localiza atualmente a casa do estudante) e conversam com o capitão Joaquim de Moura, recomendando que colocasse o quartel em rigorosa prontidão. Em seguida vão à inspetoria de policia, localizado na av. Duque de Caxias, na ribeira. Ao passarem na rua Nisia Floresta, o carro que os conduziam, foi atingido por uma bala, sem causar danos (provavelmente uma “bala perdida”). Recomendam também prontidão na inspetoria. De lá seguem para o teatro Carlos Gomes. Naquele momento, em que pesem os tiroteios, a solenidade continuava. Conversam com o governador, que também não sabia o que estava acontecendo. O chefe de policia ainda tenta telefonar para o 21 BC do colégio Pedro II, vizinho ao teatro, mas não consegue ligação. Pouco depois, soube que haviam diversos soldados do 21 BC defronte a agência do banco do Brasil, próximo ao teatro, na rua Tavares de Lira. Se dirige para lá e conversa com o cabo Waldemar Coelho que o informa que estava ali com o objetivo de proteger o banco. Volta ao teatro. Lá é informado de que o major Jacinto Tavares, de quem era amigo, tinha sido visto no centro da cidade. Daniel Serquiz, um comerciante da cidade que estava assistindo as solenidades no teatro, se oferece para levá-lo em seu carro e junto com outro civil, José Seabra, saem em direção à rua João Pessoa. Ao chegarem , encontram com o sargento Amaro Pereira à frente de um contingente de homens armados. Perguntam o que estava ocorrendo. O sargento sugerem que se dirijam ao quartel do 21 BC, onde se informariam melhor, seguem para lá e ao chegarem são reconhecidos e imediatamente presos.

Os oficiais que estavam no teatro ao saberem que os tiros partiam do quartel do 21 BC se dirigem para lá. Ao chegarem nas imediações percebem uma grande confusão no quartel, um entra-e-sai incomum, presença de civis etc alguns decidem entrar no quartel e são presos imediatamente. Outros, preferem fugir e informados do que havia ocorrido, escondem-se em casas de parentes ou amigos.

Enquanto isso o sargento Quintino Clementino, com o 21 BC sob completo dominio, ordena não só a ocupação dos pontos estratégicos da cidade como o deslocamento imediato de patrulhas para as casas dos oficiais com o objetivo de prende-los. A patrulha que Giocondo Dias afirma ter ido ao Teatro prender o governador e demais autoridades, talvez em função de seu ferimento, não foi ao teatro, ou, se foram, chegaram tarde, quando todos já haviam saído e se escondido. Soube-se posteriormente que uma patrulha, comandada pelo civil Carlos Winder esteve na residência de Carlos Lamas, onde estavam o Prefeito e outros autoridades, com o objetivo de prende-los, mas, informado que se tratava de um consulado e que estes estavam ali asilados, vão embora.

Uma das patrulhas, constituida por civis e militares encontram no bairro da ribeira, fardado, o tenente da policia militar Mário Cabral que, segundo seu depoimento, ao ouvir a sequência de tiros e o local dos disparos ia para sua residência. O comandante da patrulha lhe dá voz de prisão. Preso, é conduzido ao quartel do 21 BC. Quintino ao saber de sua prisão, manda chamá-lo e pede para ele ir ao quartel da policia militar levando uma mensagem ao sargento Farias que estaria informado da conspiração e que logo enviaria tropas para ocupar o quartel, devendo o sargento convencer aos seus subordinados a não oferecerem resistência, aderindo ao movimento.

Nesse ínterim, o comandante da policia militar, major Luis Julio, o tenente-coronel José Otaviano Pinto Soares (nomeado há pouco para o comando do 21 BC) e os tenentes José Paulino Medeiros, Francisco Bilac e Pedro Silvio de Morais, ao saberem da ocupação do 21 BC dirigem-se para o quartel da policia militar. Antes porém, vão à casa do Governador e ao chegarem já a encontram sob a guarda de uma patrulha constituida pelos revoltosos. Com a aproximação dos oficiais, abrem fogo. Não conseguem ferir ninguém. Com os tiros, os oficiais se dispensam . Pouco depois se juntam novamente e decidem ir para o quartel da policia militar.

O tenente Mário Cabral se dirige ao quartel da policia mas não consegue falar com o sargento Farias. Com os tiros, vários soldados procuram o quartel , e também em função dos seguidos toques de recolher mandado executar pelo oficial de dia. No quartel a confusão era grande já que não sabiam do que se tratava. Aos poucos conseguem reunir uma força constituida por 42 praças. Cabral impossibilitado de contactar com o sargento Farias, que, ao contrário do que esperava Quintino, organizava a tropa no quartel(o chefe de policia e o delegado auxiliar haviam chegado antes e ordenam que o quartel entre de prontidão), volta ao 21 BC com a informação de que o quartel a policia militar se preparava para resistir.De imediato Quintino ordena o ataque ao quartel . Com a aproximação da tropas e ordens para que o quartel se entregasse sem resistências, os soldados da policia militar abrem fogo e começa a fuzilaria. Mário Cabral participa do ataque ao seu próprio quartel - e segundo seu depoimento sob a mira de armas (o que não evitou que, com a derrota do movimento fosse condenado a 10 anos de prisão)

Logo no início do tiroteio chegam os oficiais , vindos da casa do Governador. Não conseguem entrar no quartel de imediato. Depois de algumas dificuldades, finalmente conseguem. Com a presença dos oficiais, entre os quais os comandantes da policia militar e do 21 BC a resistência passa a se dá de forma mais organizada. As 21 horas, o fogo já era intenso e impossibilitava novos acessos ao quartel, a essas alturas já cercado pela frente e laterais(a parte de trás era um matagal e dava acesso ao rio potengi). A munição do quartel era pouca, ao contrário dos que os atacavam, em número superior, fortemente armados e com uma vantagem a mais: a proximidade com o quartel do 21 BC permitia reforço constante de homens e munições.

