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De espectadores a protagonistas da Cultura de Paz 

Feizi M. Milani  *

Introdução

Globalizar a paz

Construir uma cultura de paz: desafios brasileiros

Violência: prevenir ou punir ?

Protagonismo juvenil

Adolescentes ou aborrecentes?

Conclusão

Referências bibliográficas

 

Introdução

A construção de uma Cultura de Paz só é viável na medida em que cada um de nós avance do estado de quietude (na acepção de silêncio e paralisia), para o de inquietude (no sentido de preocupação, movimentação e mobilização). O primeiro passo para tal mudança é acreditar que a paz é possível. Ela é um anseio tão universal e permanente por parte do ser humano, que só pode ser algo que está ao nosso alcance. Além de anseio, a paz é uma necessidade – dela depende a sobrevivência da vida na Terra. A passividade de espectador precisa dar lugar à atuação decidida e consciente do protagonista, daquele que assume seu papel na História e desempenha o papel principal em sua própria vida, ao invés de ser manipulado.

É preciso também compreender que evoluir da atual cultura de violência para uma cultura baseada na cooperação, diversidade, justiça e participação é o maior desafio da humanidade em toda sua História. Ações pontuais ou desarticuladas, belos discursos ou iniciativas “oba-oba” jamais levarão a tal resultado.

Promover a Cultura de Paz significa e pressupõe trabalhar de forma integrada em prol das mudanças ansiadas pela maioria da humanidade – justiça social, igualdade entre os sexos, eliminação do racismo, tolerância religiosa, respeito aos direitos humanos, equilíbrio ecológico, participação democrática e liberdade política. A cultura de paz é o elo que interliga e abrange todos esses ideais num único processo de transformação social e pessoal. Essas mudanças precisam ser incorporadas e vivenciadas por indivíduos, famílias, escolas, mídia, comunidades, instituições públicas e privadas, organismos sociais, religiões e governos.

O presente texto oferece algumas reflexões que talvez ajudem o leitor a montar o seu próprio “quebra-cabeças” dessa complexa temática. Inicialmente, introduz a noção de globalização da paz, enfatizando que todos os conhecimentos, recursos, infra-estrutura e mecanismos necessários para tal conquista já existem e estão disponíveis. Do nível planetário passa ao societal, discutindo os desafios que o Brasil, em específico, precisa enfrentar na construção de uma Cultura de Paz. Denuncia a excessiva ênfase dada à punição e repressão, em detrimento à prevenção da violência, apresentando argumentos a favor desta. Dentre as estratégias preventivas destaca a promoção do protagonismo juvenil, cuja efetivação depende de uma melhor compreensão, de parte de pais, educadores e autoridades, das características e necessidades da população adolescente. Por fim, propõe que a sociedade se mobilize em um processo coletivo de discussão, reflexão e ação a partir da constituição de fóruns da cidadania e promoção da paz, em cada escola, igreja, associação comunitária e empresa. À medida em que cada um de nós revê seus comportamentos e relacões interpessoais, em que as organizações redefinem seus objetivos e métodos, em que mecanismos institucionais e políticas públicas são criadas – tudo isso com o objetivo comum de construir uma Cultura de Paz – estaremos conquistando a paz.

 

Globalizar  a  paz

Já globalizaram a miséria, a fome, a guerra e a exploração do homem pelo homem. As nefastas conseqüências aí estão, para quem quiser enxergar. Agora chegou o tempo de globalizarmos a solidariedade, a justiça e a ética. Sim, o maior desafio do século XXI é a globalização da Paz! Há boas e más notícias em relação a este processo histórico que, mesmo desapercebido, já teve início.

Comecemos pelas boas. Todos os conhecimentos, recursos, infra-estrutura e mecanismos necessários à globalização da paz já existem e estão disponíveis. Por exemplo, seria impossível pensar em paz mundial se não houvesse uma integração planetária, de modo que todos os povos soubessem e reconhecessem a existência dos demais. Esta conquista data de aproximadamente 200 anos e está relacionada ao aprimoramento dos meios de transporte  e, posteriormente, das tecnologias de comunicação. A interligação alcançou patamares jamais sonhados com a internet, que é também um canal de universalização do conhecimento. Resta ainda o desafio da democratização desses meios e instrumentos, mas essa é uma questão muito mais moral de que econômica ou tecnológica.

Outro requisito para a globalização da paz é o conjunto de conhecimentos necessários para se erradicar a miséria, preservar o meio-ambiente, instruir e capacitar as massas de excluídos e promover a educação para a paz. Todas essas tecnologias fazem parte das conquistas do século XX. Têm sido utilizadas em inúmeros projetos experimentais desenvolvidos por governos, ONG’s, instituições internacionais e empresas, mundo afora, com sucesso.

