|
Internet para
Necessidades Especiais
"Internet is for everyone"
-
Vint Cerf, Chairman, Internet Societal Task Force
-
"The power of the Web is in its
universality.
Access by everyone regardless of disability is an essential aspect."
-
Tim Berners-Lee, W3C Director and inventor of the World
Wide Web
Este Livro é dedicado
aos criadores de conteúdo na Web
e ao Ricardo Nuno Silva - Co-coordenador da Petição
pela Acessibilidade da Internet Portuguesa
Índice
-
Algumas Palavras
-
Prefácio
-
Introdução
-
Entrevista de Manuel Matos a
Paulo Machado
-
Perguntas e Respostas
-
Símbolo de Acessibilidade na Web
-
Requisitos de Acessibilidade do
GUIA
-
Directivas para a Acessibilidade do
conteúdo da Web, do W3C
-
Lista de confirmação dos pontos
de Verificação de Directivas de Acessibilidade
-
Resolução do Conselho de Ministros
sobre Acessibilidade da Internet
-
Relatório da Assembleia da República
sobre a Petição pela Acessibilidade da Internet
-
Endereços úteis na Internet
Algumas Palavras
As novas tecnologias de informação e comunicação não
são apenas instrumentos de trabalho na Universidade de Trás-os-Montes e
Alto Douro. Implantada numa região com as vicissitudes da interioridade,
nomeadamente a ruralidade, acessibilidade e um tecido económico e social
pouco desenvolvido, o uso destas tecnologias constituem-se como factores
críticos e decisivos para a supressão das desvantagens da sua situação
geográfica.
Acessibilidade e desvantagem serão sempre aspectos com
que a UTAD terá que lidar para promover o desenvolvimento da região em
que se insere. Estes problemas têm o seu expoente máximo ao nível da
condição social e humana em que se encontram os cidadãos com
necessidades especiais. Também nestes casos a tecnologia é, sem dúvida,
um elemento que atenua as suas desvantagens alterando significativamente
as suas capacidades de participação social.
Esta atenção para com os cidadãos com necessidades
especiais não é nova na UTAD. Foi nesta casa que o Engº Francisco
Godinho, ex-aluno do curso de Engenharia Electrotécnica e actual
colaborador da UTAD, organizou, em colaboração com Ex-Centro de Suporte
a Pessoas com Deficiência da IBM, Departamento de Engenharias e o Núcleo
de Estudantes de Engenharia Electrotécnica da UTAD, a primeira exposição
de informática para pessoas com deficiência em Portugal. A exposição
"Ajudando as pessoas com tecnologia" decorreu em Março de 1990.
É com muito orgulho que a UTAD constata que a formação
que ministra aos seus alunos de engenharia pode ser facilmente orientada
para áreas como a reabilitação e integração de cidadãos com
necessidades especiais.
Consciente da carência de profissionais qualificados
em engenharia de reabilitação no nosso País, das linhas de orientação,
desafios e complexidade da Iniciativa Nacional para Cidadãos com
Necessidades Especiais, promovida pelo Governo através da Missão para a
Sociedade da Informação, e da urgência do apoio a estes cidadãos, a
UTAD dará o seu contributo para atenuar as suas desvantagens.
O Reitor da UTAD
José Manuel Gaspar Torres Pereira
Professor Catedrático
Prefácio
O presente documento, da
responsabilidade do GUIA - Grupo Português pelas Iniciativas da
Acessibilidade e da UTAD - Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, constitui-se
como um complemento ao seminário "Internet para Necessidades
Especiais", para a sensibilização promoção e divulgação da
acessibilidade da Internet para cidadãos com necessidades especiais e,
bem como, uma base de trabalho para a criação de um Guia Oficial de
Acessibilidade à Internet em Portugal
Este documento inclui a experiência do
GUIA nesta matéria nas secções "Perguntas e Respostas",
"Requisitos de Acessibilidade" e "Endereços úteis na
Internet", a Resolução de Conselho de Ministros sobre a
acessibilidade da Internet, o relatório e parecer da Assembleia da
República sobre a petição pela acessibilidade da Internet, a tradução
Portuguesa da UTAD sobre as directivas para a acessibilidade do conteúdo
da Web, do W3C e o testemunho do Dr. Paulo Machado (membro do GUIA)
recolhido de uma entrevista ao GUIA conduzida pelo Dr. Manuel Matos -
dirigente da Associação Portuguesa de Doentes Neuromusculares. Nesta
entrevista, os interlocutores são pessoas com necessidades especiais.
O envolvimento da UTAD nesta área enquadra-se no âmbito do
desenvolvimento de competências em engenharia de reabilitação,
prevendo-se para breve uma interface de extensão à comunidade através
da criação de um Centro de Engenharia de Reabilitação.
