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 FRANS MOONEN

ROM, SINTI E CALON

OS ASSIM CHAMADOS CIGANOS

 

 

Introdução: Os assim chamados Ciganos 

1. A Primeira Onda Migratória

2. Políticas anti-ciganas

3. A Segunda Onda Migratória

4. O holocausto cigano

5. Os ciganos na Europa comunista

6. Os ciganos na Europa pós-comunista

7. Imagens anti-ciganas

8. Três imagens errôneas sobre os ciganos

Bibliografia Selecionada 

 

Núcleo de Estudos Ciganos

E-Texto no. 1

Recife, 2000

 

 

Introdução:

OS ASSIM CHAMADOS CIGANOS.

  

“Ciganos”. 

A História escrita dos hoje assim chamados “ciganos” não vai além de apenas um milênio. Um dos documentos mais antigos é o de um monge grego segundo o qual, no ano de 1050, o imperador de Constantinopla (hoje Istambul, na Turquia), para matar uns animais ferozes, solicitou a ajuda de adivinhos e feiticeiros chamados Adsincani. No início do século seguinte, outro monge se refere a domadores de animais, em especial de ursos e cobras, e a indivíduos lendo a sorte e prevendo o futuro, que eram chamados Athinganoi. No Século XIII, o patriarca de Constantinopla adverte o clero contra adivinhos, domadores de ursos e encantadores de cobras e solicita não permitir a entrada destes Adingánous nas casas, ”porque eles ensinam coisas diabólicas”.[1] É possível que estes tenham sido antepassados (embora não necessariamente os únicos) dos indivíduos hoje genericamente chamados “ciganos”, e neste caso já estariam na Turquia pelo menos desde meados do Século XI.

Da Turquia para outros países balcânicos foi apenas um pequeno passo. Sabemos que vários grupos migraram para a Grécia. Em 1322 um frade franciscano, de passagem pela ilha de Creta, escreve sobre indivíduos que viviam em tendas ou em cavernas, chamados Atsinganoi, nome então dado aos membros de uma seita de músicos e adivinhadores, e que nunca paravam mais do que um mês num mesmo lugar. Depois disto, muitos outros viajantes europeus, mercadores ou peregrinos a caminho da Terra Santa, observaram a presença destes indivíduos nos arredores do porto marítimo grego de Modon (hoje Methoni), então colônia de Veneza, onde trabalhavam como ferreiros e sapateiros.[2]

A partir do início do Século XV, estes “ciganos” migraram também para a Europa Ocidental, onde quase sempre afirmavam que sua terra de origem era o “Pequeno Egito”. Hoje sabemos, com certeza, que esta era então a denominação de uma região da Grécia, mas que pelos europeus da época foi confundida com o Egito, na África. Por causa desta suposta origem egípcia passaram a ser chamados “egípcios” ou “egitanos”, ou gypsy (inglês), egyptier (holandês), gi­tan (francês), gita­no (espanhol), etc. Mas sabemos que alguns grupos se apresentaram também como gregos e atsinganos, pelo que também ficaram conhecidos como grecianos (espanhol), tsi­ganes (francês), ci­ganos (português), zingaros (italiano), etc.

Na literatura a seu respeito ainda existem outras denominações que em nada lembram a suposta origem egípcia ou comprovada origem grega. Na Holanda, p.ex., a denominação inicial de “egyptier” desaparece a partir do Século XVI e utiliza-se apenas a denominação “heiden” (pagão), denominação então comum também na Alemanha. Na França ficaram conhecidos também como romanichel, manouches ou boémiens. Em vários países foram confundidos com os tártaros, mongóis da [i]Sibéria e Ásia Central. Todos estes termos são denominações genéricas que os europeus naquele tempo de­ram a estes misteriosos e exôticos imigrantes. Não consta como os ciganos então se auto-identificavam.

Conforme se vê, a origem dos ciganos sempre foi um verdadeiro mistério, e por isso existem, ainda hoje, as mais diversas lendas e fantasias. Somente no Século XVIII o assunto começou a ser discutido com mais seriedade, quando os linguistas concluiram que os ciganos deveriam ser originários da Índia. As provas linguísticas surgiram por acaso em 1753 quando, numa universidade holandesa, um estudante húngaro descobriu semelhanças entre a língua cigana do seu país e a língua falada por três colegas estudantes indianos. Constatou-se assim um evidente parentesco entre as línguas ciganas e o sânskrito. A teoria da origem indiana das línguas ciganas seria divulgada somente anos depois na Alemanha, por Christian Buettner em 1771, por Johann Ruediger em 1782, e por Heinrich Grellmann em 1783, este o mais conhecido dos três.

Grellmann criticou primeiro as teorias linguísticas até então existentes sobre a origem das línguas ciganas, principalmente aquelas que falavam da origem egípcia. Depois fez uma análise sistemática de quase quatrocentas palavras e constatou que de cada trinta palavras ciganas, doze a treze eram de origem hindi, uma língua derivada do sânskrito. Apesar de reconhecer que ainda existiam falhas em seu trabalho, acreditou que a origem indiana tinha sido suficientemente comprovada. Na segunda edição de seu livro, Grellmann cita também outros cientistas que na mesma época tinham chegado a conclusões idênticas.