Quanto aos recursos financeiros, também existem em quantidade suficiente para se implementar e disseminar as referidas tecnologias e conhecimentos em benefício da humanidade. Uma drástica redução no desperdício com o desenvolvimento de artefatos bélicos e a corrida armamentista propiciará o básico em termos de qualidade de vida a todos habitantes da Terra. Outro exemplo: a aprovação da Taxa de Tobin, um imposto sobre as movimentações do capital especulativo internacional, e sua aplicação para fins sociais, significará condições dignas de se viver para centenas de milhões de pessoas.  Como dizia Mahatma Ghandi, há riqueza suficiente no mundo para satisfazer as necessidades de todos, mas não para saciar a ganância de alguns.

Para globalizar a paz é necessário que os Estados criem mecanismos de diálogo, bem como de planejamento e atuação em conjunto. Desde 1945, a Organização das Nações Unidas tem feito um trabalho extraordinário. Não fosse a ONU e suas agências, o mundo seria bem diferente do que é hoje. Diferente para pior! A Assembléia Geral das Nações Unidas é, na prática, o parlamento mundial no qual conflitos são negociados e guerras foram evitadas. A Declaração dos Direitos do Homem vem elevando a humanidade a novos patamares de civilidade e cidadania. Avanços históricos em campos tão distintos como os direitos da mulher, o equilíbrio ecológico, a redução da mortalidade infantil, o combate ao racismo, a mobilização em prol da cultura de paz, o controle de epidemias e a assistência a refugiados têm uma relação direta com os esforços da ONU.

Constata-se que a evolução social, política e científica tornou realidade os instrumentos necessários a uma nova ordem mundial. Não a que anunciam os que detêm o poder, mas sim uma ordem baseada na justiça e no reconhecimento da unidade do gênero humano. Cabe então, o questionamento – o que falta para que essa nova realidade se concretize? Diversos pensadores e líderes afirmam que somente a evolução espiritual e moral permitirá a superação desse dilema.

Essa é, justamente, a má notícia. As conquistas da raça humana acima citadas são passos necessários, mas insuficientes para viabilizar a paz no mundo. Todas elas já fazem parte do cotidiano da sociedade, mas não resultaram no “produto” mais ansiado, a paz, porque esbarram numa paralisia da vontade. As pessoas, os grupos e os governos – todos sem exceção – dizem amar e desejar a paz. Ao mesmo tempo, se deixam levar pela falsa idéia de que a violência e a maldade são inerentes ao ser humano, contribuem para perpetuar preconceitos, buscam a riqueza e o poder a qualquer custo, desrespeitam os valores éticos fundamentais, se fazem indiferentes ao sofrimento alheio, compram armas e destroem a natureza. Enquanto essa contradição moral não for superada, continuaremos a viver na velha (des)ordem mundial.

Afinal, de onde é que a paz deverá surgir, a não ser do esforço sincero, organizado e sistemático de cada integrante da humanidade?  Se indivíduos e estruturas sociais não se transformarem, como é que o mundo pode se transformar num lugar de paz e bem-estar? Tais mudanças decorrem do despertar espiritual do homem. Só aí ele compreende que a realidade última de si mesmo não se restringe à matéria, descobre que a dimensão transcendente dá significado à existência e passa a buscar um propósito para a sua vida. 

Na verdade, a má notícia é também boa: basta mais um passo para efetivarmos a globalização da paz. Os demais requisitos já estão assegurados. O que falta é essa transformação espiritual e moral. Trata-se de passo grandioso, mas é um só. Ele pode e precisa ser conquistado no interior de cada coração, família, comunidade, grupo social, empresa, governo e nas inter-relações entre eles. Eis o desafio – a um só tempo, simples e gigantesco    do século que se iniciou a ferro e fogo, em 11 de setembro de 2001.

 

Construir uma cultura de paz: desafios brasileiros

A construção de uma Cultura de Paz implica em grandes desafios. No que se refere ao Brasil,  destaco quatro que são prioritários: o da cidadania, o da justiça social, o da educação e o dos valores morais. Cada um destes se traduz em transformações que podem ser alcançadas, se forem assumidas pela sociedade brasileira como sua visão compartilhada de futuro.

O primeiro desafio é o exercício pleno e universal da cidadania e dos direitos humanos. Isso só será possível quando exercermos uma cidadania proativa, que defino como uma postura de vida do indivíduo e instituições caracterizada pelo exercício consciente de seus direitos e deveres, pela participação ativa nos processos de busca de melhorias coletivas, e pela  responsabilidade para com tudo aquilo que afeta a sua vida e/ou as vidas de outras pessoas.

Decorre desse conceito a noção de que ser um cidadão de paz é muito mais do que não ser um indivíduo violento. Fazer o bem é algo infinitamente maior do que não fazer o mal. No que se refere à ação individual, o maior empecilho à paz no Brasil  não é uma minoria que age de forma violenta ou injusta, mas sim a maioria silenciosa e desarticulada - seja por alienação, acomodação ou medo.

