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Teiroberto_monte@hotmail.com da Vida
Vida Militante

Entrevista com Roberto Monte

O coordenador do Centro de Direitos Humanos e Memória Popular, Roberto Monte, disse que iniciará uma campanha nacional e até internacional, se for preciso, para garantir a transferência do policial Jorge Luiz Fernandes, o “Abafador”, para a Penitenciária de Alcaçuz. O policial, apesar de condenado a 47 anos, está numa delegacia. Nesta entrevista, Roberto Monte é criticado, mas também critica. Ao responder perguntas do delegado Maurílio Pinto de Medeiros, a quem acusou de comandar um grupo de extermínio no RN, o coordenador do CDHMP trava uma polêmica. Ele afirma que o delegado é hoje um “peso morto”.

1 – Como nada foi provado na chacina de Mãe Luiza contra o policial Jorge Abafador, por que os Direitos Humanos não o defendem? Não estariam condenando um inocente?

Joana D’arc - Capim Macio 

Cara Joana, você está equivocada. A participação do citado policial na triste Chacina de Mãe Luíza não só foi provada como comprovada. Ele foi condenado duas vezes pelo Tribunal do Júri Popular e a sentença foi ratificada em decisão histórica pelo Tribunal de Justiça do Estado do RN que acompanhou o criterioso voto do Desembargador Caio Alencar.

Os Promotores de Justiça Drs. Augusto Flávio e Giovanni Rosado, assistidos pelos Advogados Ademar Rigueira e Martins Maia (da OAB Federal) demonstraram de forma inequívoca que o policial assassinou como queima de arquivo duas pessoas, dentre elas, uma senhora grávida, além de ter provocado lesões de natureza grave em outras três. 

2 – Como o senhor explica os extermínios recentes em Parnamirim se o policial Jorge Luiz, o Abafador, encontra-se preso? O senhor afirmou várias vezes que ele era o autor de todos eles.

Dalila de Souza Maia - Mirassol 

Nunca afirmamos que o policial já condenado seria o autor de todos os delitos. A participação do mesmo no grupo de extermínio “Meninos de Ouro” foi apurado pelo trabalho da Comissão formada por Promotores e Procuradores de Justiça que, com raro desassombro, elencou crimes, vitimas e autores e encaminhou inúmeras denúncias à Justiça. Também nesses crimes encontraremos o referido policial em papel de triste destaque. Quanto ao caso das mortes em Parnamirim, teremos que assuntar e colher mais informações dos recentes acontecimentos. 

3 – Como o senhor, defensor dos Direitos Humanos, agiria no caso de um marginal entrar em sua residência e violentar uma pessoa da sua família, já que os Direitos Humanos, pelo que vimos, só defende estes marginais?

Rosângela Medeiros da Silva Figueiredo - Cidade Satélite 

E se esse “marginal” fosse seu filho, irmão, pai ou neto , você teria coragem de defender a pena de morte para ele? Dizer que os defensores dos direitos humanos só defendem bandidos é não enxergar a complexidade das relações sociais de um país desigual, de um país com estrutura geradora de injustiças, onde a dita lei só acaba no lombo dos pequenos.

Agora respondendo diretamente a sua pergunta: utilizaria a minha vida para esclarecer e não deixar impune a violência, como fazem Daniel Alves Pessoa (filho do promotor assassinado Manoel Alves Pessoa Neto), Dra. Gilda Mesquita (mãe da Advogada Bianca Mesquita), Luciano Capistrano (irmão de João Ricardo Capistrano), Jeane Nascimento (irmã de Jefferson Nascimento) e de Patrícia Cibele (viúva de Célio Marinho que acaba de perder uma batalha na luta contra a impunidade mas que com amigos , familiares e a participação decisiva do Ministério Público, haverá de fazer valer a JUSTIÇA) e tantos outros.

Todo crime precisa ser apurado e os responsáveis punidos na forma da lei. A dignidade humana precisa ser respeitada por todos.