Desde então, a origem indiana nunca mais foi colocada em dúvida e linguistas posteriores apenas têm acrescentado mais dados comprobatórios, restando hoje apenas dúvidas sobre em que época ou épocas, e em que parte ou partes da Índia estas línguas eram faladas, admitindo-se em geral que tenha sido a região noroeste da Índia (atual Paquistão), por volta do ano 1000 da era cristã.[3] 

Fraser, no entanto, lembra que  a “linguística histórica não pode determinar a origem racial e étnica dos indivíduos que falavam Romani........ Não se pode ter certeza que grupos ou povos são racialmente aparentados apenas porque falam línguas aparentadas”.[4] Ou seja, estas semelhanças linguísticas podem significar também, e tão somente, que os assim chamados ciganos, durante muito tempo e por motivos ainda ignorados, viveram na Índia, sem serem e nunca terem sido indianos, ou que tiveram contato com indianos ou não-indianos que falavam o hindi, mas fora da Índia.

Por isso, as supostas ‘provas linguísticas’ acima citadas, precisam ainda de provas complementares, sejam elas culturais, raciais, ou de outra natureza. Não faltam autores que apresentam supostas provas culturais, citando semelhanças entre costumes ciganos e indianos, da mesma forma como outros autores, adeptos da origem egípcia, descobriram semelhanças com a antiga cultura egípcia da época dos faraós. Quem procura, sempre encontrará algumas semelhanças nas culturas de dois povos diferentes e geográficamente distantes. Elementos culturais, no entanto, podem ser transmitidos também por via indireta, sem contato direto com os povos que os inventaram, e também podem ter origens independentes.

Quanto a isto, Fraser cita o caso da Grécia onde, na década de 80, a TV apresentou um documentário em que era mostrada a origem indiana dos ciganos. Depois disto, jovens ciganas gregas passaram a vestir os longos e coloridos sáris indianos e introduziram elementos orientais nas suas danças. Ao que Fraser, maliciosamente (mas com toda razão), acrescenta: “Talvez daqui a uns 50 anos, etnomusicólogos apresentem estes elementos como um vestígio cultural de sua pátria original” (a Índia).[5]

Outro exemplo desta “indianização” artificial foi registrada também na ex-Iugoslávia, após o II Congresso da União Romani Internacional, no qual a primeira-ministra Indira Ghandi declarou (apenas simbolicamente, e até hoje sem quaisquer efeitos práticos!) que a Índia era a pátria-mãe de todos os ciganos. Não há registro de nenhuma família cigana européia que por causa disto tenha migrado para a Índia (ou seja: ninguém migrou do ruim para o pior), mas depois disto, pelo menos na ex-Iugoslávia, muitos ciganos começaram a ornamentar suas casas com estátuas e quadros de deuses indianos e bonecos em trajes indianos, jovens ciganas substituíram a calça turca pelo sári indiano, músicas e filmes indianos se tornaram de repente populares, e houve até quem trocasse a religião muçulmana pelo hinduismo.[6] 

Ainda menos sucesso tiveram, até hoje, aqueles que tentaram provar a origem indiana através de comparações biológicas, ou raciais. Já desde a chegada na Europa há notícias sobre a aparência física dos ciganos: pele escura, cabelos pretos e longos, olhos pretos e grandes, nariz aquilina, etc. Posteriormente alguns cientistas notariam semelhanças sanguíneas entre ciganos e indianos, mas nada disto seria suficiente para provar sua origem indiana, inclusive porque não existiam estudos suficientes sobre as características raciais dos indianos, e outros tantos povos tinham as mesmas características físicas ou predominância dos mesmos grupos sanguíneos. Além disto havia o problema da “mistura racial” que certamente ocorreu desde a saída da Índia há vários séculos.

Na realidade, todas as teorias (e inúmeras fantasias, mitos e lendas) sobre a origem dos ciganos não passam de mera especulação e não têm nenhuma comprovação empírica. Até hoje, apenas as semelhanças das línguas ciganas com o sânscrito parecem devidamente comprovadas, pelo que muitos ciganólogos costumam admitir que os ciganos são originários da Índia. Mas isto também é tudo e, como já dissemos acima, somente a semelhança linguística na realidade não comprova coisa alguma.

Existem as mais diversas teorias sobre quando saíram da Índia, mas em geral admite-se que foi somente a partir do Século X, ou seja, apenas uns mil anos atrás. Ou então, o que é bem mais provável, que ocorreram várias ondas migratórias, em épocas bem diferentes, talvez até de áreas geográficas diversas, e por motivos dos mais variados. Também não se sabe como eles então se identificavam a si mesmos, ou como eram identificados pelos outros, e provavelmente nunca o saberemos. Os próprios ciganos nunca deixaram documentos escritos sobre o seu passado e muitos ciganólogos informam que os ciganos, em geral, não têm a mínima idéia sobre suas origens e, o que é pior, nem demonstram interesse em saber de onde vieram os seus antepassados.