É preciso desenvolver uma visão planetária de cidadania. Bahá’u’lláh já havia proclamado essa visão há mais de cem anos: “A Terra é um só país e os seres humanos, seus cidadãos”. Será impossível estabelecer a paz  enquanto as pessoas estiverem classificando e dividindo o mundo entre “nós” e “eles”. Nós – (quer seja) esta família, ou moradores desta rua, ou torcedores deste time, ou seguidores desta igreja, ou membros desta raça, ou cidadãos deste país etc. – contra eles, os que são diferentes. Essa separação é completamente falsa e ilusória. Não existe nós e eles. Há apenas a humanidade, una e indivisível. O que afetar a parte, afetará o todo. Ser diferente não comporta juízo de valor, portanto, não tem nenhuma relação com superioridade ou inferioridade. Essa compreensão nos faz aceitar o outro (por mais diferente que seja), respeitar as suas necessidades e direitos, e buscar os meios de estabelecer a verdadeira justiça. Exercer a cidadania mundial  é compreender, praticar e promover a unidade do gênero humano. Unidade gera reciprocidade, justiça e liberdade; consequentemente, gera a paz.

Quanto ao segundo desafio: justiça social, no Brasil, pressupõe e significa redução das desigualdades, em especial a econômica, a social, as que existem entre os sexos, entre as raças e, na aplicação da justiça. Essas cinco formas de opressão vem se perpetuando desde o início de nossa história e cultura. Apesar de alguns avanços, o caminho a percorrer ainda é longo e árduo. Em nenhum outro país do mundo as disparidades entre ricos e pobres são tão gritantes. O capitalismo praticado aqui é, via de regra, selvagem – explorador do homem e destruidor da natureza. A maioria dos brasileiros vive em condições precárias e tem uma renda que mal lhes garante a sobrevivência. Dessa maioria, os mais marginalizados são os afrodescendentes, já vez que o racismo perpassa e intensifica as demais formas de desigualdade, dando-lhes uma cor específica. Os marginalizados são também submetidos à exclusão moral, pois a eles é imputada a culpa pela violência, pelo atraso do país na economia mundial, por terem filhos demais e por deixarem seus filhos perambulando pelas ruas. As possibilidades de ascensão econômica são ínfimas pois não há mecanismos instituídos com esse propósito. Pelo contrário, verbas públicas são sistematicamente aplicadas em projetos da iniciativa privada, favorecendo os que já acumulam privilégios. A corrupção é outra forma brutal (mas invisível) de violência contra os menos favorecidos. Apesar da atuação do Ministério Público e da imprensa, a impunidade persiste como regra.

As desigualdades e a exclusão são tão violentas e persistentes em nosso país, que há o risco real de romper-se o tecido social. Para que não  se chegue à guerra civil, faz-se mister a combinação de múltiplas estratégias – políticas públicas visando uma efetiva redistribuição de renda, a reforma agrária e o apoio ao pequeno produtor, a erradicação da miséria, ações afirmativas para os afrodescendentes, a melhoria da qualidade de vida nas cidades e bairros mais carentes, etc.

A educação desempenha papel crítico na construção de uma cultura de paz. O caminho por  trilhar, nesse campo, é longo. É preciso garantir o acesso, a permanência e o sucesso de todas crianças e adolescentes à rede de ensino, e que a escola promova um aprendizado significativo,  através do qual se possam construir valores coerentes com a cultura de paz. Para isto,  o papel do professor precisa ser socialmente valorizado, sua auto-estima resgatada e a consciência das possibilidades educativas que dispõe,  fortalecida,  através de capacitação.

Ao mesmo tempo, as metodologias pedagógicas precisam ser revistas, de modo a se promover um grau muito maior de participação, diálogo e partilha de responsabilidades e experiências. Se a escola deseja contribuir efetivamente para a construção de uma sociedade mais justa e pacífica, precisará rever o seu papel e libertar-se da crença que sua missão é transmitir a maior quantidade possível de informações e conhecimentos. Enquanto essa obssessão conteudista não for superada, dificilmente a escola conseguirá “formar cidadãos” e “educar para a vida”. Se isso ocorrer, a escola estará deixando de cumprir sua missão e papel social, e se omitindo da responsabilidade de contribuir para a construção de uma Cultura de Paz (Milani, 2003).

Num país onde as violências atingiram níveis degradantes como o nosso, a Educação para a Paz não pode ser tratada apenas como uma questão interna do sistema de ensino, limitada à sala de aula ou destinada exclusivamente a crianças e jovens. Precisa ser assumida como objetivo prioritário, fruto de um consenso coletivo e, consequentemente, responsabilidade pessoal e institucional de todos que compõem essa sociedade.

