|
Natal
- Rio Grande do Norte
Comissão Pontifícia
Justiça e Paz da Arquidiocese de Natal
CIRCULAR DO
PRESIDENTE
Natal, 16 de
novembro de 1981
Prezados Irmãos
em Cristo,
A Comissão
Pontifícia Justiça e Paz da Arquidiocese de Natal, criada como
resultado do Concilio Vaticano II, EXISTE.
O Santo Padre, o
Papa João Paulo II, em sua recente Encíclica «Laborem Exercens»
faz referência à Comissão dizendo: «É difícil enumerar
aqui, de forma pormenorizada, todas as manifestações de viva
aplicação da Igreja e dos cristãos no que se refere à questão
social, porque elas são muito numerosas. Como resultado do
Concilio, tornou-se o principal centro de coordenação neste
campo a PONTIFICIA COMISSÃO JUSTIÇA E PAZ. A mesma Comissão
encontra organismos, seus correspondentes no âmbito das
Conferencias
Episcopais singularmente consideradas. O nome desta Instituição
é muito significativo. Ele indica que a questão social deverá
ser tratada no seu aspecto integral e complexo, O empenho em favor
da justiça deve andar intimamente unido ã aplicação em favor
da paz no mundo contemporâneo» (LABOREM EXERCENS 2).
Como é do seu
conhecimento, os órgãos de comunicação social estão a
divulgar todo tipo de violência e desrespeito aos Direitos
Fundamentais
do Homem. E nós IGREJA o que estamos fazendo? De braços
cruzados? Assistindo passivamente nosso HOMEM, o HOMEM ser
violado, ultrajado, agredido, expulso de sua terra, negado seu
direito a uma remuneração condigna? João Paulo II afirma: «A
Igreja, porém, considera sua tarefa fazer com que sejam sempre
tidos presentes a dignidade e os direitos dos Homens do Trabalho,
denunciar a situação em que são violados e contribuir para
orientar as aludidas mutações para que se torne realidade um progresso
autêntico do homem e da sociedade» (LABOREM EXERCENS — 1).
Gostaríamos de
contar com sua colaboração, sacerdotes, religiosos (as), leigos
e todos os homens de boa vontade, para que juntos possamos
denunciar as situações em que são violados os Direitos Humanos,
principalmente o DIREITO DA TERRA. O Santo Padre denuncia: «Terras
cultiváveis são deixadas ao abandono pelos proprietários; títulos
legais para a posse de um pequeno pedaço de terra, cultivado
por conta própria de há anos, são preteridos ou ficam sem
defesa diante da «fome de terra» de indivíduos ou de grupos
mais potentes» (LABOREM EXERCENS — 21).
O que vemos são
posseiros, sem ninguém para defendê-los, serem expulsos de suas
terras. E nós, muitas vezes não temos a coragem de pelo menos
encaminhá-los ao Sindicato. Façamos um esforço e encaminhá-los,
pelo menos ã Comissão Pontifícia Justiça e Paz.
Qualquer
correspondência deverá ser encaminhada á CÚRIA METROPOLITANA
ou á rua Antônio Basilio, 228 — Morro Branco casa dos Padres
de Morro Branco, ou mesmo um telefonema para qualquer dos endereços,
cientificando do problema, que algum membro da Comissão saberá
encaminhar o caso.
Angico de Fora,
no município de Touros, Riacho Seco no município de Pureza,
todos casos de posseiros resolvidos com a intervenção da
Comissão;
Simpósio sobre Violência Rural e Urbana; Encontro com Partidos
Políticos com a participação da Emissora de Educação Rural, são
algumas ações em que a Comissão tem «assumido de modo
pern1anente as situações concretas do seu povo» dentro de uma
opção preferencial pelos pobres.
Desejamos a todos
irmãos de boa vontade um feliz ADVENTO e que em 1982 possamos
trabalhar em busca de mais justiça entre os homens a fim de levá-los
á plena comunhão e participação no mistério de Jesus
Cristo.
Francisco
Gomes da Silva Filho
Presidente
em Exercício da CPJP
Atividades da
CPJP
1978
— Em agosto, uma Fundação.
—
Conjunto Jardim Tirol: 50 famílias; veio representante do BNH:
despejo suspenso.
— Luta contra a
Violência Policial — expedição de nota à imprensa.