Mesmo assim,a policia militar resiste e o combate vai durar até as 14 horas do dia seguinte quando, esgotadas as munições, são obrigados a abandonar o quartel. Mas não se rendem. Seguindo as orientações dos comandantes Luis Julio e José Otaviano Pinto tentam sair pela parte de trás do quartel. Ao perceberem que não havia mais resistência as tropas rebeldes invadem o quartel e prendem os que tentam fugir pelas margens do rio. O único que conseguiu fugir foi o tenente Francisco Bilac, atravessando o rio potengi a nado, em direção a ridinha. O tenente José Paulino - conhecido com tenente “Zuza” e muito ligado a Mário Câmara - tenta esconder-se, mas é logo descoberto. Esboça uma reação e recebe uma rajada de metralhadora que o atingiu no tronco e no ante-braço esquerdo. Preso e ferido, teve pouco depois de amputar seu ante-braço esquerdo. Os comandantes Luis Julio e José Otaviano Pinto tentam seguir pela margem do rio potengi, rumo à Escola de Aprendizes de Marinheiros, mas são presos por uma tropa chefiada pelos motoristas Sizenando Filgueira e Odilon Rufino Figueiredo, ambos fardados de sargentos do 21 BC.

No combate ao quartel da policia militar foram feridos os sargentos Celso Anselmo Pinheiro e Celso Dantas Neto, o cabo Severino Mendes e os soldados Antonio Jósimo e Antonio Gervásio Medeiros - todos com ferimentos leves e um morto: Luiz Gonzaga.

Sobre essa morte, há uma grande polêmica. Transformado em herói pela policia militar em função de sua “bravura no enfrentamento aos comunistas e em defesa da legalidade” teve, posteriormente seu heroismo contestado. É o caso do Dr. João Maria Furtado que , ao se referir aos acontecimentos de novembro de l935 em Natal, diz “... outro episódio a esclarecer : Elementos que tomaram parte efetiva na revolta e com atuação destacada nela, sendo presos e posteriormente condenados, entre eles Sizenando Filgueira, Ramiro Magalhães e Carlos Wander linder (...) além de outras pessoas (...) sempre afirmaram que, realmente morreu nas proximidades do quartel da policia um pobre demente que vivia perambulando pelas ruas de Natal, mas nunca fora soldado da policia militar. Entretanto o major Luis Julio resolveu “alistar”depois de morto luiz Gonzaga como soldado da policia que, assim, teve uma morte de herói”(Furtado, l976, p.128)

Sizenando Filgueira, na época militante do Partido Comunista, para o qual havia entrada em l932 e que participou ativamente do movimento(foi ele, conforme relatamos, que prendeu os comandantes da policia militar e do 21 BC), em entrevista no dia 25 de agosto de l985 para o jornal “O Poti”(Natal/RN), diz a respeito de Luiz Gonzaga : “... ele não era nem herói nem militar na época. Era apenas um débil mental”. E afirma que fora ele quem o matou “em legítima defesa.”

No dia 29 de setembro de 1985, o jornal “O Poti” publicou um artigo do jornalista Luiz Gonzaga Cortez(parte de uma série de l9 artigos publicados entre os dias 26 de maio e 24 de novembro de l985, intitulado “O comunismo e as lutas políticas no Rio Grande do Norte na década de 30”)em que o mesmo afirma que houve uma adulteração no relatório da insurreição, no qual Luiz Gonzaga teria sido inscrito como soldado depois dos acontecimentos. No dia l2 de outubro de l985, o jornal publica uma carta do Dr. João Medeiros, chefe de policia na época, que reconhece ter adulterado o relatório, mas que o fez “de boa fé “.

No dia 15 de setembro de l985, o jornal “O Poti” publica uma matéria com o titulo “Jornal oficial não registrou “herói”,assinada pelo mesmo jornalista, que reproduz a matéria de capa do jornal “A República” de 29 de novembro de l935. Embora o fato do jornal oficial não registrar em sua primeira edição depois do movimento o suposto herói nada signifique(podia ou não ser verdade independente do registro),o que é digno de nota na mesma matéria é uma entrevista com o escritor Norte-riograndense Manoel Rodrigues de Melo que diz “... muitos anos depois é quecomeçaram a falar nesse soldado (...) pois durante e depois da revolução ninguém falava nesse homem.”

No livro “ Meu depoimento” de João Medeiros Filho, publicado em l937, há em anexo, o relatório do delegado auxiliar, Enock Garcia, em que ,ao se referir as vítimas do movimento , consta uma relação em que não aparece o nome de Luiz Gonzaga(p.111), no entanto, em l980, em outro livro - “ 82 horas de subversão” - ao transcrever o mesmo relatório, acrescenta, como primeiro da lista, “o soldado Luiz Gonzaga, do Batalhão Policial” (p.100).

No dia 30 de novembro de 1935, portanto, logo após a derrota da insurreição, o governador Rafael Fernandes visita os quarteis do 21 Batalhão de Caçadores e da Policia Militar, acompanhado pela imprensa e não faz qualquer referência a morte de soldado da policia militar. No dia 5 de dezembro de l935, o Cel. Otaviano Pinto Soares, comandante do 21 BC em longa entrevista ao jornal “correio da Manhã”do Rio de Janeiro(transcrita no jornal A “República”de Natal) , detalha sua participação e não faz também qualquer referência a morte de soldado da policia militar. No entanto, em documento datado de 7 de janeiro de 1936(anexo 1) o Governador do Estado, envia ao comandante da 7a.Região Militar o relatório do comandante do Batalhão Policial Militar (anexo 2,3 e 4) datado de 23 de dezembro de 1935 em que diz “.. após a retirada do quartel foi atingido e morto por certeiros tiros do inimigo o soldado luiz Gonzaga que na metralhadora pesada se salientara como um bravo”. O curioso é que jornal oficial “A República”publica diversas matérias nos dias subsequentes a insurreição e não faz qualquer referência a morte de soldado da policia militar. Destacam-se essas matérias pelo fato de serem muito detalhadas e pela forma como eram redigidas, com o sugestivo titulo de “a malograda rebelião extremista” tal noticia certamente seria explorada ao limite. E, fato importante : não há nos autos dos processos referências a essa morte, entre os centenas de indiciados e presos e tampouco no julgamento dos processos, o que não irá ocorrer em dois outros casos de assassinatos, onde além de constar os nomes dos envolvidos(e portanto julgados também sob essas acusações), está anexado aos autos do processo cópias das respectivas autópsias.