Há também que se desmistificar duas falácias insistentemente repetidas hoje: que as injustiças sócio-econômicas podem ser solucionadas por um ensino de qualidade; e que a melhor educação consiste em treinar o indivíduo para atender às demandas do mercado de trabalho. Injustiça estrutural se resolve com políticas públicas que promovam a eqüidade. O conhecimento técnico e as habilidades intelectuais, quando desenvolvidos sem a equivalente formação ética, geram monstros. A História está aí para comprovar. A educação precisa ser integral, visando o pleno desenvolvimento das potencialidades físicas, mentais, emocionais e espirituais do ser humano. 

A incorporação e a aplicação de valores morais em todos os níveis de decisão e atuação é outra transformação que urge em nosso país. A ética não pode continuar a ser uma camada superficial de tinta, adicionada ao edifício social apenas para encobrir as falhas estruturais do projeto, ou torná-lo menos repugnante. Ela deve se tornar a primeira consideração, o fundamento e o eixo transversal de todos empreendimentos, principalmente nos campos da política, da ação governamental, do empresariado e da mídia. Esses setores têm uma responsabilidade especial, pois exercem forte influência na vida dos cidadãos, além do impacto moral e psicológico, cada vez que dão um mau exemplo ao restante da sociedade.

Para que isso seja possível, é preciso ressacralizar o mundo, salvando-o da unidimensionalidade materialista. Precisamos nos volver às tradições espirituais da humanidade, buscando nelas os princípios éticos universais e atemporais (Beust, 2000). Essa leitura transreligiosa é possível, porque todas religiões têm, na sua essência, os mesmos valores morais. Além de oferecerem inestimáveis conhecimentos nesse campo, as religiões geram no ser humano  a motivação e a coragem para transformá-los em  ação.

 

Violência: prevenir ou punir ?

Sim, a violência pode ser prevenida, devido ao fato de não ser inerente à natureza humana. Cientistas do mundo inteiro são praticamente unânimes em afirmar que o comportamento violento não se constitui em algum tipo de impulso incontrolável, nem tem raízes biológicas ou genéticas. Se a agressão, a intolerância e o egoísmo são construídos no processo de aprendizado e convívio, podem também ser desconstruídos ou, melhor ainda, podem ser prevenidos. Em outras palavras, através da Educação – englobando tanto as dimensões física e intelectual quanto a emocional e a espiritual – será possível reduzir a violência a patamares muito mais baixos de que os atuais. Se tal processo educativo englobar todos os setores da sociedade numa verdadeira revolução cultural, gradualmente e a longo prazo, a violência se constituirá numa exceção do comportamento social.

Infelizmente, o panorama das discussões sobre a violência em nosso país parece estar dominado pela concepção punitiva: leis mais duras, tribunais mais ágeis, construção de novos presídios e aumento do policiamento. Essas medidas têm a sua validade, mas sofrem de um grave problema – elas destinam-se a remediar o mal, depois de ocorrido. Elas não evitam a ocorrência do problema, são meros paliativos.

Pouca atenção tem sido dada à prevenção da violência, tanto de parte dos governantes e empresários, quanto da mídia e da opinião pública. Mesmo o sistema educacional parece acreditar mais na repressão de que na prevenção. Parte-se do pressuposto que a única alternativa de enfrentamento à violência é combatê-la – termo oriundo do jargão militar que denota o emprego da força. Medidas de força são também necessárias, mas são insuficientes. Absolutamente insuficientes, para ser mais exato. Jamais conseguirão promover as mudanças culturais, morais, sociais e econômicas que permitirão a construção de uma sociedade fundamentada nos valores da paz, tais como justiça, respeito, solidariedade e diversidade (Milani, 2000).

Paz é muito mais que a ausência de violência ou conflitos. Uma cultura de paz só pode ser construída com a participação ativa de todos – indivíduos, famílias, comunidades, ONG’s, empresas, governos, religiões e mídia – numa ampla mobilização em prol da Educação para a Paz. Educação esta que não pode limitar-se à sala de aula, nem destinar-se exclusivamente a crianças e jovens. Precisa ser assumida como objetivo social prioritário, fruto de um consenso coletivo e, consequentemente, responsabilidade pessoal e institucional de todos que compõe essa mesma sociedade. Um processo educativo dessa natureza – desejado, consensado e assumido pela própria sociedade como uma visão de futuro partilhada –  só pode ser um processo transformador e resultar em mudanças inimagináveis para qualquer um de nós.