 

A diversidade entre os ciganos.

 

Conforme vimos acima, “cigano” é um termo genérico inventado na Europa do Século XV, e que ainda hoje é adotado, apenas por falta de um outro melhor. Os próprios ciganos, no entanto, costumam usar autodenominações completamente diferentes. Hoje, os ciganos e os ciganólogos não-ciganos costumam distinguir pelo menos três grandes grupos:

(1) os ROM, ou Roma[7], que falam a lín­gua roma­ni; são divididos em vários sub-grupos, com denominações próprias, como os Kalderash, Matchuaia, Lovara, Curara e.o.; são predominantes nos países balcânicos, mas a partir do Século XIX migraram também para outros países europeus e para as Américas;

(2) os SINTI, que falam a língua sintó e são mais encontrados na Alemanha, Itália e França, onde também são chamados Manouch;

(3) os CALON ou KALÉ, que falam a língua caló, os “ciganos ibéricos”, que vivem principalmente em Portugal e na Espanha, onde são mais conhecidos como Gitanos[8], mas que no decorrer dos tempos se espalharam também por outros países da Europa e foram deportados ou migraram inclusive para a América do Sul.

Estes grupos e dezenas de sub-grupos, cujos nomes muitas vezes derivam de antigas profissões (Kalderash = caldeireiros; Ursari = domadores de ursos, e.o.) ou procedência geográfica (Moldovaia, Piemontesi, e.o.), não apenas têm denominações diferentes, mas também falam línguas ou dialetos diferentes. Como já vimos acima, desde o Século XVIII costuma-se atribuir aos ciganos apenas uma única língua, comum a todos, a língua romani, parcialmente de origem indiana, embora esta tenha também inúmeras palavras de origem persa, turca, grega, romena e de outros países por onde passaram. Na realidade, já então os ciganos falavam várias línguas ou dialetos que, apesar de terem aparentemente uma origem em comum, hoje apresentam profundas variações regionais que tornam uma comunicação cigana internacional na prática impossível. Algo semelhante à atual comunicação entre franceses, italianos, espanhois, portugueses e brasileiros, que todos falam línguas derivadas do Latim: muitas palavras podem ser entendidas por todos, principalmente quando escritas, mas a comunicação verbal na maioria das vezes é difícil, quando não impossível. Segundo Fraser não existe um romani padronizado, único, mas somente na Europa os ciganos falariam cerca de 60 ou mais dialetos diferentes.[9]

De todos os ciganos, os Rom são os mais estudados e descritos. Isto porque estes ciganos, e entre eles principalmente os Kalderash e os Lovara - inclusive no Brasil - , costumam considerar-se a si próprios ‘ciganos autênticos’, ‘ciganos nobres’, e classificar os outros apenas como ‘ciganos espúrios’, de segunda ou terceira categoria. Como antropólogos e linguistas tendem a estudar de preferência povos “autênticos”, que ainda conservam sua cultura e língua tradicional, a quase totalidade dos estudos ciganos trata de ciganos Rom, e praticamente nada se sabe dos outros grupos.

O nomadismo, aparentemente  maior entre os Calon do que entre os Rom, pode ter dificultado pesquisas sobre sua língua e seus costumes, mas não explica, nem justifica, porque foram tão negligenciados pelos ciganólogos. Román, por exemplo, informa que na Espanha ainda não foram realizadas intensivas pesquisas históricas e antropológicas sobre os ciganos Calon, naquele país quase todos há muito tempo sedentários.[10] Na França a situação não é diferente: segundo Liégeois, o grupo Rom, naquele país com apenas alguns milhares de membros, é praticamente o único estudado, enquanto as dezenas de milhares de ciganos Sinti (Manouch) e Calon são ignoradas, fato que reforça ainda mais a imagem dos ciganos Rom da Europa Oriental como ciganos ‘autênticos’.[11] Praticamente nada, também, sabemos sobre os atuais ciganos Sinti e Calon no Brasil.

Este “rom-centrismo”, dos próprios ciganos e dos ciganólogos, faz Acton falar até de “romólogos” que, em lugar de analisarem as diferenças existentes entre os grupos ciganos, apresentam um modelo ideal como se os ciganos formassem uma totalidade homogênea. Segundo este sociólogo, “A grande falha da literatura sobre ciganos, oficial e acadêmica, é a supergeneralização; observadores têm sido levados a acreditar que práticas de grupos particulares são universais, com a concomitante sugestão que [os membros de] qualquer grupo que não têm estas práticas não são ‘verdadeiros ciganos’“.[12]  Ou seja: a cultura rom passa a ser considerada a “autêntica” cultura cigana, a cultura “modelo”, e quem não falar a língua como eles, quem não tiver os mesmos costumes e valores ..... , bem, estes só podem ser ciganos de segunda ou terceira categoria, ciganos espúrios, inautênticos, quando não falsos ciganos.