— Comemoração
do 3º Aniversário da Declaração Universal dos
Diretos Humanos, liderado pela Comissão em Natal.
Questão das
favelas: apoio da Comissão aos favelados ameaçados.
— Luta pela
Anistia.
1979
— Violência no trânsito: debate amplo sobre o caso com as
autoridades competentes.
— Posseiros da
Baixada do Saguim: luta pela permanência na terra (despejo
Judicial decretado, evitado, porém a sua execução, pelo
movimento da Comissão e da FETARN).
— Agricultores
do Ceará-Mirim (pequenos proprietários e trabalhadores rurais) :
luta contra a salinização das terras, dado ao descaso do DNOCS
em não consertar as comportas do Rio Ceará-Mirim.
— Luta contra a
Violência Policial: denúncias de torturas; elaboração de
documento.
— Questão do
Baixo-Açú: Participação em Assembléia dos habitantes,
encontros, atos públicos estudo sobre a questão bem como um
relatório.
— Organização
de Assembléia de trabalhadores no 1º de Maio, com inclusive a
impressão de trabalho gráfico em quadrinhos alusivo ã data.
— Questão das
favelas: luta em favor dos favelados.
— Na Greve dos
Professores do ensino estadual: apoio, Nota.
— Luta pela
Anistia.
1980
— Questão da BENFAM (denúncias).
— Luta
contra a Violência Policial: esquadrão da Morte (Mão Branca) :
Notas e audiências com Governador do Estado e Secretaria de
Segurança.
— Luta dos
trabalhadores rurais de São Bento do Norte, contra a invasão
de suas posses (12 famílias) por grileiros.
A questão do Ingá
(propriedade de cerca de 900 hectares, com 53 famílias) : os
posseiros com ajuda da FETARN, Sindicatos Rurais e da Comissão,
conseguiram permanecer na terra (que mais tarde foi desapropriada
pelo INCRA, em benefício dos posseiros) em Taipú-RN.
1981
— Solidariedade a posseiros através de Nota e contatos com as
partes e autoridades competentes nas localidades de Baixa da
Preguiça; Angico de Fora, no Município de Nizia Floresta
entre outros.
— Presença em
Atos Públicos na Capital e no Interior, contra o Terrorismo (Rio
Centro e OAB-Rio); Desemprego, Carestia, etc.
— Nota sobre o
Dia Mundial das Comunicações Sociais, publicada em jornais e
lidas nas Rádios do Estado, como também enviadas ás autoridades
constituídas.
— Telegrama de
solidariedade á ação Pastoral do Pe. Regínaldo Veloso, incurso
na LSN.
— Questão das
favelas (caso promorar e outros).
— Diversas
pessoas tiveram a orientação jurídica da Comissão.
— Encontro com
os Partidos Políticos: tendo sido transmitido pela Rádio Rural
(da Igreja) para todo o Estado, os temas foram: Questão Democrática
— Reforma Agrária — Direitos Humanos e Justiça Social —
Sindicatos e Direito de Greve — Estabilidade no Emprego — Saúde
— Habitação
— Educação — Conjuntura Nacional
— Simpósio
sobre a Violência (23-24-25/07:
Violência no
Campo — c/ José Francisco da Silva — Presidente da CONTAG;
Violência
Institucional e Estado de Direito —Prof. Eduardo Seabra
Fagundes;
Violência Urbana
— Prof. Dalmo de Abreu Dallari.
Obs.: tendo sido
transmitido para todo o Estado pela Rádio Rural.
— Participou
corno observadora junto ao 1º Encontro Estadual da Mulher
Potiguara.
— Denúncias
contra a BENFAM.
— Denúncias
contra a manipulação dos Meios de Comunicação Social.
— Encontro com
os possíveis candidatos ao Governo do Estado, tendo os mesmos
sido questionados em cima dos Documentos da Igreja.
— Mediadora da
greve dos Professores da Rede Estadual de ensino junto ao Governo
do Estado.
— Denúncias de
Parlamentares do Estado comprometidos com a filosofia de
trabalho da BENFAM.
Metas para 1982
— Educação
(Campanha da Fraternidade);
— Política
(Eleição);
— Terra
— Estudos:
·
Documentos da Igreja.
·
Encontros.
·
Sindicatos.
·
BENFAM.
·
Programa Radiofônico.
|