UTAD, 17 de Outubro de 1999
Francisco Godinho
Engenheiro de Reabilitação da UTAD
Coordenador do GUIA
Email: godinho@utad.pt
Introdução
As novas tecnologias (sobretudo no campo das comunicações)
permitem-nos hoje aceder a instrumentos de trabalho e a fontes de informação
impensáveis há bem pouco tempo. A facilidade, a rapidez e a supressão
de barreiras geográficas tornam possível o acesso aos mais diversos
canais potenciadores de conhecimento, mas também de convívio e de lazer.
Para aqueles cuja autonomia é condicionada por inúmeras barreiras
arquitectónicas, dificuldades em utilizar meios de transporte público ou
privado e manifestas desvantagens no acesso à informação que os impedem
de conhecer e viver a "normalidade", a utilização de um
computador e o acesso à Internet podem significar uma liberdade até aí
apenas sonhada.
Quais são, então, os motivos que nos levam a falar da
urgência da criação de uma Internet para necessidades especiais? Um
grande número de pessoas com necessidades especiais têm manifestas
limitações ao nível motor, da visão, da audição, da fala, da
concentração, memorização, leitura ou percepção (paralisias, amputações,
dificuldade de controlo dos movimentos, cegueira, surdez, etc.) que os
inibem ou impossibilitam de utilizar plenamente as potencialidades deste
meio de comunicação.
A criação de uma "Internet para necessidades
especiais" baseia-se na concepção de equipamentos, software e conteúdos
(por exemplo a Web e o correio electrónico) com características de
acessibilidade para pessoas com necessidades especiais. A criação de
canais de acessibilidade alternativos permitem a estes cidadãos (sem dúvida
aqueles que são confrontados com os maiores obstáculos, tanto físicos
como de ordem social) acederem a um conjunto imenso de fontes de (in)formação,
estabelecerem contactos e trocarem informações, exercerem uma
actividade, encontrarem formas alternativas de lazer e de divertimento,
aumentarem as suas relações de amizade, em suma, construírem uma vida
com significado.
Em 26 e Agosto de 1999 Portugal tornou-se o 1º país
europeu e o 4º país no mundo - a seguir aos Estados Unidos, ao Canadá e
à Austrália, a regulamentar a adopção de regras de acessibilidade na
concepção da informação disponibilizada na Internet pela Administração
Pública, com o objectivo de facilitar o seu acesso a pessoas com
necessidades especiais, designadamente pessoas com deficiências e idosos.
Esta regulamentação constitui a Resolução de Conselho de
Ministros Nº 97/99 e foi publicada no Diário da República Nº 199, I Série
B, em 26/08/99.
Trata-se de uma medida que se insere no plano de
concretização da Iniciativa Nacional para os Cidadãos com Necessidades
Especiais na Sociedade da Informação (INCNE), criada pela Resolução do
Conselho de Ministros Nº 96/97. Dá-se com ela igualmente sequência à
recomendação e parecer da Comissão de Assuntos Constitucionais,
Direitos Liberdades e Garantias da Assembleia da República sobre a petição
pela acessibilidade da Internet Portuguesa, aprovada a 30 de Junho de
1999, que propugnava a adopção das medidas necessárias e adequadas a
garantir a plena acessibilidade da informação disponível na Internet a
todos os cidadãos com necessidades especiais.
A petição pela acessibilidade da Internet Portuguesa
foi a primeira iniciativa oficial do GUIA (Grupo Português pelas
Iniciativas em Acessibilidade) que se associou desde o primeiro dia da sua
constituição a esforços que a outros níveis tem sido desenvolvidos
para enfrentar o mesmo problema, seja a nível internacional, como a
Iniciativa para a Acessibilidade da Web (Web Accessibility Initiative)
promovida pelo World Wide Web Consortium (W3C), ou mesmo a INCNE promovida
pelo Governo Português através da Missão para a Sociedade de Informação.
O W3C (World Wide Web Consortium), o organismo responsável
pelos standards mundiais relacionados com a web, publicou no dia 5 de Maio
de 1999, o seu primeiro documento que servirá de referência para a
acessibilidade na Internet. O documento tem o nome de "Directivas
para a acessibilidade do conteúdo da Web - 1.0" (Web Content
Accessibility Guidelines 1.0) e pretende explicar como tornar o conteúdo
web acessível a pessoas com deficiências.