Entende-se assim porque a quase totalidade dos livros de ciganólogos que tratam genericamente da suposta “Cultura Cigana”, na realidade descrevem apenas ou quase exclusivamente a cultura dos ciganos Kalderash que durante séculos viveram nos Bálcãs - na atual Romênia na qualidade de escravos, libertos somente em meados do Século XIX - onde desenvolveram uma cultura fortemente influenciada pelas diversas culturas nacionais, em especial a romena. Um exemplo clássico, entre vários outros, é o kris romani, uma espécie de tribunal cigano, sempre apresentado como algo tipicamente “cigano”, quando, segundo Formoso, na realidade é um elemento cultural apenas dos Kalderash, que o tomaram emprestado da sociedade rural romena, e que não existiria nem entre os ciganos Rom Lovara e Curara e é desconhecido também entre os Sinti e Calon.[13] Outros dois exemplos seriam o marimé, as idéias sobre pureza / impureza, que na realidade são de origem árabe e turca, e a pomana, o ritual funerário, de origem romena. O kris, o marimé e a pomana costumam ser descritas por nove entre dez ciganólogos como se fossem comuns a todos os ciganos, quando se trata apenas de características culturais Kalderash.[14] A cultura Kalderash - praticamente a única conhecida do grande público não-cigano - é apenas uma das inúmeras sub-culturas ciganas hoje existentes em todo mundo, cada uma das quais com características próprias, resultantes de histórias diferenciadas de convivência, quase nunca pacífica, com as mais diversas sociedades e culturas.

Porém, os ciganos não se diferenciam entre si apenas linguistica e culturalmente, mas também econômica e socialmente. Como exemplo podem ser citados os ciganos espanhois, cuja população em 1993 deveria ultrapassar um total de 400 mil pessoas, ou seja, cerca de 1,1% da população nacional. Garcia distingue entre eles quatro categorias sociais bem distintas, a saber:[15]

(1) uma pequena elite com alto nível de instrução (diplomas e carreiras universitárias), geralmente indivíduos de famílias ‘integradas’ também com bom nível de instrução, e que têm empregos assalariados e muitas vezes casam com gadjé [denominação genérica usada pelos ciganos para os não-ciganos[16]]; entre eles encontram-se os ativistas políticos que, entre outras coisas, lutam pelo reconhecimento da identidade cigana;

(2) um grupo numericamente maior do que o anterior, mas ainda minoria entre os ciganos, de “tradicionalistas” geralmente economicamente bem sucedidos que vivem “à la gitane”, exercendo profissiões tradicionais (antiquários, comerciantes, artistas), casam entre si e dentre de sua categoria social, e gozam de prestígio e admiração entre os outros ciganos;

(3) o grupo maior é formado por ciganos em mutação que vivem em bairros periféricos ou marginais das cidades, muitos deles misturados com gadjé, o que exige adaptações nos seus valores tradicionais e nas relações sociais. As crianças frequentam a escola e a convivência com gadjé é constante no trabalho, na vizinhança, nos bairros, nas instituições públicas. Suas atividades econômicas - comércio ambulante, ferro velho, trabalhos temporários - estão em declínio e por isso muitas vezes passam a depender da assistência social. Para eles, hoje só há uma alternativa: ou eles se assimilam nas camadas mais baixas da população, ou então eles ficam à margem da sociedade como grupo, e com a marginalização individual de muitos deles;  

(4) um grupo desestruturado e marginal, o segundo em importância numérica, cujos membros vivem em favelas, não têm emprego permanente mas vivem de apanhar ferro ou papel velho, de vez em quando comércio ambulante, atividades sempre mais difíceis de exercer. Costumam ser analfabetos e seus filhos não frequentam a escola com regularidade. Em tudo dependem da assistência pública, e não há como sair desta situação. São considerados um grupo socialmente problemático, gerador de conflitos e responsável pelos estereótipos negativos sobre os ciganos. Sua cultura hoje é semelhante à de outros grupos sociais miseráveis. Para sobreviver dedicam-se também à mendicância e a praticas ilegais como o tráfico de drogas.

O sociólogo Acton, por sua vez, apresenta uma tipologia dos ciganos ingleses, de acordo com o seu grau de integração na sociedade gadjé, e que tem algumas semelhanças com a classificação citada acima: (1) ciganos conservadores, (2) ciganos em processo de desintegração cultural, (3) ciganos em fase de adaptação cultural e (4) ciganos assimilados ou em processo de assimilação.[17]

Inúmeras outras classificações são possíveis, de acordo com os interesses teóricos ou práticos de cada pesquisador. O que importa aqui, no caso, não são tanto as duas classificações acima, mas deixar bem clara a enorme diferenciação que existe entre os ciganos, mesmo entre os ciganos de um determinado país ou região, para que sejam evitadas levianas generalizações que normalmente são mais prejudicais do que benéficas para as minorias ciganas. Nas palavras de Acton: “[Os ciganos] são um povo extremamente desunido e mal-definido, possuindo uma continuidade, em vez de uma comunidade, de cultura. Indivíduos que compartilham a ascendência e a reputação de “cigano” podem ter quase nada em comum no seu modo de viver, na cultura visível ou na língua. Os ciganos provavelmente nunca foram um povo unido”.[18]

Desconhecemos estudos detalhados sobre as diferenciações entre ciganos em países específicos (por exemplo, entre Kalderash e Calon no Brasil), mas é mais do que provável que em todos os países existam ciganos ricos e pobres, conservadores e progressistas, analfabetos e outros com diplomas universitários, politicamente passivos ou ativos, nômades e sedentários. Cabe aos cientistas sociais documentar esta imensa variedade cultural e social, algo que até hoje ainda não foram capazes de fazer, nem na Europa, nem no Brasil, nem em outras partes do Mundo.