No entanto, essa linha de raciocínio não é suficiente para os pragmáticos. Eles necessitam de números e dados estatísticos para analisar a questão de forma mais realista. Para tal, podemos comparar os custos da prevenção com os da punição. Segundo informações recentemente divulgadas pela mídia, a manutenção de um presidiário custa, aos cofres públicos, mil reais por mês. Por outro lado, o INPAZ (Instituto Nacional de Educação para a Paz e os Direitos Humanos) está mobilizado para viabilizar um projeto-piloto de prevenção da violência, em uma escola pública da periferia de Salvador. A etapa inicial do projeto já foi implementada e, ao longo de três anos se buscará o envolvimento integrado de alunos (adolescentes), seus pais, seus professores e lideranças de sua comunidade na prevenção da violência cometida por, contra ou entre adolescentes, através da promoção de uma cultura de paz e de valores éticos universais.

Cada aluno trabalhado pelo projeto do INPAZ custará mil reais, pelo período de três anos. O que significa que o custo aluno/dia é de R$ 1,00 – o mesmo que um refrigerante, a metade de um maço de cigarros, menos que uma passagem de ônibus urbano ou dois cafezinhos. Os mesmos 1.000 reais que permitem um adolescente estar engajado – por três anos! – num processo de Educação para a Paz, evitando-se, dessa forma, o seu envolvimento com a violência e o crime, poderá vir a ser gasto em trinta dias, com o seu posterior encarceramento, por não haver tido uma oportunidade como essa e só haver encontrado rejeição e exclusão.

Na realidade, o custo da prevenção é menor ainda, se levarmos em consideração que as ações do referido projeto beneficiarão, além dos adolescentes, seus pais e mães, os integrantes da equipe escolar, líderes comunitários e servidores públicos do bairro. Desse modo, o custo diário de cada beneficiário cai para R$ 0,60. Resumindo matematicamente, prevenir custa 55 vezes mais barato de que punir!  Isso, sem contabilizar os prejuízos materiais provocados pela violência, os gastos do setor saúde, nem os anos de vida produtiva perdidos.

É importante salientar que projetos como o do INPAZ não almejam simplesmente evitar que os adolescentes se agridam ou sejam violentos. O propósito é bem maior e mais rico: permitir que adolescentes se engajem ativamente na construção de relações mais sadias, de um modo de viver mais pleno e pacífico, e do exercício de sua cidadania. O jovem é visto, aceito e respeitado em seu papel protagônico – tanto em sua vida pessoal quanto em sua participação social.

É claro que ninguém pode fazer escolhas de vida pelo outro. Um jovem, do mesmo modo que um adulto, pode ter tido várias oportunidades de aprendizado, amadurecimento e transformação e, mesmo assim, optar pela criminalidade. Provavelmente haverá sempre uma parcela dos que escolhem o caminho anti-social ou da violência. E o fato de existir essa parcela não é, de modo algum, argumento para invalidar os esforços de educação e prevenção. Primeiro, porque esse percentual é ínfimo. Não se pode punir a grande maioria pelos erros de uma pequena minoria. Segundo, porque a sociedade brasileira ainda perpetua tamanhas injustiças, discriminações e exclusão que, qualquer argumento contrário à necessidade de políticas públicas e processos educativos que ofereçam oportunidades efetivas às parcelas marginalizadas, nada mais é que uma tentativa de desfocar a discussão, deixando de lado o essencial para falar do secundário.

Finalizando, a ênfase no prevenir não significa abrir mão do punir. Não estou defendendo a impunidade ou negando a necessidade de se investir em segurança pública. O que tentei fazer é ressaltar a premência de se discutir o enfrentamento à violência com maior profundidade e cuidado, constatando-se que pouquíssimo tem sido feito em prol da prevenção. A prevenção é o caminho mais barato, mais efetivo, mais humano, mais justo e mais proveitoso para toda a sociedade. Se insistirmos em não enxergar esse fato, seremos vítimas de nossa própria teimosia, covardia e acomodação.

 

Protagonismo  juvenil

“Os jovens gostam de ser desafiados. 

O problema da juventude de hoje é que não há nada para desafiá-los.

Em nossa sociedade, os indivíduos economicamente produtivos detém a primazia do reconhecimento de seus direitos, incluindo o direito de opinar, participar e influenciar as decisões que possam afetar o seu bem-estar. O mesmo não ocorre com crianças, adolescentes e jovens. Ainda vivemos com os resquícios do longo período no qual estes foram encarados como “menores” – termo que explicita o fato de que o seu valor, direitos e capacidades eram considerados menores de que os dos adultos. Essa cultura excluiu a juventude da participação social, favoreceu a sua alienação e imaturidade, e delegou a outrem o direito e a tarefa de decidir o que seria melhor para ela. 

Adolescentes e jovens têm o desejo de ser escutados e a necessidade de ser reconhecidos em suas capacidades. A maioria tem ideais de transformar a sociedade em algo mais humano e justo, mas não tem idéia de como concretizá-los. O conceito de protagonismo juvenil busca uma forma de ajudar o adolescente a construir sua autonomia, através da geração de espaços e situações propiciadoras da sua participação criativa, construtiva e solidária na solução de problemas reais na escola, na comunidade e na vida social mais ampla (Costa, 2000:22).