Neste documento podem encontrar a tradução portuguesa
das directivas para a acessibilidade do conteúdo da Web do W3C. A tradução,
manutenção e revisão deste documento é da responsabilidade da
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). A tradução foi
aprovada em 7 de Outubro pelo W3C e encontra-se disponível ao público na
Internet no sítio da UTAD em http://www.utad.pt/wai/wai-pageauth.html. A
reprodução e distribuição é livre, desde que cumpra os requisitos do
documento do W3C sobre direitos de autor e copyright.
Em setembro de 1999 a UTAD iniciou uma colaboração
muito estreita com o GUIA, tendo, até ao momento, como expressão mais
visível a organização do seminário "Internet para
Necessidades Especiais" que terá lugar dia 17 de Outubro, na
Exponor, como actividade paralela da AJUTEC - Feira Internacional de
Ajudas Técnicas para Pessoas com Deficiências e a publicação deste
documento.
Tornar a televisão, o teletexto, os jornais, os Bancos
e o correio electrónico acessíveis na Internet a cidadãos com deficiências
são alguns dos temas a apresentar neste seminário a par das recentes
iniciativas governamentais das quais se destacam a legislação sobre
acessibilidade à Internet e a Iniciativa Nacional para os Cidadãos com
necessidades Especiais.
Este seminário pretende proporcionar aos profissionais
de comunicação social, informáticos, criadores de conteúdo para a web,
técnicos de reabilitação, professores, pessoas com deficiência e a
todo público interessado uma ampla visão das medidas governamentais para
os cidadãos com necessidades especiais, no âmbito da Sociedade da
Informação, bem como algumas das mais recentes inovações tecnológicas
no campo da acessibilidade à Internet.
Entrevista de Manuel Matos a
Paulo Machado - Autor do teclado virtual: Virtec
12 de Dezembro de 1998
Manuel Matos: Coube-lhe a si, amigo
Paulo, ser a primeira personagem desta série de casos reais. (Coube-nos a
nós esse privilégio.) Daí, o nosso agradecimento preambular - e que se
estende a todos os futuros participantes - pela sua disponibilidade.
Paulo Machado: Eu é que agradeço por
me terem escolhido para dar o `pontapé de saída'. É, talvez, uma forma
ligeira de começar esta rubrica, pois sou ainda muito `verde' nestas
andanças, espero por isso não vos desiludir, pois a minha reduzida
experiência não me permite ter, deste sector social, uma visão
abrangente e esclarecida.
MM: Antes de mais, penso que seria importante o
Paulo Machado partilhar connosco os dados por que se identifica - idade,
grau académico, profissão, doença.
PM: Tenho 34 anos, sou licenciado em Ciências
Farmacêuticas - Ramo: Farmácia Industrial, pela Faculdade de Farmácia
do Porto, actualmente sou Director Técnico de uma empresa distribuidora
de medicamentos de uso veterinário e tenho Esclerose Lateral Amiotrófica.
MM: Quando se manifestou e como
PM: Os primeiros sintomas surgiram no Verão
de 1988. Estava eu na praia quando verifiquei que, devido ao frio da água,
não conseguia unir os dedos da mão direita.
No início essa dificuldade desaparecia quando a mão
aquecia, depois tornou-se pouco a pouco permanente ao mesmo tempo que as cãimbras
e a atrofia muscular se agravavam.
Da mão direita passou para o braço, depois o mesmo
aconteceu à mão e braço esquerdo e só então, cerca de 3 anos e meio
depois, afectou as
pernas. Actualmente afecta-me, praticamente, todos
os músculos do corpo, inclusivamente os da fala, deglutição e respiratórios.
Felizmente (nos momentos mais difíceis acho que
infelizmente ...) a doença tem tido uma evolução muito lenta, pois ao
fim de 10 anos ainda atinjo o valor 16/40 da Amyotrophic Lateral Sclerosis
Functional Rating Scale.
A baixa idade em que se manifestou (23 anos) e a evolução
lenta, fazem de mim um caso relativamente raro, pois a doença normalmente
manifesta-se entre os 40 e os 70 anos e costuma ser fatal em 2 a 5 anos após
os primeiros sintomas.
MM: Ou seja; o Paulo pode dizer que tinha uma
vida antes da declaração da doença e adquiriu uma outra, depois. Hoje,
alguns anos volvidos, quais lhe parecem ter sido as consequências mais
dolorosas dessa mudança? (Procure referir-se apenas às duas mais
traumatizantes.)
PM: Têm sido muitas e variadas as experiências
dolorosas ao longo dos últimos 10 anos.