Fico indignado com todo tipo de violência, mas procuro ver a floresta e não só as árvores. Defender os Direitos Humanos não é só denunciar a violência policial, é lutar por Direitos Econômicos e Sociais que são negados à grande parte da população e que são o combustível para todo tipo de violência. 

4 – O senhor não acha que a violência aumentou depois que o senhor Maurílio Pinto se encontra afastado do cargo?

Maria Aparecida de Moura – Dix-Sept Rosado 

Prezada Maria Aparecida, querer explicar o aumento da violência por conta da ausência do citado delegado é dar muito cabimento a uma mentalidade provinciana remanescente do estado autoritário.

Com o desmonte da nossa economia e o agravamento das questões sociais (o desemprego, por exemplo), a violência seguramente vai aumentar. Dom Pedro Casaldáliga diz que em determinadas situações o cristão não deve ter medo. Urge que homens e mulheres corajosamente resgatam os mais nobres valores do cristianismo e enfrentem este grave problema, pois a violência vai atingindo a cada dia mais pessoas, do cidadão comum ao pai do governador. Chamar a cavalaria e o xerife não é solução, precisamos de mais sensibilização e menos contenção. 

5 – Por que os Direitos Humanos protegem os ladrões? Fui roubada em R$ 5 mil há 22 dias dentro da casa da minha mãe, em Macaíba, e todos sabem quem é o ladrão, até a polícia, mas ele não é preso porque é menor. Se fosse maior, também não seria preso porque não houve o flagrante. Se a polícia o prendesse e o imprensasse, os Direitos Humanos reagiriam para protegê-lo. A polícia trabalha de mios atadas, com medo de perder o emprego e ser processado. Eu pergunto: cadê meus direitos?

Maria Edione Barbosa de Melo - Lagoa Seca

Caríssima Maria Edione, não defendemos ladrões nem assassinos, defendemos os direitos e garantias Individuais de todo cidadão, defendemos acima de tudo a vida. Você foi vítima de uma violência, exija que as autoridades competentes cumpram o seu papel institucional, se for o caso, denuncie as omissões. Agora, a polícia tem que atuar respeitando o estado democrático de direito e tem que se despir da prática da tortura como método de investigação.

A senhora não gostaria que um ente querido seu fosse “imprensado“ pela polícia, não é mesmo? Acredite, toda violência por menor que seja, atrai mais violência num círculo vicioso e a senhora já deve ter notado que toda violência é covardia.

6 – Por que o Centro de Direitos Humanos deixou de se manifestar a respeito dos crimes contra o advogado Gilson Nogueira e do travesti Carla? Como andam as Investigações, se é que elas ainda continuam? Os Direitos Humanos deixaram de acompanhar o caso?

José Carlos Rodrigues - Soledade II

Em todas as atividades do Centro de Direitos Humanos, Gilson e Antônio Lopes são lembrados. Cotidianamente cobramos a elucidação de seus bárbaros assassinatos. No que diz respeito ao caso Antônio Lopes, conhecido como o “Caso Carla”, infelizmente ainda não há dados muito concretos. Já com relação ao “Caso Gilson” existe um policial civil preso que deverá ir a julgamento ainda neste semestre.

A luta da memória contra o esquecimento trará a verdade em sua plenitude e a partir desse julgamento toda a trama que envolveu o assassinato do companheiro Gilson será de conhecimento de todos.

7 – O senhor sabe que, apesar de condenado, o policial Jorge Abafador ainda não foi levado para a penitenciária? De quem é a culpa? Por que os Direitos Humanos não cobram das autoridades a transferência dele?

Adailton Pinheiro - Conjunto Pirangi

Adailton, desde que a sentença desse mal policial transitou em julgado, que o Centro de Direitos Humanos e Memória Popular tem cobrado o cumprimento da lei de execuções penais. O próprio presidente do Tribunal de Justiça, Dr. Ítalo Pinheiro, assegurou que a transferência do preso para o Presídio de Alcaçuz esta em cursos.

É estranho que até o presente momento o juiz das execuções penais ainda não tenha expedido a guia de recolhimento do preso para Alcaçuz, da mesma forma, não temos enxergado animação por parte do Promotor que funciona junto àquela vara para fazer valer a letra da lei.