 

Ciganos 'verdadeiros' e 'outros' ciganos.

 

Muitos ciganólogos têm observado que os ciganos Rom, e entre eles em especial os Lovara e os Kalderash, costumam auto-classificar-se como ciganos “autênticos”, “verdadeiros”, “nobres”, “aristocratas”, de primeira categoria, sendo todos os outros apenas ciganos “espúrios” ou “falsos” ciganos. Infelizmente, esta atitude discriminatória (dos próprios ciganos) é assumida também por muitos gadjé que realizam estudos ou trabalhos práticos entre os ciganos, ou por legisladores ou membros de organizações ciganas e pró-ciganas. Sabendo disto, muitos ciganos se dizem Rom, ou Kalderash, embora sem nunca ter sido. Okely, por exemplo, informa que na Suécia 

“ciganos originários da Polônia, sem prévias pretensões de serem Kalderash, adotaram nomes Kalderash quando de sua chegada na Suécia porque a estas pessoas é atribuído um status exôtico e favorável pela sociedade dominante. De fato, Tattares [nômades não-ciganos] são excluídos de lucrativos programas sociais. Parece que também em outros países da Europa, por exemplo na Bélgica, França, Holanda e Alemanha, grupos ou ‘tribos’ que se apresentam como Rom, Kalderash ou Lovari têm mais probabilidade de serem considerados de origem oriental, indiana, e de receberem status ‘real’, mesmo que só por estudiosos e representantes políticos gadjé”.[19]

 

Mas como se isto não bastasse, os ciganos ainda se discriminam mutuamente também por outro motivo: os ciganos sedentários muitas vezes olham com desprezo para os ciganos nômades que persistem nesta vida “primitiva”, enquanto os nômades acusam os sedentários de terem abandonado as tradições, e com isto terem deixado de ser ciganos. E com isto surgem intermináveis debates, entre os ciganólogos, sobre quem é cigano autêntico e quem não é. Debates, por sinal, estéreis, porque definir quem é e quem não é cigano é, de fato, uma tarefa praticamente impossível porque não existem critérios objetivos universalmente aceitos ou aceitáveis.

Ao chegarem na Europa Ocidental, no início do Século XV, os ciganos ainda podiam facilmente ser identificados através de sua aparência física, sendo a característica mais marcante a sua pele escura. Hoje isto já não é mais possível. Apesar da ideologia da endogamia, casamentos com não-ciganos sempre ocorreram, de modo que em muitos países hoje os ciganos fisicamente não se distinguem da população gadjé nacional. Ciganos “racialmente puros” hoje não existem mais em canto algum do mundo, e nunca existiram, porque nunca existiu uma “raça” exclusivamente cigana. Impossível, portanto, identificar os ciganos através de características físicas peculiares ou estabelecer “critérios biológicos de ciganidade”.

Por sinal, já se tentou fazer isto no passado, mas sem êxito. Na Alemanha nazista, por exemplo, antropólogos físicos e biólogos tentaram descobrir, para fins práticos, quais as características raciais ciganas, já que na maioria dos casos era impossível distinguir os ciganos do resto da população, através de características físicas, culturais ou outras. Mas mesmo os nazistas nunca foram capazes de descrever estas características. Daí porque, na Alemanha daquele tempo, era considerado “cigano” todo indivíduo com três avós “verdadeiros ciganos”; mestiço em primeiro grau era quem tinha menos do que três avós “verdadeiros ciganos”; mestiço em segundo grau era quem tinha pelo menos dois avós “ciganos-mestiços”. Mas, acreditem se quiserem, para os ‘cientistas’ (antropólogos e biólogos) nazistas, avó ou avô “verdadeiro cigano” era aquele que sempre tinha sido reconhecido, pela opinião pública, como “cigano”. Ou seja, no final das contas, quando da identificação ‘racial’ dos vovôs e das vovós, passavam a usar critérios subjetivos (sociais/culturais), e não objetivos critérios científicos (biológicos/raciais). Calcula-se que cerca de 500.000 ciganos europeus foram exterminados pelos nazistas antes e durante a II Guerra Mundial.