Um documento importante é o relatório do Coronel Artur Silio Portela, encarregado do inquérito policial militar, datado de 19 de março de 1936(Rio de Janeiro), que detalha(32 páginas) os acontecimentos do “movimento subversivo no Rio Grande do Norte”, inclusive a resistência do quartel da policia militar(pag.6) e não faz referências a morte de soldado da Policia Militar. Como trata-se de um relatório minuncioso(consta inclusive a relação de todos os militares do 21 BC indiciados) caso isso tivesse ocorrido, dificilmente não constaria no relatório.

Voltemos ao relato dos acontecimentos: Dos oficiais do 21 BC que conseguem entrar no quartel e são presos imediatamente estavam os tenentes Luiz Abner Moreira e João Telles. Quintino, ao saber a prisão dos dois manda chamá-los e tenta convencê-los a aderir ao movimento. Não consegue. No dia seguinte, a tarde, o tenente João Telles foi levado ao hospital Miguel Couto para conversar com Giocondo Dias, que também não consegue convencê-lo.

Estavam presos no quartel do 21 BC além dos 2 tenentes, 1 capitão, 1 major, 1 tenente coronel, o chefe de policia, 7 tenentes, 11 sargentos e alguns praças e civis.

Afora o quartel da policia militar a unica resistência encontrada foi no quartel do pelotão de cavalaria da policia. Com 9 homens aquartelados, ainda conseguem resisitir até às 11 horas do dia seguinte quando, esgotadas as munições, renderam-se.

A cadeia pública (onde hoje se localiza o Centro de Turismo) também foi atacada, mas face a superioridade numérica(e bélica) dos atacantes, a resistência dura pouco. Invadem a cadeia e soltam 68 presos.

São ainda invadidas - e seus ocupantes presos - a inspetoria de policia, que foi cercada por um grupo de homens armados, militares e civis tendo à frente o inspetor fiscal Manoel Justino Filho , o ex-inspetor da guarda-civil Agostinho Campos e os civis Carlindo Revoredo e Antonio Soares Filho que encaminham todo o armamento ali existente junto com o material do setor de almoxarifado para o quartel do 21 BC.

Escola de Aprendizes de Marinheiro. Esta escola funcionava no prédio a Capitania dos Portos, no centro da cidade quase por trás do quartel do 21 BC. Como era uma escola de aprendizes, seu contingente era constituido de menores que faziam uma espécie de “estágio preparatório”para ingressarem na Marinha. O número médio de aprendizes a cada ano era em torno de l00 homens. No sábado a noite, quando ocorreu o levante , estavam na escola um sub-oficial, um sargento, 4 marinheiros e aproximadamente 50 aprendizes. O comandante, o capitão de corveta Leonel de Magalhães Bastos , estava em sua residência. Ao ouvir os tiros, dirige-se para a escola. Ao chegar, é informado do levante no 21 BC, sem que tivesse maiores detalhes quanto as suas causas e objetivo. Tenta comunicar-se pelo rádio com o comando a região, na cidade do Recife, mas não consegue . Pouco depois de sua chegada, um contingente de soldados e civis se aproximam da escola. Vinham ocupá-la. Como era em número bem superior e estavam bem armados, o capitão resolve retirar o pessoal do prédio - cujos fundos davam para o rio potengi. No rio estavam alguns escaleres pertencentes a escola. Ao perceberem que iam fugir os rebeldes começam a atirar, mas não conseguem ferir ninguém e mesmo sob intensa fuzilaria, conseguem fugir dirigindo-se para um velho navio que estava encalhado na margem oposta do rio. Nesta mesma noite o capitão, imaginando que o prédio havia sido abandonado, tenta voltar, mas é recebido à bala e retorna ao navio. Pouco depois , junto com seus comandados, se dirige para os navios estrangeiros ancorados no porto, bem próximo ao local onde estavam . São recebidos pelo comandante do navio mexicano “G 24” onde ficam até o final do movimento.

João Francisco Gregório, o presidente do sindicato União dos Estivadores, recebe de Quintino Clementino a missão de ocupar o bairro das rocas(onde ele e a maioria dos estivadores moravam) e o cais do porto, não permitindo a entrada ou saída de navios ou qualquer embarcação. Estavam ancorados alguns navios estrangeiros: Os vapores Harriron Line e Both S.S. Co., uma esquadrilha mexicana com 6 navios e um vapor brasileiro(“Santos”). Antes que o grupo de estivadores ocupassem o cais, algumas familias ricas da cidade conseguiram chegar aos navios, onde se asilaram.

Manhã do dia 24 de novembro: João Francisco se dirige ao vapor brasileiro e determina a paralisação da estação radiotelegráfica e apreende 20 cunhetas de munição e 5 caixas de dinamite que estavam destinadas ao Estado de Pernambuco. Esse material, levado ao quartel do 21 BC seria pouco depois empregado nos ataques aos municipios de Panelas e Baixa Verde. São suspensas também as operações de cargas e descargas de todos os navios.