O paradigma do protagonismo juvenil se contrapõe aos do paternalismo, determinismo, ceticismo, alienação, isolamento e revolta. Reconhece no adolescente e no jovem  potencialidades e valores cujo aproveitamento resultará em seu  desenvolvimento integral e em melhorias para a coletividade. Rejeita o uso dos jovens como massa de manobra, a sua manipulação ideológica e a sua coisificação em alvo preferencial do consumismo. Entende que o papel de adultos e instituições é propiciar oportunidades, encorajamento e apoio para que os adolescentes se mobilizem, definam suas próprias prioridades coletivas e atuem em prol da comunidade ou da causa que elegeram. “Porque os jovens podem ver com clareza o que nós    não vemos, e nós, adultos, podemos ver com clareza o que eles  ainda  não vêem” (Sousa, 1999:10).

Os benefícios da promoção do protagonismo juvenil podem ser sintetizados em dois níveis:

      “A participação não é somente um enfoque para se obter uma adolescência socialmente mais responsável e mais cooperativa. É mais: é o caminho para o desenvolvimento de uma pessoa socialmente sã.   (Roger Hart, apud Costa, 2000:29) [1]

 

      “Não se trata apenas de envolver os jovens em boas causas para desviá-los do mau caminho, mas de acreditar de fato no grande contingente de jovens que constitui parte significativa da população e força poderosa de transformação social. O jovem não é apenas o beneficiado, mas também o promotor da transformação social.” (Sousa, 1999:6)

Em relação ao primeiro, cumpre enfatizar que o fortalecimento do senso de identidade pessoal e a capacitação para o exercício da cidadania são processos complementares e interdependentes que podem contribuir decisivamente para uma adolescência saudável. Erikson (  ) comparou a adolescência a uma moratória psicossocial devido à confusão de identidade que se desencadeia nessa fase. Essa crise gera no adolescente a necessidade de formar grupos, “estereotipando-se a si próprios, aos seus ideais e aos seus inimigos”, podendo tornar-se “intolerantes e cruéis na sua exclusão de outros que são ‘diferentes’” como uma forma de defesa contra esse sentimento de perda de identidade (p.133).

É paradoxal, mas esse sentimento de vulnerabilidade pode ser uma das principais causas de  comportamentos violentos na adolescência. Diversos outros fatores, tais como a tendência à transgressão dos limites, os sentimentos de inatingibilidade e onipotência, a necessidade de aceitação pelo grupo de pares, a instabilidade emocional, o acúmulo de pressões e cobranças e, o desconhecimento de sua própria recém-adquirida força muscular, freqüentemente levam o adolescente a colocar-se em situações de risco no que se refere à violência.

Favorecer o protagonismo juvenil é uma estratégia eficaz de promoção do bem-estar pessoal e desenvolvimento social dos adolescentes, uma vez que contribui para a sua auto-estima, assertividade e formulação de um projeto de vida. Tanto os jovens quanto a sociedade são beneficiados por esse processo.

Na realidade, considerável parcela da juventude brasileira já está integrada a alguma forma de participação coletiva, a exemplo de grupos artísticos, culturais, desportivos ou religiosos, ONG’s, movimentos sociais, estudantis, ecológicos ou comunitários, escotismo, ações voluntárias etc. Infelizmente, nem todos esses grupos promovem, efetivamente, o protagonismo juvenil. Muitos ainda se baseiam na concepção de que algo deve ser feito para o adolescente e não, com o adolescente ou, melhor ainda, algo feito pela iniciativa dos próprios adolescentes.

Em geral, o jovem se mobiliza a partir das agregações estabelecidas por instituições preexistentes. Portanto, na ausência de instituições novas e adequadas, capazes de mobilizar a ação solidária dos jovens, é bastante possível que eles continuem a ser objeto de políticas, sem capacidade de influir sobre as mesmas. Ou seja, dificilmente serão agentes de construção do seu próprio destino (Rua, 1998:748).

Em diversas partes do Brasil, adolescentes e jovens têm exercido o seu protagonismo em campos diversos como intervenções em prol do meio-ambiente, da saúde, dos direitos humanos; ações educativas sobre sexualidade, prevenção de DST/AIDS; apoio a crianças, idosos e pacientes em hospitais, creches, orfanatos ou asilos; ações em prol da melhoria do ensino e do sucesso na aprendizagem escolar; atuação como agentes comunitários; mobilizações em prol da ética na política.

