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Jonas, o primeiro desaparecido

Virgílio Gomes da Silva

(15/8/1933 – 29/9/1969)

 

Francisco Gomes da Silva, Chiquinho, foi baleado e preso no dia 28 de setembro de 1969. Passou por várias sessões de tortura na Oban. No dia seguinte, por volta das 11h, seu irmão Virgílio Gomes da Silva, o Jonas, foi levado à Oban, preso pela equipe do capitão Benone Albernaz.

Chegou algemado e encapuzado. Deram-lhe um chute no rosto, fazendo jorrar sangue, em uma demonstração de que estavam dispostos a tudo. Virgílio sobreviveu por 12 horas às torturas, desafiando seus carrascos.

Chiquinho ficou sabendo da morte do irmão meia hora depois, às 21h30, pelo capitão Albernaz. Celso Antunes Horta viu o corpo de Jonas e denunciou posteriormente às Auditorias Militares que ele morrera no pau-de-arara.

Comandavam a Oban naquela época os majores Inocêncio Beltrão e Valdir Coelho. Os capitães Dalmo Cirillo, Maurício Lopes Lima, Homero Cesar Machado (PM) e Benone Albernaz revezavam-se no comando das torturas.

Na morte de Virgílio participaram também o delegado Otávio Moreira Jr., o sargento PM Paulo Bordini, o agente policial Lungaretti (Maurício de Freitas), Paulo Bexiga (Paulo Rosa) e o agente da Polícia Federal Américo.

Apesar dos testemunhos dos presos políticos Francisco Gomes da Silva e Celso Antunes Horta, que juntamente com Paulo de Tarso Wenceslau e Manoel Cyrillo denunciaram às Auditorias Militares o assassinato de Virgílio Gomes da Silva, sua prisão e morte não foram reconhecidas. Jonas transformou-se, assim, no primeiro desaparecido político brasileiro.

Sua mulher, Idalina, e os três filhos foram presos em São Sebastião, no litoral norte do Estado de São Paulo. A repressão utilizou-os para pressionar Virgílio a dar informações, mas nem assim teve sucesso. Sabe-se que seu corpo foi enterrado no Cemitério De Vila Formosa, em São Paulo, mas nunca foi encontrado.

Documentos pesquisados no arquivo do Dops/SP comprovam sua prisão, enquanto os órgãos de segurança continuavam divulgando que ele se encontrava foragido.

Em sua ficha individual no Dops/SP, ao lado do seu nome, batido à máquina, vem entre parênteses, escrito à mão: morto.

No arquivo do Dops/PR, em um documento do serviço Nacional de investigação (SNI) de 31/10/69, lê-se: “Virgílio Gomes da Silva (Jonas), falecido por resistir à prisão; também usava a falsa identidade em nome de Joel Ferreira Lima”. No arquivo do Dops/RJ há um documento do CIE intitulado: “Terrorista da ALN com curso em Cuba” que relata no texto: situação em 21 de junho, morto.

Mesmo assim, em 1993, Relatório da Marinha obtido por Requerimento de informação feita pelo deputado Nilmário Miranda ainda afirma: Virgílio Gomes da Silva “morreu em 29 de setembro de 1969, ao reagir à bala quando de sua prisão em um aparelho”.

Quando o filme O Que é Isso, Companheiro? Apresentou Jonas como um militante frio e violento, dezenas de pessoas que o conheceram fizeram desagravos, resgatando sua imagem e história verdadeiras.

Virgílio nasceu no Rio Grande do Norte, Sítio Novo – Santa Cruz, e foi assassinado aos 36 anos. O seu caso foi reconhecido pela Anexo da Lei 9.140/95.

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