No inicio da tarde, com a tomada do quartel da policia militar não haviam mais resistências. A cidade estava em poder dos revoltosos.

Quintino se reúne com alguns militantes do partido comunista a fim de decidirem o que fazer. Entre eles, Epifânio Guilhermino, um motorista de 29 anos que, junto com sua mulher, Leonila Felix, foram um dos primeiros civis a invadirem o quartel.(Leonila havia pertencido a União Feminina, criada sob orientação do partido comunista. Ao entrar no quartel, onde permanece até a manhã do dia seguinte, se arma e se farda de soldado, usando um lenço vermelho no pescoço). A ele coube a tarefa de trazer para o quartel alguns carros particulares. Não haviam muitos na cidade e não era dificil saber quem eram seus donos e respectivos endereços. As 7 horas da manhã, juntamente com os motoristas Manoel Justino Filho, José Bécora, Domicio Fernandes e Gaspar Martins e mais 5 praças do 21 BC saem em busca dos carros. A primeira residência que teve carros requisitado foi a do Sr. José Alves Bila, um rico negociante da cidade. Estava em casa. Entrega a chave de seus carros. Vistoriados, apenas uma “baratinha” foi levada, por se encontrar em boas condições.

Ao sair da casa do Sr. Alves Bila, Epifânio manda três dos cinco soldados que o acompanhava irem até a residência do tabelião Pedro Dias Guimarães(que havia sido prefeito de Natal) . Ao chegarem a casa do tabelião o encontram em casa. Armados, não foi dificil convence-lo a entregar a chave do cartório(localizado no centro da cidade, próximo a Prefeitura) De posse dela, Epifânio abre o cartório, manda buscar gasolina num posto de atendimento que ficava próximo e toca fogo no cartório. Quando saem, os vizinhos, alertados pela fumaça, conseguem debelar o fogo, salvando parte da documentação.

Dalí, Epifânio segue para o mercado publico onde será acusado de saquear dois pontos comerciais e depois vai a casa de um outro conhecido negociante da cidade, o Sr. José dos Santos. De lá retiram dois caminhões e mais 2:000$000(dois mil réis) que são encaminhados ao quartel do 21 BC. Em seguida, ao passar em frente a residência do funcionário da costeira Otacilio Werneck, na rua general Glicério, encontra-o de pijama na porta da casa e segundo o depoimento prestado à policia após os acontecimentos pelos motoristas Manoel Justino, Gaspar Martins, José Bécora e Domicio Fernandes disse : “vou experimentar o meu revólver” e ato continuo fez diversos disparos (28). Por tal crime Epifânio terá a maior pena de todos os indiciados, presos e condenados: 33 anos de prisão. Depois disso ainda se dirige para o armazém da viuva Machado, localizado na rua Chile, no bairro da ribeira onde retiram diversas mercadorias, e mais 500$000(quinhentos réis)em dinheiro. Não se sabe bem o porque , mas o fato é que houve um desentendimento entre ele e um dos soldados que o acompanhava e iniciam uma briga que resulta no ferimento de Epifânio. Internado no Hospital Miguel Couto é preso logo após a derrota do movimento. Quando se recupera é enviado para a prisão do Rio de Janeiro no mesmo navio em que viajou , também preso, o escritor Graciliano Ramos que, no livro de memórias desse período (Memórias do Cárcere) lhe faz referências, assim como a outros norteriograndenses presos.

Na tarde do dia 24 de novembro, Quintino Clementino de Barros e Eliziel Diniz, se reunem com a direção do partido, na casa de um ferroviário, no bairro da ribeira. Participam da reunião, José Praxedes, José Costa e João Galvão. Decidem pela constituição de uma junta composta por membros da direção do partido, ficando assim constituída : Quintino Clementino de Barros(36 anos), Secretário de Defesa; Lauro Lago(36 anos), Secretário do Interior e Justiça; José Macedo(33 anos), Secretário de Finanças; João Galvão(33 anos), Secretário de Viação e José Praxedes(35 anos), Secretário de Aprovisionamento.

José Praxedes, em entrevista quase 50 anos após os acontecimentos, afirma que, definida a composição oficial do novo governo, ele foi indicado a fazer a proclamação oficial ao povo de Natal “...fomos para a praça do mercado, em frente ao quartel do 21 BC e ali mesmo, na porta do quartel, eu subi a murada e lí a proclamação do Governo Popular Revolucionário. O povo estava todo na praça e depois da proclamação saudou o novo governo com gritos de “viva a revolução”, “viva o Governo Revolucionário”, “viva Prestes”. Foi uma verdadeira festa”(Oliveira Filho, l985, p. 63). A proclamação em praça pública realmente ocorreu, embora seja dificil precisar o numero de pessoas presentes. João Café Filho vai se referir a esse episódio para acusar Praxedes de querer fuzilá-lo “... outro dirigente do PC, o sapateiro Praxedes, Comissário do Povo para os Negócios de Aprovisionamento, num comicio em frente ao palácio, pregou a inclusão do meu nome na lista dos que deveriam ser fuzilados”(Café Filho, 1966, p. 89) no relatório do Cel. Artur Silio Portela, encarregado do inquérito policial-militar, faz referência a esse comicio dizendo “...os oficiais presos no 21 Batalhão de Caçadores puderam ouvir as pregações dos comicios realizados na praça fronteira ao quartel, onde foi aclamado o “comitê” revolucionário que deveria se encarregar dos destinos da terra potyguar”(...)(29)

Constituída a junta - auto-denominada Comitê Popular Revolucionário - instalam-se na Vila Cincinato, situada na praça Pedro Velho, no prédio que servia como residência do Governador

Nessa reunião provavelmente foi discutida a consolidação do poder no interior do Estado, uma vez que à noite começam a se formar algumas colunas , que se deslocariam para as principais cidades. Já nesta noite, saem os primeiros caminhões . Para cada uma foi nomeado um comandante, e segueriam dentro de um plano pré-estabelecido. Quanto a sua composição, naquelas circunstâncias, não era possível estabelecer qualquer critério. Iria uma parte das tropas e os que ficavam, manteriam a vigilância pontos estratégicos já ocupados (ver mais adiante detalhes sobre o deslocamento dessas colunas).