Classificar como “verdadeiros” ciganos todos aqueles que falam uma língua cigana também não adianta, porque muitos ciganos já não a falam mais e outros a dominam muito mal, ou até já a esqueram por completo. Muitos autores, de várias partes do mundo, afirmam que, mesmo entre si, os ciganos costumam falar a língua do país em que vivem e que a língua cigana, na maioria das vezes, costuma ser usada apenas ocasionalmente, quando necessário. San Román, por exemplo, informa que na Espanha, “excluindo os ciganos nômades, poucos conhecem [a língua] Caló, e recorrem a ela principalmente na presença de payos [a palavra espanhola para não-ciganos] que desejam enganar, e dos quais querem distinguir-se. (...) [A língua Caló] não é tanto um meio de comunicação, mas antes um meio para excluir os payos dos assuntos ciganos. Entre si falam espanhol”.[20]

Características culturais exôticas, visíveis externamente, também não servem mais para identificar os ciganos, pelo simples fato de que os ciganos não têm, e provavelmente nunca tiveram, uma cultura única. Um exemplo, entre muitos outros possíveis, é o vestuário.  Muitas mulheres ciganas ainda usam longas saias, além de jóias de ouro e prata, mas inúmeras outras não. Os homens ciganos, ao que tudo indica, nunca tiveram uma roupa “típica”, a não ser às vezes no meio artístico. Por isso, em quase todo mundo os ciganos usam a mesma roupa dos gadjé do país em que vivem, a não ser nas ocasiões em que é necessário ou útil ser reconhecido como cigano, o que pode ser o caso com mulheres que se dedicam à quiromancia, ou com homens que exercem atividades artísticas, p. ex. músicos das populares ‘orquestras ciganas’ européias, fantasiados com fardas de militares húngaros ou cossacos russos de séculos passados. No carnaval europeu (e parece que também brasileiro), no entanto, as fantasias ‘ciganas’ populares mais usadas pelos gadjé costumam ser imaginárias vestimentas ciganas ibéricas, tanto para os homens quanto para as mulheres. Desnecessário dizer que nenhum cigano e nenhuma cigana veste uma roupa desta na vida real.

Muitas vezes mulheres gadjé que se dedicam a atividades esotéricas costumam fantasiar-se de “cigana” conforme os estereótipos existentes na região, o que dá mais “status” e atrai mais clientes. Já dissemos que o vestuário estereotipado cigano em muitos países costuma ser uma popular fantasia carnavalesca. O problema é que, às vezes, os próprios ciganos passam a usar estas fantasias, como se fosse seu vestuário tradicional, o que parece ser o caso principalmente com artistas que apresentam músicas e danças ditas ciganas, e que por isso não apenas precisam ser, mas também precisam parecer ciganos, e de preferência Kalderash. E para parecer um cigano, somente usando um estereotipado vestuário cigano, nem que seja uma fantasia carnavalesca. No Brasil, alguns ciganos, inclusive, adotaram nomes artísticos ou fizeram retoques nos seus sobrenomes portugueses ou italianos (que poderiam denunciar uma descendência Calon ou Sinti, menos valorizada pelos gadjé e pelos próprios ciganos) e deram-lhes uma aparência mais balcânica, mais “Kalderash”, substituindo, por exemplo, os terminais -ite e –ides por –itch ou -icth, ou -ante por -anov, ou algo semelhante.

Já vimos que este processo de ‘kalderashização’ também foi observado por Okely na Suécia, entre ciganos poloneses. É óbvio que, no Brasil, uma “Orquestra Cigana Francisco Santana Filho”, vestindo roupas de couro dos vaqueiros nordestinos, teria bem menos chance de obter sucesso do que uma “Orquestra Cigana Ferenc Santanovitch”, vestindo-se a la gitane, com carnavalescas fantasias ciganas (húngaras, russas ou espanholas), e as mulheres dançando alegremente um csàrdás húngaro vestindo roupas de bailarina flamenca espanhola. Trata-se de uma estratégia artística legal, adotada mundialmente.

Uma das características sempre atribuídas aos ciganos tem sido seu nomadismo, sua vida errante, de modo que muitas vezes ciganos são identificados como nômades, e vice-versa. No Reino Unido, para fins legais, os juizes da Suprema Côrte concluiram em 1967 que cigano era ‘uma pessoa que leva uma vida nômade sem emprego fixo e sem domicílio fixo’. Logo depois, a Caravan Sites Act de 1968 definiu ciganos como “pessoas com um modo de vida nômade, qualquer que seja sua raça ou origem, excluindo artistas viajantes ou pessoas que trabalham em circos viajantes”.[21] Ambas as definições jurídicas são totalmente errôneas, porque na Europa, e inclusive no Reino Unido, vivem centenas de milhares de nômades que não são ciganos, não se identificam e nem querem ser identificados como ciganos, e sabe-se que, por motivos diversos, hoje apenas uma minoria cigana é nômade. Por isso, para alguém ser um “verdadeiro” cigano, não há porque exigir que ele tenha uma vida nômade. Ciganos nômades ainda existem, mas muitos hoje são semi-nômades ou sedentá­rios: os nômades viajam re­gularmente, os semi-nômades (ou semi-seden­tários) viajam so­mente durante parte do ano e ficam em acampamentos fixos ou em casas e apartamentos du­rante o resto do tempo; os sedentá­rios deixaram de viajar por comple­to ou via­jam dificil­mente, mas nem por isso deixaram de ser ciganos.

