Marize Castro Voz e Poesia

 


a delicadeza da porcelana, entendo.
o carinho das árvores, conheço.
sai do seu alcance para morrer sozinha.
em síntese e luz.

crianças choram em mim.
sou mãe desde que me sei fêmea.
o que antes era sombra, agora é céu.
o que era servidão, néctar.
o que já foi deserto, multidão.

pequenos girassóis anunciam grandes solidões.
forasteiros se reúnem longe da pátria
e a dor do mundo neles reside.

na minha alma não há carnaval.
o meu coração é candeeiro: sol e triste.

o que foi ilusão agora é chuva.
e escorre inocente pelos orifícios da terra.

são as pálpebras da tristeza que piscam nos domingos?
são lágrimas o que molha esta noite de veludos e segredos?

o que herdamos senão abraçar a verdade?
a alegria voa e a vida tem pressa.

lanternas me iluminam e eu sonho com o homem que perdi
enquanto colecionava diademas
para musas adornadas de nostalgia.

será que abrir as pernas torna a morte mais dócil?
noturnas ruas nos levaram de nós.

diante do espelho há uma jovem face
pintando-se de ouro e alçafrão.

resta-me beijá-la.

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