Dia 25 de novembro. Segunda-feira. Às 9 horas da manhã, Nizário Gurgel, um dentista de 48 anos, líder político da Aliança Social(partido do ex-interventor Mário Câmara) no municipio de Canguaretama, acompanhado por soldados do 21 BC vai a bordo do navio mexicano “G 24” com o objetivo de negociar a retirada de alguns civis e militares que haviam se asilado no navio. Conversa com o comandante, argumentando que , em caso de negativa, seria proibido o embarque de qualquer coisa para o navio, incluindo gêneros alimentícios. Mesmo com essas ameaças o Comandante não aceita a retirada de qualquer um dos asilados. Nizário se retira e comunica o fato a João Francisco Gregório, responsável pela guarda do cais do porto, para que fossem cumpridas as ordens de impedir a saída ou entrada no navio sejam de pessoas ou gêneros alimentícios (no seu processo, um dos maiores referentes ao Rio Grande do Norte, Nizário Gurgel anexa diversas cartas de politicos, autoridades, religiosos, etc, inocentando-o. Afirma que sua ida ao navio tinha por unico objetivo salvaguardar a vida dos que lá estavam)

A participação do Dr. Nizário Gurgel e, ao que parece, com ascendência, sugere a alguns analistas a participação de “maristas”(partidários de Mário Câmara) no movimento. Discutiremos esse aspecto mais adiante.

Vitorioso o levante do 21 BC, logo foram instituidas algumas patrulhas que passam a fazer rondas pela cidade.E assim várias pessoas foram presas e encaminhadas para a improvisada cadeia na Vila Cincinato. Alguns por não haver motivos que justificassem foram liberados ( Lauro Lago em seu depoimento a policia diz que mandou soltar alguns por não ter visto qualquer razão plausível para terem sido presos). Outros ficaram na cadeia. É o caso do Sr. Antonio Quirino. Preso às 9 horas da manhã quando se dirigia para a feira das rocas, dizia desconhecer as razões de sua prisão e acusava um dos integrantes da patrulha de perseguição, em função de desentendimentos pessoais anteriores, ou seja de antigas e não resolvidoas rixas (é possível que casos semelhantes tenham ocorrido). No dia seguinte, aproximadamente às 22 horas foi retirado do xadrez pelo sapateiro conhecido como “Moreira”(Manoel “Pulga”), um cunhado e pelo motorista Julio Fernandes e conduzido na direção do municipio de Parnamirim. Antes de chegarem, o retiram do carro e o espancam violentamente, deixando-o na estrada. ( nos autos do processos,há detalhes sobre esse caso, embora não fique claro as razões do espancamento.)

O primeiro documento da Junta é um decreto de poucas páginas, assinado no dia 25 de novembro pelo “Comitê Revolucionário” que dissolve a Assembléia Legislativa “por não consultar mais os interesses do povo e do Estado “e a destituição do Governador Rafael Fernandes “em virtude de não ter sido encontrado em parte alguma deste Estado (...) fica o mesmo destituido do seu cargo, que não pode mais exercer”.

Foram pensadas também algumas medidas que pudessem ter algum impacto popular: Os preços dos bondes foram reduzidos de 50 para 20 réis, sendo providenciado também o imediato restabelecimento dos serviços dos bondes. José Praxedes, o Secretário de Abastecimento, assina um boletim, distribuido aos comerciantes, no qual solicita a reabertura de seus estabelecimentos. O mesmo procedimento foi feito em relação aos bancos, em documento assinado pelo Secretário de Finanças, José Macedo.

Na segunda-feira, da 25 de novembro, nem o comércio nem os bancos abriram. À tarde, José Macedo foi pessoalmente à casa do gerente do Banco do Brasil, junto com alguns soldados e civis armados, solicitar a chave do banco e dos respectivos cofres. Encontram o gerente em casa. Ele informa que a chave do banco e dos cofres estão com o contador. Vão a casa do contador. Não o encontram . Decidem ir ao banco( localizado na rua Tavares de Lira, no bairro da ribeira). Ao chegarem arrombam a porta, mas não conseguem fazer o mesmo com os cofres. Alguém sugere o trabalho de um especialista.

Às 20 horas, o serralheiro mecânico Manoel Severino de 33 anos estava em sua residência quando chegou um carro com os motoristas Lauro Teixeira e João Maranhão, mais conhecido como João“Pretinho”,( ambos militantes do PC) acompanhados de alguns soldados do 21 BC todos fardados e bem armados, e o intimam a comparecer à Vila Cincinato, sede do governo. Ao chegarem na Vila, José Praxedes o manda ir em companhia de José Macedo ao Banco do Brasil a fim de que o mesmo pudesse abrir os cofres do banco. Como ele não estava com as ferramentas necessárias, volta à sua residência, acompanhado de soldados para em seguida, de posse de uma maçarico, se dirigir ao banco. Ao chegarem encontram alguns soldados que haviam ficado dando guarda, uma vez que a porta tinha sido arrombada na parte da tarde. Com a ajuda do maçarico, Manoel Severino abre o cofre, e é retirada a quantia de 2:944:140$500(dois mil novecentos e quarenta e quatro contos, cento e quarenta mil e quinhentos reis)

Todo o dinheiro é transportado em um caixote do próprio banco, até a Vila Cincinato. Tomaram parte, além do mecânico Manoel Severino, os motoristas Lauro Teixeira, João “Pretinho”, Arari Silva, Odilon Rufino Figueirdo os militares Raimundo Francisco de Lima (O Raimundo “Tarol”) e José Maria dos Santos, além de José Praxedes e José Macedo.