Um caso talvez raro, mas que certamente não será o único no mundo, são os ciganos que a antropóloga Kaprow encontrou em Zaragoza, na Espanha. Embora auto-identificados e identificados pelos gadjé como ciganos, não apresentavam nenhuma das características normalmente atribuídas aos ciganos: viviam em casas, frequentavam lojas, hospitais, cinemas, como os outros espanhois, dos quais fisicamente em nada se distinguiam; falavam apenas espanhol, e não tinham atividades profissionais especiais, tipicamente “ciganas”. Ou seja: nenhuma característica exterior possibilitava a identificação destes “ciganos” de Zaragoza, que não tinham tradições, valores, ideologias, rituais, culinária, etc. próprias. Mesmo assim se identificavam e eram identificados como ciganos.[22]

Quem é então cigano? Dizer, como faz Acton, que cigano é “toda pessoa que sinceramente se identifica como tal”[23] não é uma definição satisfatória, por ser unilateral, porque a identidade étnica, da mesma forma como a identidade nacional, é bilateral e exige também que o grupo étnico, ou a nação, reconhece o indivíduo como membro. A questão é bastante complexa porque, como lembra Willems, “em princípio estão envolvidos quatro partes: os definidos, isto é, os ‘ciganos’, as autoridades (Igreja e Estado), os cientistas e o povo”.[24] Cada uma destas partes pode ter opiniões e definições diferentes sobre quem é ou não é cigano. Um bom exemplo de confusão terminológica é oferecido pela ex-Iugoslávia.

Naquele país, em 1990 milhares de individuos tradicionalmente identificados como “ciganos” passaram a auto-denominar-se “egípcios” e exigiram ser reconhecidos como narodnosti (nacionalidades, ou minorias nacionais, como os albaneses e húngaros residentes no país) e não mais como grupos étnicos, como os ciganos. Informaram, ainda, terem sido os fundadores do “Pequeno Egito”, na Grécia, quatro séculos antes de Cristo. Suas atividades comerciais os teriam levado até a Macedônia (na ex-Iugoslávia), onde fizeram florescer as cidades de Ohrid e Bitola, nas quais vivem há séculos. Por terem sempre adotado as línguas dos povos com os quais faziam comércio, teriam esquecido por completo a língua egípcia. Somente muitos séculos depois, também outros imigrantes, os tais ‘ciganos’, teriam chegado ao “Pequeno Egito”, de onde depois se espalharam pelo resto da Europa e do Mundo. No censo anterior, de 1981, quando este movimento ainda não tinha iniciado, a maioria destes “iugo-egípcios” declarou ser “albanês”, enquanto os albaneses legítimos os consideraram “ciganos albanizados”.[25]

Para nós não interessa aqui discutir se esta história sobre a origem egípcia, que se baseia numa mais do que duvidosa história oral, é verdadeira ou apenas mais uma lenda, uma fantasia. O que interessa é saber que de repente milhares de indivíduos (eles próprios calcularam que eram 100.000), tradicionalmente denominados “ciganos”, de repente passaram a negar esta identidade e assumiram outra, tirada de um baú de lendas, estórias e fantasias, para a qual reclamaram, inclusive, o status superior de narodnosti (nacionalidade ou minoria nacional).

Apesar de todas estas dificuldades, definimos aqui cigano como cada indivíduo que se considera membro de um grupo étnico que se auto-identifica como Rom, Sinti ou Calon, ou um de seus inúmeros sub-grupos, e é por ele reconhecido como membro. O tamanho deste grupo não importa; pode ser até um grupo pequeno composto de uma única família extensa; pode também ser um grupo composto por milhares de ciganos; nem importa se este grupo mantém reais ou supostas tradições ciganas, ou se ainda fala fluentemente uma língua cigana, ou se seus membros têm “cara” de cigano ou características físicas supostamente “ciganas”.

A identidade cigana é automaticamente transmitida aos filhos quando ambos os pais são ciganos. No caso de casamentos mistos, com gadjé - que, embora exceção, sempre existiram – geralmente os filhos só serão considerados ciganos se os pais residam no grupo ou mantenham vínculos com o mesmo, e desde que os filhos sejam educados na ‘tradição cigana’, seja ela qual for. A identidade cigana pode ser perdida, primeiro, por opção individual, quando o indivíduo se desliga consciente e voluntariamente do seu grupo e passa a viver no mundo dos gadjé, assimilando seu modo de vida; segundo, pelo casamento com gadjé e posterior opção pela vida fora do grupo, no mundo gadjé, caso em que também os filhos não serão mais considerados ciganos; e finalmente, por expulsão, quando o indivíduo, por ter infringido certas normas grupais, deixa de ser considerado membro da comunidade cigana.

