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OEA discute crise, mas confusão cria impasse

Entidade pretende enviar secretário-geral à Venezuela para verificar a situação

PAULO SOTERO

Correspondente

WASHINGTON - A Organização dos Estados Americanos (OEA) iniciou ontem uma reunião de emergência para analisar, à luz da Carta Democrática, a situação criada pelo golpe militar que derrubou Chávez, mas a confusa situação na Venezuela provocou um impasse nas discussões e nenhuma decisão havia sido tomada até o início da noite de ontem.

Mas a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, órgão da OEA, emitiu ontem sua "mais enérgica condenação"aos incidentes de violência e pediu a mais rápida volta ao estado de direito.

A preocupação mais imediata entre os representantes da América Latina é com a capacidade do governo provisório comandado pelo empresário Pedro Carmona de dar os passos necessários para ganhar o mínimo legitimidade necessária para conduzir um processo de transição rápido e sem percalços até novas eleições.

Um alto funcionário internacional lembrou que Chávez é um ex-coronel golpista que chegou ao poder, em 1998, legitimado pelas urnas, porque a elite venezuelana mostrou-se incapaz de governar o país. E é essa mesma elite que cuidará, agora, da transição. "Quanto mais tempo levar para eles se organizarem, maiores serão as dúvidas."

Essa é uma das mensagens que o secretário-geral da OEA, Cesar Gaviria, levará a Caracas durante a missão que deverá realizar esta semana, conforme a decisão esperada ontem pelas embaixadas dos países membros da organização. A tarefa de Gaviria é complicada.

A Carta Democrática proíbe os golpes e prevê a aplicação de sanções políticas e econômicas ao governos derivados de intervenções extraconstitucionais.

A comissão de direitos humanos defendeu ainda ontem "a necessidade urgente de uma adequada investigação imparcial e objetiva dos crimes cometidos e o estabelecimento das responsabilidades e sanções respectivas".

Tecnicamente, cabe a Gaviria determinar se a remoção de Chávez foi feita legalmente. As reações iniciais dos países mostraram uma divisão. De um lado, os Estados Unidos deixaram clara sua simpatia ao golpistas e evitaram classificar o que fizeram como um golpe.

"Essa não é uma palavra que estamos usando", disse uma fonte oficial ao Washington Post. "Não cremos que ela seja uma descrição acurado do que aconteceu."

Os demais países do continente condenaram "a interrupção da da ordem constitucional". O presidente do México, Vicente Fox, principal aliado dos EUA na região, anunciou que não reconhecerá qualquer governo em Caracas até que se realizem eleições. Gaviria reportará os resultados da missão a uma reunião de chanceleres, ainda a ser convocada.

Apesar do repúdio à forma como se deu a saída de Chávez pelos governos da América Latina, diplomatas da região concordaram com o diagnóstico feito pela administração Bush, segundo o qual o ex-líder venezuelano foi o principal responsável por sua própria derrocada.

"É uma situação incômoda para todos", disse um diplomata. "Niguém vai defender Chávez, mas ao mesmo tempo não há como negar que houve uma quebra da ordem constitucional."

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