Na madrugada do dia 26 de novembro, o mecânico Manoel Severino, acompanhado por José Canela(fundidor de obras do porto), Carlos Linder(estudante) e o tenente da policia militar Moises Costa Pereira, vão ao prédio da Recebedoria de Rendas (na rua Duque de Caxias, na ribeira). A ida do mecânico era para concluir o arrombamento já iniciado por José Canelas(e não concluido por falta de um maçarico). De lá retiram a quantia de 93:873$797.

Na Vila Cincinato chegaram ainda dinheiro arrecadado, sob a forma de “requisição” da Prefeitura de São José de Mipibu (3:200$000) e da Agência de Rendas Estadual (4:376$000) esta, por intermédio do sapateiro Jaime de Brito, do motorista Francisco Braz Leopoldo e do engenheiro Renato Peixoto. É arrombado ainda o cofre da Recebedoria de Rendas de Natal, sendo retirado 154:178$140.

A soma desses valores era uma fortuna para a época. Do total, uma quantia insignificante voltaram aos respectivos cofres. Após a derrota do movimento, a policia consegue recuperar parte do dinheiro. Há um relatório policial onde consta a recuperação de apenas 922:000$000. Do restante, não há informações (só com Lauro Lago, João Galvão e José Macedo foram aprendidos 210:180$000 e com Quintino Clementino e Eliziel Diniz 8:000$000.) Posteriormente, houve diversas acusações de apropriações indébitas do dinheiro apreendido. O próprio chefe de policia. Dr. João Medeiros, é solicitado pela Assembléia Legislativa do Estado para prestar informações sobre “ que destino deu as sindicâncias (...) sobre o desvio criminoso do dinheiro apreendido em poder de implicados ou não no movimento de 23 de novembro do ano passado e praticado pela própria policia” (foi chamado também para prestar esclarecimentos sobre espancamentos de presos na casa de detenção e a censura ao “o Jornal” de Café Filho).

Na manhã do dia 26 de novembro é enviada uma patrulha à praia da ridinha, constituida por soldados e civis, tinha à frente o marceneiro Hemetério Canuto e João Alves da Rocha. O objetivo era efetuar algumas prisões e apreender armas, pois haviam informações de que muitas pessoas haviam fugido para lá Uma dessas buscas foi feita na casa da familia de Arnaldo Lira, que, a exemplo de outras familias de Natal, estavam passando o final de semana na praia, e informados do que ocorrera , decidiram ficar. Indagado por um dos soldados se haviam armas em casa, Arnaldo respondeu : “só se houver no morro mais próximo...”. Irritado com a resposta, o soldado lhe dá voz de prisão. Preso, ainda grita “Anauê!”(saudação integralista, muito comum na época). É enviado imediatamente para Natal e levado para a improvisada cadeia da Vila Cincinato. Ao chegarem, um dos soldados manda que ele repetise o que havia dito por ocasião de sua prisão. Ele não responde. Como Quintino Clementino não estava na Vila naquele momento e fôra ele que havia sugerido a patrulha, Arnaldo foi encaminhado a uma sala onde aguardaria à sua chegada. Um dos soldados porém, antes de colocá-lo na sala improvisada de cadeia, tira-lhe a carteira e um relógio de ouro. Iniciam uma discussão, que termina em briga tendo o soldado o atingido com a ponta do sabre. Carregado para o Hospital em função da gravidade do ferimento, não resiste e morre poucos dias depois. Era o segundo assassinato desde o início do levante.

Terça, 26 de novembro. Pela manhã, um avião da companhia Condor, um dos que estavam no aeroporto quando este foi ocupado por tropas do 21 BC, sobrevoa a cidade, pilotado por Audélio Silvério, soltando boletins da Junta( no dia anterior foram impressos pequenos comunicados à população. Como os jornais não circularam, foi dada a idéia de se utilizar um dos aviões que estavam no hangar do aeroporto)

Necessitando comunicar-se com a população, a Junta decide pela circulação de um jornal com o nome de “A Liberdade”. A tarde , a redação do jornal “A República”situado na rua Junqueira Aires, esquina com a Juvino Barreto, no bairro da Ribeira, foi ocupada por soldados e civis armados , tendo à frente Raimundo Reginaldo da Rocha. Professor primário, era da direção do partido comunista e um dos seus fundadores na cidade de Mossoró, de onde havia chegado há pouco tempo.

No prédio, apenas um vigia. E entre os que invadiram não havia quem soubesse fazer as máquinas funcionarem. Foram então enviadas patrulhas com soldados armados às casas dos operários que trabalhavam na gráfica do jornal. A partir da localização da casa de um deles, foi possível identificar e localizar os demais. Todos estavam em casa e são intimados à irem trabalhar. As matérias já estavam prontas (algumas batidas à máquina e outras manunscritas. Ao ser designado pela Junta governativa, Raimundo Reginaldo já as trouxera da Vila Cincinato) faltando dá-lhes apenas “uma feição jornalística”, para o qual foram incumbidos Otoniel Menezes e Gastão Correia, auxiliares de redação do jornal “A República”(30)

Além de Raimundo Reginaldo e sua filha Amélia Reginaldo - uma das mulheres que invadem o quartel e veste uma farda de soldado e será uma espécie de secretária informal da Junta - comandavam as operações Francisco Menelau e Israel Pedroza, ambos armados de fuzis e com fardas do 21 BC.

À noite, concluída a parte de diagramação, o jornal foi a gráfica, sendo rodados mais de mil exemplares que deveriam ser distribuidos à população no dia seguinte. Trazia em sua primeira página dois artigos “Delenda fascista”e “Sob a aleluia Nacional da Liberdade” e nas demais, várias notas sobre a revolução, o hino da Aliança Nacional Libertadora e na ultima página sobrou um pequeno espaço que foi devidamente preenchido com a propaganda do “Sal de fruta Eno”...No entanto,o movimento foi derrotado antes que o jornal pudesse ir às ruas.