Muito em breve iniciaremos uma campanha nacional e internacional, inclusive pela Internet, solicitando que a sentença de 47 anos em regime fechado seja cumprida efetivamente. Não queremos que aconteça a Jorge o que aconteceu com o Tenente Gurgel que foi assassinado também por omissão e prevaricação do estado e estamos dispostos a defender os seus direitos enquanto apenado.

8 – A que os Direitos Humanos atribui o aumento da criminalidade no Estado? O senhor acha que os Investimentos anunciados pelo governador Garibaldi Filho são suficientes para melhorar a Segurança Pública? Por que mesmo com a prisão de Abafador e de outros policiais e do afastamento do delegado Maurilio Pinto as mortes continuam acontecendo?

Heriberto da Silva Andrade - NeópoIis

Caro Heriberto, infelizmente a geo-política está permeando a noção de Segurança Pública prevalecente no âmbito governamental. É preciso alargar os horizontes evoluindo-se rapidamente para construção de uma política de Segurança Pública para o Estado do Rio Grande do Norte.

A cada onda de crimes hediondos a mídia governamental responde com compra de armas e viaturas. E o investimento no ser humano, na qualificação do policial está havendo? Fazer armas e carros desfilarem pelas ruas com sirenes ligadas enquanto ocorriam assaltos a bancos, seria cômico se não fosse trágico. Natal não é mais uma fazenda iluminada. A título de exemplo, queremos alertar que todo o esforço de construção de presídios que amenizou a situação do nosso sistema penitenciário pode estar indo por água abaixo, uma vez que não houve o necessário investimento no campo dos recursos humanos, sendo que o próprio concurso para agente penitenciário aprovado em regime de urgência há mais de dois anos pela Assembléia Legislativa ainda não foi realizado. Pontes, viadutos, adutoras, são obras necessárias. A questão da segurança, entretanto, é o reclame mais agudo de todo o Estado. Ou o governo e sociedade decifram este enigma, ou seremos todos devorados pela violência.

9 – O senhor ainda acha que existe um grupo de extermínio agindo no Rio Grande do Norte?

Paulo Diniz Sobrinho – Petrópolis

Paulo Diniz, pela leitura de estatísticas, inclusive do nosso banco de dados, Natal é uma das poucas cidades do país que não está tendo a ação terrível de grupos de extermínio. Mas, o grupo existe. Está aparentemente desmobilizado, mas até quando?

A sociedade precisa encarar a sua dor ante a violência com serenidade e está atentar e vigilante. Qualquer desequilíbrio pode ser o alimento bastante para pôr em movimento as ardilosas forças das trevas. Não se esqueça que no coração da Europa o nazismo se assanha e se faz presente no governo austríaco. Você se lembra do ovo da serpente, não?

10 – Sr. Roberto Monte, para que servem os Direitos Humanos?

Marcílio Medeiros - Tirol

Prezado Marcílio, a luta dos Direitos Humanos é pela defesa intransigente da vida e pela dignidade do ser humano.

Há 52 atrás, diversas nações mundiais se reuniram através da Assembléia Geral das Nações Unidas e proclamaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos, aquela que seria o início de uma sólida construção pela efetivação dos Direitos Humanos no mundo. De lá para cá, muitas ações, documentos, convenções, tratados e pactos solidários ampliaram e aperfeiçoaram a implementação desses direitos.

Existe um conjunto de direitos, entre eles os direitos civis, políticos, e mais os sociais, econômicos e culturais que estão sendo incorporados cada vez mais à realidade tão conturbada do cidadão comum.

No Brasil, e particularmente no Rio Grande do Norte, a luta tem sido cada vez mais intensa e acompanhada de alguns avanços. A criação do Programa Nacional de Direitos Humanos, do Programa Estadual de Direitos Humanos do RN, o segundo do Brasil, são exemplos de como a Sociedade Civil, as organizações de Direitos Humanos, as Entidades sociais podem se organizar, cobrar, denunciar e também exercitar ações propositivas em busca do bem comum.