Quanto à suposta autenticidade e aristocracia dos Kalderash ou Lowara, subscrevemos a afirmação de Williams que considera inadmissível a distinção entre “verdadeiros” ciganos, aos quais se atribue uma origem exôtica e riqueza cultural, e “os outros”, que seriam apenas marginais no mundo cigano.[26] Ou seja: não existem ciganos autênticos e ciganos espúrios: existem apenas Rom, Sinti e Calon, que possuem inúmeras auto-denominações, que falam centenas de linguas ou dialetos, que têm os mais variados costumes e valores culturais, que são diferentes uns dos outros, mas que nem por isso são superiores ou inferiores uns aos outros.

Em comum todos eles têm apenas uma coisa: uma longa História de ódio, de perseguição, de discriminação pelos não-ciganos, em todos os países por onde passaram, desde o seu aparecimento na Europa Ocidental, no início do Século XV.


[1].   Fraser, A . The Gypsies,  Oxford, Blackwell Publishers, 1992, pp.46-47

[2].   Foletier, F. de Vaux de, Le Monde des Tsiganes, Paris, Berger-Levrault, 1983, p.16;  Liégeois, J.P., Los Gitanos, México,  Fondo de Cultura Economica, 1988, p. 30; Fraser 1992, p.50.

[3].   Liégeois 1988, pp.35-39; Fraser 1992,  pp.10-22

[4].   Fraser 1992, p. 22

[5].   Fraser 1992, p. 311

[6].   Fonseca, I.,  Enterrem-me em pé: a longa viagem dos ciganos, São Paulo, Companhia das Letras, 1996, pp.129-131

[7].    Singular masculino “Rom”, plural “Roma”; feminino: “Romni” e “Romnia”. Apesar disto, como  fazem muitos outros autores europeus, a seguir sempre escreveremos “os Rom” e não “os Roma”; da mesma forma “os Calon”, “os Sinti”, etc. Até os ciganólogos brasileiros chegarem a um acordo sobre a grafia das (auto)denominações ciganas, aplicaremos também para elas a "Convenção para a grafia dos nomes tribais" (indígenas), aprovada na 1a. Reunião Brasileira de Antropologia, em 1953, e segunda a qual "Os nomes tribais se escreverão com letra maíuscula, facultando-se o uso de minúscula no seu emprego adjetival", e "Os nomes tribais não terão flexão portuguesa de número ou gênero, quer no uso substantival, quer no adjetival" (Revista de Antropologia, vol. 2, no. 2, 1954, p. 150-152).

[8].     Principalmente na bibliografia françesa (p. ex. em Martinez, N., Os Ciganos, Campinas,, Ed. Papirus, 1989), o leitor encontrará juntos, muitas vezes até numa mesma frase, os termos tsiganos e gitanos (ciganos), e neste caso o primeiro se refere aos Rom balcânicos, e o segundo aos Calon ibéricos.    

[9].     Fraser 1992, p.12

[10].   San Román, T. de,  “Kinship, marriage, law and leadership in two urban gypsy settlements in Spain”, IN: Alcock, A., Tayler, B. e Welton, J.  (eds.), The future of cultural minorities, London, 1979, p.169

[11].    Liégeois, J.P., Gypsies and Travellers, Strasbourg,  Council of Europe, 1987, p. 24

[12].   Acton, Th.,  “Oppositions théoriques entre ‘tsiganologues’ et distinctions entre groupes tsiganes”, IN: Williams, P. (ed.), Tsiganes: identité, évolution, Paris, Syros Alternatives, 1989, p.89; Acton, Th., Gypsy politics and social change, London, Routledge & Keagan Paul, 1974, p.3

[13].    Formoso, B., Tsiganes et sédentaires, Paris, L’Harmattan,  1986, p. 16-17

[14].   Martinez, N.,  “Aspects de la pensée tsigane”, IN: Jacobs, A. (ed.), Encyclopédie Philosophique Universelle, Vol. I, Paris, 1989, p.1562

[15].   Garcia, J. M.., “La communauté gitane en Espagne”, Ethnies: Droits de l’Homme et Peuples Autochtones, Vol. 8, no. 15, 1993, pp.70-74

[16].    Singular masculino: gadjó; singular feminino: gadjí. Existem ainda outras denominações, quase sempre com sentido pejorativo, como gorgio, na Inglaterra, ou payo, na Espanha.

[17].   Acton 1974, pp.35-36

[18] .  Acton 1974, p. 55

[19].   Okely, J., The Traveller-Gypsies, New York, University of Cambridge Press, 1983, pp.10-11

[20].  Román 1979, pp. 171 e 191

[21].  Fraser 1992, p.3

[22].  Willems, W., Op zoek naar de ware zigeuner, Utrecht, Van Arkel, 1995, p. 7

[23].  Acton 1974, p.59

[24].  Willems 1995, p. 9

[25].  Willems 1995, pp. 3-5. Também Fonseca 1996, pp.89-90, faz referência a estes supostos ‘egípcios’, conhecidos como Yevkos, e que não falam mais a língua romani.

[26].  Williams, P., “Introduction: dans le lieu et dans l’époque”, IN: Williams (ed.) 1989, p.28


 

Capítulo 1