Por outro lado, quando não encontram meios construtivos e saudáveis de “deixar a sua marca no mundo”, expressando-se e sendo valorizados, muitos jovens terminam por se engajar em comportamentos anti-sociais. Manifestações como gangues, arrastão, grupos neonazistas, brigas nos bailes funk ou entre torcidas esportivas, brincadeiras selvagens, galeras de pichação e vandalismo ou ataques por praticantes de artes marciais podem ser interpretadas por esse prisma. Embora esses fenômenos envolvam uma parcela minoritária dos adolescentes, terminam por reforçar o seu estereótipo de “problemáticos”. Sendo a adolescência um problema, cabe aos adultos – governantes, educadores, profissionais de saúde, operadores da justiça – solucioná-lo. Entretanto, é preciso reconhecer que um dos fatores para que os adolescentes tenham sido engolfados na trama da violência, quer seja como agressores ou como vítimas, é a dificuldade dos pais, profissionais e autoridades compreenderem as características e necessidades dessa fase.

Analisar o quadro das violências que envolvem atualmente a adolescência brasileira é defrontar-se com situações dramáticas e números aterrorizadores (Milani, 1999). No entanto, é preciso reconhecer também os avanços. Dentre estes, destaco: a gradual implantação do Estatuto da Criança e do Adolescente e as mudanças culturais por ele induzidas, no senso comunal, em relação aos direitos dos seres humanos em sua fase de formação e ao repúdio à violência cometida por pais contra filhos; a ascenção da temática violência como preocupação prioritária na agenda nacional; a crescente ênfase na educação formal e na melhoria da qualidade do ensino público,  de parte de governantes, empresários e, mais importante ainda, da população em geral; o reconhecimento da importância e da capacidade transformadora de programas educativos não-formais, complementares à escola, dirigidos a crianças e adolescentes;  a disseminação de conceitos e práticas como o protagonismo juvenil, o voluntariado e a cidadania empresarial gerando uma compreensão de que o bem-estar coletivo é responsabilidade de cada sujeito e instituição que compõe a sociedade;  os progressos na conquista da igualdade nas relações de gênero e mudanças perceptíveis de comportamento dos homens indicando um afastamento dos padrões machistas; as possibilidades de acesso ao conhecimento oferecidas pelas tecnologias da informação e comunicação.

 

Adolescentes ou aborrecentes?

A perspectiva estereotipada da adolescência, acima referida, revela-se também no senso comum. A maioria das pessoas associa essa fase a drogas, rebeldia, sexo precoce, gravidez indesejada, desinteresse pelos estudos, criminalidade e outros problemas. Criou-se até o termo “aborrecente”  para denominar aquele ser que parece estar insatisfeito com tudo e todos e ter especial prazer em contestar e desobedecer.

Mas será que a adolescência é isso mesmo?  Ou então, será  apenas isso?

Os jovens da atual geração são tão diferentes dos de outrora. São agressivos, desobedientes, surdos aos conselhos dos mais velhos. Que será deles no futuro?” – esse diagnóstico, que representa a opinião e a fala de muitos pais e professores de aborrecentes, foi dado por Hesíodo... poeta grego que viveu no século VIII a.C.

Sim, desde aquela época os adolescentes desempenhavam esse papel de contestação, de busca do novo, de querer descobrir as coisas por si mesmos, de aparentar indiferença pelo que os adultos pregam. E nós...?  Será que nossos pais também não diziam o mesmo de nós, nessa fase?

Por que nós, adultos, esquecemos tão facilmente de nossa própria adolescência? Talvez até recordemos dos acontecimentos mas, o que dizer ... dos sentimentos? Sim, como é que você se sentia ao olhar para o seu corpo em rápida mutação? Como você percebia o relacionamento familiar? Que emoções eclodiam em seu peito a cada nova descoberta? Que momentos ficaram marcados em sua memória?  Quais eram seus sonhos, fantasias e paixões?

Talvez, se conseguíssemos resgatar as emoções que vivenciamos durante a nossa própria transição da infância para a fase adulta, pudéssemos estabelecer uma ponte de comunicação com  o/a  adolescente que está passando por essas experiências agora e, sem haver tido experiência prévia.

Nossa sociedade (da mesma forma que o adolescente), tem passado por transformações rápidas e profundas em todos os seus níveis. A família e a escola - componentes essenciais para o bem-estar e amadurecimento do jovem - são instituições que têm sido bastante afetadas por essas mudanças, a ponto de estarem em crise. (Crise, no conceito chinês, é a conjunção de riscos e oportunidades - e é nesse sentido que uso o termo). Temos, portanto, o adolescente (um ser em crise) necessitando do apoio e guia da família e da escola (duas instituições em crise), no âmbito de uma sociedade em crise.