Caro Marcílio, lutar pelos Direitos Humanos é servir e construir uma nova sociedade baseada nos valores democráticos, na cidadania plena e nos ideais solidários de fraternidade e justiça.

11 – O senhor tem conhecimento de qualquer processo a que tenha sido eu submetido e condenado, a qualquer tempo, por violação de direitos humanos ou outro motivo criminalmente equilatável?

· O senhor tem conhecimento se existe qualquer prova de meu envolvimento com a morte do advogado Gilson Nogueira, já estando denunciado por estas acusações levianas o senhor James Louis Cavallaro, presidente da Human Watch no Brasil perante a Quarta Vara Criminal desta Comarca de Natal? Por que o senhor James Cavallaro foi embora para os EUA, a fim de não responder ao processo por crime contra a honra por mim proposto?

· Em quantos processos atuou o Centro de Direitos Humanos na defesa de policiais mortos em serviço, ao longo de sua gestão, ou qualquer outra? A que ou a quem o senhor atribui as inúmeras absolvições em processos considerados pelo Centro de Direitos Humanos como violadores da pessoa humana?

· Gostaria de saber se o senhor pode comprovar que tenha eu recebido qualquer propina, suborno ou mesmo presentes, em razão de minha função de delegado, objetivando beneficiar alguém. Fui acusado de mandar botar fogo em um carro de uma pessoa que teria uma dívida com um empresário amigo meu. Cite o nome do proprietário do carro e do empresário amigo meu, inclusive a data e o local onde teria ocorrido o fato.

Maurílio Pinto de Medeiros – Delegado de Polícia Civil

Senhor Maurilio, não nos parece oportuno responder a quem ainda na semana passada confessou ter ficado satisfeito com o brutal assassinato de Antonio Lopes, o Carla. Da nossa parte continuaremos atentos e vigilantes.

No entanto, temos feito algumas reflexões. Que medos fazem mover o ódio e as ações deste senhor que contumazmente nos ataca como uma cantilena de disco engalhado? Por que vilimpendia os cadáveres de Gilson e Carla que não mais podem se defender? Talvez só agora deu-se conta do peso morto que tornou-se depois de ter sido usado e descartado pelas elites.

O debate deve ser travado em alto nível, sem preconceitos, com espírito aberto para se construir um mundo novo.

Em dezembro de 1999 fizemos um Seminário sobre Educação para os Direitos Humanos e se o senhor pudesse ver os nossos mestres construindo a Cidadania em meio às adversidades da vida talvez enxergasse o mundo com outra cores que não as do ódio.

Em agosto do ano passado, dezenas de amigos e familiares de mortos e desaparecidos políticos comemoraram conosco os 20 anos da Lei da Anistia. Nessa oportunidade, talvez se o senhor pudesse ter assistido os depoimentos de Luciano Almeida, Juliano Siqueira, Moisés Domingos, Homero Costa, Maurício Anísio, comprovaria que o homem é capaz de sair das madorras e buscar construir coisas ricas e belas na face da terra.

Se acaso tivesse acompanhado a entrega do Prêmio Estadual de Direitos Humanos, seguramente se comoveria com o depoimento de Elizabeth Teixeira, viúva de João Pedro Teixeira, o cabra marcado para morrer, líder sindical assassinado, e com certeza se emocionaria com a lembrança de Waldson Pinheiro, de Marise Paiva, dos heróis que fizeram a campanha “de pé no chão também se aprende a ler”. E por falar nesta campanha. renovarias tuas forças ao avistar o professor Moacir de Góes chegar correndo de outro compromisso e encontrar os lutadores de hoje reverenciando o passado, prenhe de sonhos para um futuro que ainda será radiante. Por fim agradeço a participação dos leitores e faço votos para que este inquisidor encontre no interior mais recôndito do seu ser resquícios de uma formação cristã que faça aflorar gestos generosos, pois acredito na reconversão das almas e todos sabem que o senhor Mauríio É UM BOM PAI.

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