Marize Castro Voz e Poesia

 


quem não ama o deserto assombra.

a humanidade, afogada em litanias, cospe sangue, medo e fé.
vísceras sob círios.
conchas guardam a lua e suas fases.
desesperado náufrago se aproxima.
não é homem. nem mulher.
é fúria. Hino salitre. queda.

este caminho é o das palavras e  armadilhas.
silenciosa torre que enlaça.
silábica província que aprisiona e liberta.

não é veneno o que ofereço.
é gozo e ternura.

a metáfora do perdão se ergue.
ainda te vejo:
frágil espelho que o destino, pontiagudo, tocou.
secreta tempestade que o amor revela
às damas de abismo e ritos.
até que tudo passe:
fome. sono. desfiladeiros. mortes.


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