Neste dia também circulavam rumores de que na Vila Cincinato estavam sendo distribuídos gêneros alimentícios à população, o que levou muita gente a se deslocarem para lá. Não era verdade. Embora fosse intenção da Junta não tiveram sequer o tempo necessário para pensar em medidas como essa (como seriam feitas as distribuições? onde arranjariam tantos alimentos? ) e a maior parte do que havia sido requisitado (ou foram resultados de saques em lojas comerciais e armazens), foi encaminhado para o quartel do 21 BC. Não havia condições, naquelas circunstâncias, para fazer distribuição de comidas. José Praxedes assina diversas requisições aos comerciantes. Como o comércio não abriu, alguns armazens foram arrombados e saqueados, como foram os casos, entre outros, das casas comerciais de Clóvis Fernandes, Viúva Machado, a chilenita, M. Martins e Cia.(representante da Ford em Natal), companhia Souza Cruz, Armazem Copacabana, Joalharia M. Alves Afonso, A Paulista, G. Galvão e cia, A barateira, Severino A. Bila e Casa Elias.

Haviam também rumores na cidade de que os presos civis e militares que estavam no quartel do 21 BC iriam ser fuzilados. Isso levou os cabos Adalberto Correia, João Leite Gonçalves e Erácito Lacerda e os sargentos Amaro Pereira e Claudio Dutra e o soldado Joaquim Neves, após conversarem com outros cabos(entre eles, Giocondo Dias, que havia saído do hospital nesse dia) e sargentos, a formarem uma comissão e falar com os membros da Junta. Queriam preservar a vida de todos os presos, entre os quais se encontrava o chefe da policia, João Medeiros Filho que, em depoimento posterior afirma que, por três vezes, o quizeram tirar da prisão, com intenções de fuzilá-lo(Medeiros Filho, 1937, p.59 ). A comissão foi formada pelos cabos Adalberto Correia e Giocondo Dias. Essa comissão conta com o apoio do sargento Quintino Clementino de Barros, que desconhecia qualquer plano nesse sentido. De qualquer forma, vão até a Vila Cincinato e conversam com os outros membros da Junta, que, igualmente, desconheciam planos de fuzilamento e discordavam desse procedimento. Mas como o xadrez era improvisado, temiam algum insensatez do gênero e concordaram em retirá-los do quartel. A sugestão da comisão era que fossem conduzidos para a bordo do navio mexicano que estava ancorado no porto e já havia dado asilo a diversas pessoas, entre civis e militares. À tarde, os sargentos Claudio Victor e Amaro Pereira estiveram a bordo do navio negociando com o comandante a transferência dos presos. O Capitão Nestor Meixueiro, comandante da corveta, aceita recebê-los. Na prática, significava asilo político dos presos pelo próprio movimento... um ato que expressava a falta de segurança de seus dirigentes, uma vez que, quando isso ocorre, ainda tinham pleno dominio da cidade.

Noite do dia 26 de novembro. Crescem rumores na cidade de que Natal iria ser bombardeada por aviões vindos da Paraíba, Ceará e Pernambuco, além do deslocamento de tropas do exército desses Estados por via terrestre, ocupando as principais vias de acesso à cidade. A Junta se reune para avaliar a situação. De Recife, chegam noticias do fracasso do levante do 29 BC, da Paraíba, ao contrário do que dizia o jornal “A Liberdade” (“...podemos assegurar a todos os camaradas deste Estado que a Paraíba já se encontra sob o governo revolucionário do intrépido companheiro major João Costa”) sabem também do deslocamento do Batalhão de Caçadores da Paraíba, saindo de João Pessoa em direção à Natal. Isso significava que a esperada adesão de outras unidades militares do Nordeste - e do país - não ocorrera.. Além disso, tinham informações da derrrota que acabaram de sofrer na “Serra do doutor”(localizada entre os municipios de Santa Cruz e Currais Novos) por tropas organizadas por Dinarte Mariz , com reforço de homens recrutados na Paraíba.

Há um consenso na reunião de que não havia como organizar uma resistência.(pouco antes, a Junta tinha decide fazer um comunicado à população e manda imprimir panfletos, datado de 27 de novembro, em que afirmava-se que tais noticias não passavam de boatos para semear o desânimo e a ameaçava punir com rigor seus responsáveis) O movimento estava derrotado e a única alternativa era a fuga. Praxedes, um dos membros da Junta e presente a essa reunião, diz “... às 11 horas da noite do dia 26(...) nós estávamos todos no palácio quando chega um emissário de Quintino com um telegrama que havia sido enviado pelo Comandante das forças legalistas do Recife. O telegrama dizia o seguinte: “a fim de não derramar precioso sangue nossos irmãos, deponham armas. Já consolidados posições em Recife. Amotinados foram presos. Estamos vitoriosos”(Oliveira Filho, l985, p 76-77 ).

Discutem o que fazer com os presos. Lauro Lago, presente a reunião, em depoimento prestado à policia posteriormente acusa Praxedes de querer fuzilar os presos “só não o fazendo por não encontrar apoio nos demais”(31). Decidem enviá-los ao navio Mexicano, cujo contato já havia sido estabelecido na parte da tarde. A entrega dos presos foi feita na madrugada do dia 27 de novembro pelos cabos Giocondo Dias, Estevam Guerra e Adalberto José da Cunha. Além dos prisioneiros, entregam material belico, inclusive metralhadoras, fuzis e munições, para em seguida fugirem, cada um seguindo rumos diferentes.

Sem os prisioneiros - que poderiam eventualmente servir como garantia para a retirada - e com as informações sobre o fracasso do movimento, o 21 BC recebe ordem para debandar. E que cada um seguisse seu próprio caminho...