Estou sendo pessimista? De modo algum. O que tento dizer é que, se ao invés de dispersarmos tanto tempo e energia  pensando, falando e temendo os “riscos e perigos” da atual conjuntura, pudermos nos concentrar nas “oportunidades” de aprendizado e transformação que ela nos oferece... então, todos nós podemos crescer, junto com a adolescência de nossos filhos ou educandos. Esse desejo de melhorar e essa atitude de estar aberto para aprender com tudo e todos são um excelente patrimônio que podemos edificar, através de nosso exemplo de vida, e deixar como uma grande contribuição para a felicidade deles.

 

Conclusão

A violência ocupa, há algum tempo, lugar de destaque nas manchetes da mídia, nas angústias da população brasileira e no discurso dos governantes. A denúncia já foi feita e o diagnóstico, confirmado. É necessário que se avance nesse processo, dando-se semelhante atenção e prioridade à questão do “como lidar” com esse fenômeno complexo, polifacetado e multideterminado. Enquanto esse passo não for dado, o clima de impotência e imobilismo – e a conseqüente insegurança – se  agravará cada vez mais. Num quadro como o que estamos vivendo hoje, silêncio e omissão tornaram-se sinônimos de cumplicidade e irresponsabilidade.

Proponho que se discuta o que podemos fazer para prevenir a violência e promover uma cultura de paz, em cada sala de aula, encontro familiar, sindicato, igreja, associação de bairro ou de classe, mesa de bar, câmara legislativa e reunião ministerial. Que cada um desses espaços se constitua num fórum permanente de reflexão e busca de alternativas para a construção da paz. Que se utilize do espaço democrático que a internet oferece para socializar os questionamentos, iniciativas, propostas e aprendizados de todos os fóruns espalhados pelo país.

É fundamental que tal processo consultivo ocorra de forma permanente e continuada ao longo dos próximos anos, e que as discussões se dêem destituídas de maniqueísmos, fanatismos ideológicos ou emocionalismo irracional. O próprio fato das pessoas e instituições disporem a dedicar seu tempo, energia e criatividade para um processo de reflexão – ação – reflexão direcionado à desconstrução da violência, é em si mesmo, auspicioso.  Significa que estaremos saindo do estado reativo, ou pior ainda, da condição de paralisia, para uma postura proativa de participação cívica e engajamento social. Significa que estaremos assumindo – individual e coletivamente – a responsabilidade pelo que somos e pelo que nos tornamos. Isso pode resultar num extraordinário movimento de cidadania e transformação social.

Reflexões como as delineadas nas páginas precedentes possivelmente surgirão em cada grupo que se constituir como um fórum de cidadania e construção da paz. A continuidade das discussões, em ambiente democrático e permeado pela busca da verdade, conduzirá ao seu aprofundamento. Quando se alcança um nível maior de profundidade e compromisso ético, abandona-se os chavões pré-fabricados, os clichês repetitivos, os raciocínios unicausais, as propostas simplistas e as pseudo-soluções fáceis. As pessoas começam a enxergar com seus próprios olhos e a pensar com suas próprias mentes – isso já é um excelente começo para uma grande transformação! Afinal, construir a Paz requer de cada um atitudes conscientes, práticas, cotidianas e continuadas.

 

Referências bibliográficas 

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COSTA, Antonio Carlos G. Protagonismo juvenil: adolescência, educação e participação democrática. Fundação Odebrecht. Salvador. 2000. 332 p. 

MILANI, Feizi M. Adolescência e violência: mais uma forma de exclusão. In: Educar  em  Revista, nº 15 (Dossiê Crianças e Adolescentes Excluídos: Ações e Reflexões). p.101-114. Editora da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Curitiba. 1999. 

________. Cidadania: construir a paz ou aceitar a violência? In: Cidadania mundial: a base da paz. FREITAS, M. (org.). Planeta Paz. Mogi Mirim, São Paulo. 2000. 

________. Cultura de paz x violências: papel e desafios da escola. In: Cultura de paz: estratégias, mapas e bússolas. Milani, F.M. e Jesus, R.C.D.P. (org.). INPAZ/Programa Paz nas Escolas/FNUAP. Salvador. 2003. 

RUA, Maria das Graças. As políticas públicas e a juventude dos anos 90. In: Jovens acontecendo na trilha das políticas públicas. Vol. II. CNPD. Brasília. 1998. pp. 731-749.  

SOUSA, Vilma de. Programa de formação de adolescentes voluntários. Módulo 1: O adolescente como protagonista. Fundação Odebrecht e Programa Voluntários. Salvador. 1999. (mimeo)



* Médico de adolescentes. Doutorando em Saúde Coletiva na UFBA. Presidente do Instituto Nacional de Educação para a Paz e os Direitos Humanos (INPAZ). Fellow da Ashoka Empreendedores Sociais. Web site: www.inpaz.org.br 

[1]   Nesse sentido, o protagonismo juvenil revela-se uma estratégia de prevenção à violência, ao abuso de    drogas e às DST/AIDS.

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