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Jogado
no rio
Hiran
de Lima Pereira (3/10/13 – 15/1/1975)
De
acordo com o Dossiê, Hiran era dirigente do PCB. Nasceu em Caicó
(RN), filho de Hilário Amâncio Pereira e Maria Marieta de Lima
Pereira. Desaparecido desde 1975, quando contava 16 anos. Era casado
com Célia Pereira e tinha quatro filhas.
Foi
preso pelos órgãos de segurança em 15 de janeiro de 1975, e está
desaparecido desde então. Sua morte foi reconhecida no anexo da Lei
9.140/95.
O
ex-sargento do Exército Marival Chaves revelou que Hiran foi
interrogado no centro de torturas e execuções implantado
clandestinamente pelo DOI-Codi em Itapevi, na Grande São Paulo,
morreu sob torturas e o seu corpo foi lançado em um rio próximo a
Avaré.
Em
20 de setembro de 1976, foi julgado à revelia pela 2ª Auditoria da
Marinha. No Relatório de Ministério do Exército consta que, “em
março de 1991, reportagem veiculada pelo Jornal
do Brasil relata que, na abertura dos arquivos do Dops/PE, os
pesquisadores descobriram no prontuário do nominado um extrato bancário
do dia 28/1/75, concluindo que esta provavelmente foi a data em que
ocorreu sua morte”. No Relatório do Ministério da Marinha consta
que em “abril/75, foi preso por agentes de segurança”.
Em
um documento encontrado no Dops/RJ em 1992, identificado como DI/DGIE
do RJ de 7/12/79 há a seguinte nota sobre Hiran: “Teve seus
direitos políticos cassados por dez anos em 20/2/67. Segundo
documento aqui existente, teria sido preso em 15/1/75, e em 26/6/75,
estaria desaparecido conforme Manifesto publicado pelo MDB”.
No
Arquivo do Dops/PR, foi encontrado o nome de Hiran em uma gaveta com
a identificação: “falecidos”.
Três encontros
De
sua filha Zodja Pereira:
Tomei
conhecimento por relatos de familiares e conhecidos que meu pai já
tinha atividades políticas bem antes de meu nascimento. Sei que, em
meados da década de 30, foi detido no Rio de Janeiro, onde prestava
serviços ao Exército Nacional, servindo na PE, tendo ficado preso
nessa ocasião cerca de um ano. Em 1946, Hiran foi eleito deputado
federal pelo Estado do Rio Grande do Norte, onde conseguiu uma das
maiores votações na legenda do PCB. Logo a seguir foi cassado,
junto com a legenda partidária, por ato do Governo Federal.
No
ano de 1949, transferiu sua residência para o Recife onde passou a
ser um dos redatores do jornal Folha do Povo, órgão oficial do
Partido Comunista Brasileiro, de âmbito estadual.
Concomitantemente, passou a trabalhar como vogal em uma das Juntas
de Conciliação da Justiça do Trabalho sediado no Recife.
Participou
ativamente de todas as campanhas eleitorais, tanto de caráter
nacional, estadual como municipal. Por volta de 1958, Miguel Arraes
foi eleito prefeito do Recife, tendo convidado meu pai para exercer
as funções de secretário de Administração da Capital
Pernambucana, permanecendo nesse cargo por mais duas administrações
sucessivas dos prefeitos Pelópidas e Liberato.
Em
agosto de 1961, foi sequestrado por agentes do IV Exército, ficando
desaparecido por dez dias, sendo que inicialmente, em local
desconhecido e, posteriormente na Ilha de Fernando de Noronha. Após
essa prisão retornou às suas funções de secretário executivo
municipal do Recife e atuou como ator de Teatro no Grupo
Profissional, denominado Teatro Popular do Nordeste, estreando na peça
de autoria de Ariano Suassuna A Pena e a Lei, com direção artística
de Ermilo Borba Filho.
Após
o Golpe Militar de 1º de abril de 1964, minha mãe, Célia Pereira,
e minha irmã, Sacha Lídice Pereira, foram detidas, no Recife, em
nossa residência como reféns por agentes do IV Exército, ficando
presas no RO, em Olinda. Os noivos de minhas irmãs, Ardigan e
Nathanias, foram igualmente detidos. Meu pai estava clandestino na
própria cidade do Recife, onde ficou até o ano de 1966, quando se
transferiu para o Rio de Janeiro e, posteriormente, para a cidade de
São Paulo.
Dessa
data até o ano de 1975, meu pai teve intensa participação nos
movimentos políticos contra a ditadura e em favor da liberdade e da
justiça social, sendo que essas atividades foram exercidas no PCB e
na qualidade de jornalista. Durante esse período, a par de suas
atividades políticas partidárias, meu pai esteve sempre presente
na vida familiar, mantendo contato comigo, com minha mãe e as
outras três irmãs.
Na
passagem de ano de 1974 para 1975 mantive meu último contato com
meu pai na residência de Sacha, em São Paulo, no bairro de Campo
Belo. Sei que minha mãe, com quem residia nesse período, manteve
outros contatos com meu pai, na primeira semana de janeiro de 1975.
Meu pai marcou três pontos alternativos nas datas de 13, 15 e 17 do
mês de janeiro, não tendo comparecido ao primeiro. Minha mãe foi
detida no dia 15 na minha residência. Ela ficou detida nas dependências
do DOI-Codi, à Rua Tutóia, São Paulo, por três dias, sendo que
agentes desse organismo policial permaneceram durante este período
em minha casa. Minha mãe sofreu sevícias e torturas durante essa
detenção e, pela forma como foi conduzido seu interrogatório,
chegou à conclusão de que meu pai teria sido morto em torturas
nessa mesma época. Minha mãe teria vislumbrado, entre várias
pessoas conduzidas às sessões de tortura, um cidadão encapuzado
com características físicas que pareciam ser as do meu pai.
Quero
esclarecer também que todos os meus familiares tinham conhecimento
de que meu pai, durante esse tempo de clandestinidade, usava o nome
de guerra de José Vanildo de Almeida e que tinha toda sua documentação
com esse nome, que era de um parente já falecido. Cerca de um mês
depois, eu e minha irmã Sacha fomos detidas por algumas horas nas
dependências do DOI-Codi, onde, encapuzadas, fomos interrogadas.
Logo
a seguir, eu e meus familiares passamos a buscar a ajuda e os serviços
de advogados e de órgãos que colaboravam na procura de
desaparecidos políticos.
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