A junta se divide para a fuga. O dinheiro que haviam arrecadado(e guardado em caixotes na Vila Cincinato) foi dividido entre os que haviam participado mais ativamente e estavam com eles naquele momento. Quintino Clementino e Eliziel Diniz, segueriam de carro rumo ao municipio de Baixa verde, enquanto Lauro Lago, João Galvão e José Macedo iriam em direção à Recife em outro carro, tendo como motorista Manoel Justino enquanto José Praxedes segueria sozinho em outra direção.

Nas primeiras horas do dia 27 de novembro saem os dois carros com os membros da Junta. O movimento não tem mais direção. Lauro Lago, José Macedo e João Galvão chegam de madrugada na cidade de Canguaretama, próximo à divisa com o Estado da Paraíba. Decidem dormir, se hospedando na casa do Dr. Nizário Gurgel. Ao amanhecer, saem em direção à João Pessoa. Um pouco adiante, encontram-se com tropas comandadas pelo major Elias Fernandes da Policia Militar da Paraíba, que se deslocava para Natal e são presos. Com eles são apreendidos a importância de 210.180$000.

Quintino Clementino e Eliziel Diniz não ficam em Baixa Verde. Seguem para Pedra Preta, onde são presos às l8 horas do dia 27 de novembro, por tropas policiais da Paraíba que se deslocavam para Natal. São conduzidos para à cadeia de Baixa verde e no dia seguinte, levados à casa de detenção de Natal. Com eles são apreendidas a quantia de 8.000$000.(32)

José Praxedes e Giocondo Dias, seguindo rumos diferentes, conseguem fugir. O primeiro, só reapareceu com sua verdadeira identidade em l984 (Oliveira Filho, l985) e quanto a Giocondo Dias, ao fugir, leva consigo um pacote de dinheiro. Ao passar em Lages, entrega um pacote a Manoel Aprigio contendo sete contos de réis para ser guardado. Mas este, ao invés de guardar o dinheiro, entrega-o ao prefeito da cidade que, por sua vez, entrega-o a policia (33). Giocondo fica escondido até abril de 1936 na fazenda de um amigo, Paulo Teixeira, quando houve um desentendimento entre eles e recebe inúmeras punhaladas. Ferido, é enviado a um hospital e em seguida entregue a policia.

A noticia da fuga da Junta logo chegou aos rebeldes. A fuga é geral. E assim como disse Nizário Gurgel : “... sem ordem, sem controle e sem articulação, o movimento fracassou, e ficou a confusão esteriotipada no semblante dos rebelados, a impressão nítida do fracasso que os aguardava(...)” (34)

Com a noticia da fuga da Junta os estivadores, que estavam dando guarda no cais do porto e no bairro das Rocas, depõem as armas, entregando-se a policia sem oferecer qualquer resistência. É o ultimo ato.

Os comandantes do 21 BC e da Policia Militar , se dirigem para os respectivos quarteis e logo organizam patrulhas, que se deslocariam pela capital e cidade do interior, prendendo os revoltosos. A essas alturas, chegam as tropas vindas da Paraíba e Ceará que os ajudam na prisão dos foragidos. É o fim do movimento.


Notas

26 - Depoimento do então secretário do governador Rafael Fernandes, Aldo Fernandes, in “memória Viva”, Nossa Editora, Natal, l987, p.21

27 - Não constam nos autos dos processos do Tribunal de Segurança Nacional o número exato das dispensas , nem tampouco nos arquivos do Ministério do Exército(RJ) que foram pesquisados.

28 - Depoimento prestado à policia por todos os integrantes do carro em que ia Epifanio Guilhermino. Ver auto dos processso do Tribunal e Segurança Nacional, Arquivo nacional(RJ), proceso No. 2, volume IV, p. 407-420.

29 - Relatório do Cel. Artur Silio Portela, datado de 19 de março de 1936. Tribunal de Segurança Nacional, Processo N. 76. Arquivo Nacional, Rio de Janeiro.

30 - Em depoimentos posterior à policia, afirmam que o fizeram “sob a mira das armas”no entanto os próprios funcionários do jornal fazem acusações incriminatórias a atuação de ambos, motivo pelo qual são condenados a 2 anos de prisão pelo Tribunal de Segurança Nacional

31 - Depoimento prestado `a policia em 23 de dezembro de 1937. Auto dos processos do Tribunal de Segurança Nacional, processo No. 2, volume I, Arquivo Nacional, Rio de Janeiro

32 - João Medeiros Filho, diz que foram recolhidos ao departamento de Fazenda 886:124$650 (oitecentos e oitenta e seis contos, cento e vinte e quatro mil e seicentos e cinquenta reis) mais 21.000$000 apreendido na Baia da traição(PB) e mais 15:180$000 apreendidos no interior do estado. Isso totaliza 922:304$650 (novecentos e vinte e dois contos, trezentos e quatro mil e seicentos e cinquenta reis). Como só no Banco do Brasil o saque foi de 2.944:104$500 (dois mil novecentos e quarenta e quatro contos, cento e quatro mil e quinhentos reis) , dá uma diferença considerável. Essa diferença foi explicada pelo chefe de policia como tendo recolhida aos cofres do governo que teria se indenizado, face aos saques ocorridos na Recebedoria de rendas e em algumas cidades do interior do Estado.(Medeiros Filho, l937, p.102)

33 - Cópia do Edital de citação - comarca de Lages, data de 14 de março de l938 e enviada ao Tribunal e Segurança Nacional, anexada aos processsos referentes aos acontecimentos de novembro de l935 no Rio Grande do Norte

34 - Ver depoimento de Nizário Gurgel nos autos dos processos do Tribunal de Segurança Nacional, processo N.2, volume V. Arquivo Nacional, Rio de janeiro

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