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Traição
aos Direitos Humanos
A decisão do
procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, de arquivar o
pedido de intervenção federal no Espírito Santo representou
uma traição à política de Estado de direitos humanos do
Brasil e ao próprio Estado de Direito Democrático.
O pedido de intervenção
foi aprovado por unanimidade no Conselho de Defesa dos Direitos
da Pessoa Humana (CDDPH), com a participação do mesmo
procurador-geral, que, inclusive, definiu junto com o ministro
Miguel Reale Júnior os termos da declaração conjunta pedindo
a intervenção.
Essa total mudança
de posicionamento de Geraldo Brindeiro após reunião com o
presidente da República indica que ele foi pressionado por
Fernando Henrique Cardoso nesse sentido.
Como membro do CDDPH
e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos
Deputados, manifesto minha solidariedade ao ministro Miguel
Reale Júnior, pela postura ética que adotou, a única, aliás,
de que se poderia esperar de uma autoridade pública realmente
comprometida com os direitos humanos e os valores democráticos.
O pedido de intervenção
foi fundamentado por um vasto conjunto de fatos relevantes que
comprovam a influência determinante do crime organizado em
instituições públicas do Estado do Espírito Santo. Esse
vergonhoso recuo aumentará os riscos de vida para todos os que
vem contribuindo com a Justiça e o combate ao crime organizado
no Estado. E as autoridades responsáveis por tal decisão
passam a ser moralmente responsáveis pelo que vier a acontecer
com os capixabas que tiveram a coragem de denunciar os
criminosos infiltrados no Estado.
Em conjunto com
entidades da sociedade civil e o movimento social em direitos
humanos, continuaremos propugnando pela validade da decisão do
CDDPH. Para isso,
teremos uma reunião nesta quinta-feira (11/07/02), na Comissão
de Direitos Humanos, para definirmos os próximos passos nesse
sentido.
Esse fato gravíssimo
vem se somar a dois outros também tendentes a garantir a
impunidade. O primeiro foi a decisão absolutamente equivocada
do presidente da Câmara dos Deputados de "anular" a
decisão do Conselho de Ética da Casa, de propor a cassação
do mandato do deputado José Aleksandro, por quebra de decoro
parlamentar, ao envolver-se com o crime organizado no Acre.
O segundo fato foi a
aprovação praticamente clandestina pela Comissão de Constituição
e Justiça da Câmara de um projeto - que analistas sabem que é
originário do Palácio do Planalto - garantindo foro
privilegiado a autoridades mesmo depois de deixarem os cargos.
Esses três fatos evidenciam uma ação estratégica do governo
federal de assegurar a impunidade de pessoas ligadas ao poder
constituído, reforça o descrédito nas instituições democráticas,
encoraja o crime organizado e afronta os direitos humanos.
São Paulo, 09 de
julho de 2002
Deputado Orlando
Fantazzini (PT-SP)
Presidente da
Comissão de Direitos Humanos
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