A mais dolorosa foi, sem dúvida, a perda da independência
e da liberdade de movimentos, e, consequentemente, dos pequenos prazeres
(para não falar dos grandes ...), que temos tendência a considerar
garantidos para toda a vida e quase nunca lhes damos valor (até que os
perdemos), como : pegar numa esferográfica e assinar o nome, comer e
beber pela própria mão, andar, correr, falar e ser compreendido sem ter
que reduzir a ideia ao mínimo de palavras, por falta de fôlego, pegar
num objecto e sentir-lhe a textura e as formas, pegar numa criança ao
colo, tocar uns acordes na viola (mesmo que desafinados :-). Enfim, a
lista é infinita.
É-me, pois, muito dificil ficar dependente de alguém
para fazer as tarefas mais insignificantes e simples e ter uma vida cada
vez mais minimalista e reduzida a pouco mais do que a satisfação das
necessidades básicas.
A mente continua a funcionar a 100%, mas muitos dos
pensamentos, ideias, sentimentos e emoções acabam por não se
manifestar, ou são mesmo auto-censurados, pois nunca terão viabilidade.
A segunda consequência foi deixar de `esperar
ansiosamente pelo futuro', pois, dado o carácter evolutivo da doença,
sei que, se hoje estou
mal, amanhã estarei, provavelmente, pior.
Dir-me-ão que esta é uma visão pessimista da vida.
É verdade (por isso, é dolorosa ), mas é também uma forma de
`auto-protecção', porque já estou cansado de alimentar falsas esperanças
e a queda de uma esperança é sempre mais dolorosa que a anterior.
Li uma vez que `mais vale não ter esperança nenhuma,
do que ter uma mão cheia de falsas esperanças'. Na altura não concordei
com a frase, mas hoje sei o quanto é verdadeira.
Além disso, apesar da minha formação académica (ou
por isso mesmo...), não espero, num futuro próximo, grandes avanços a nível
de tratamento ou cura para esta doença (recentemente experimentei o
primeiro medicamento específico para a doença e que supostamente
atrasaria a sua evolução, mas o resultado foi o oposto, passei de 20/40
para 16/40 em apenas 2 ou 3 meses).
MM: Claro que o computador, como para todos nós
que aqui estamos, é uma ferramenta (de trabalho, de lazer, de investigação...)
privilegiada. Como se relaciona fisicamente com ele?
PM: A minha ligação física ao computador
é feita, apenas, através do rato, uma vez que já não consigo usar o
teclado.
MM: Recorre a algum hardware ou software
especial? Fale-nos disso.
PM: Sim. Para escrever recorro a um teclado
virtual de ecrã (Virtec 2.0). O Virtec é um programa que eu próprio
fiz, quando praticamente já não usava o computador, devido à cada vez
maior dificuldade que tinha em escrever com o teclado. Curiosamente, o que
mais me incentivou a fazer o Virtec, foi o desejo de me ligar à Internet
e "partir desta para melhor" :-).
Fui programador profissional durante 5 anos, fiz
dezenas de programas, quase todos de gestão comercial ou industrial. Este
é o único que fiz para uso pessoal, mas é já o mais importante do meu
computador; sem ele, os outros de pouco, ou nada, me serviriam.
Aproveito para dizer, a quem estiver interessado, que o
Virtec 2.0 está disponível, como Careware, na minha página pessoal em
http://homepage.esoterica.pt/~shannbyl/.
MM: Já que se referiu à Internet; desde quando
a usa? Isso mudou algo na sua vida?
PM: Infelizmente só comecei a usar a
Internet em Maio de 98. A Internet já é, para muitos, uma ferramenta
importante, mas para uma pessoa com mobilidade reduzida, como eu, ela é
muito mais do que isso. Ela é, muitas vezes, o único meio disponível
para encontrar toda a informação que procuro, trocar opiniões com quem
tem os mesmos interesses e problemas e é um meio rápido e fácil de
contactar (e fazer) amigos.
MM: Tenho para mim que tudo possui duas
vertentes contraditórias, ou seja, que nada é completamente positivo nem
completamente negativo. Nesta perspectiva, e se algum houve, qual foi o
lado positivo que a «nova vida» lhe trouxe?
PM: Concordo inteiramente consigo, tudo tem
um lado positivo, embora nem sempre o consigamos / queiramos ver.
No meu caso, houve uma série de factores, nem todos
directamente relacionados com a doença, que me proporcionaram experiências
muito enriquecedoras e me fizeram ver que há outras realidades para além
da minha e, por isso, tento ser mais tolerante quanto à diferença de
atitudes, opções e opiniões.
Sou, hoje, muito mais sensível e cuidadoso no emprego
de certas palavras, como amizade, solidariedariedade, amor, fraternidade,
etc, que estão tão desvirtualizadas e banalizadas por serem tão
frequentemente ditas, mas pouco ou nada sentidas e praticadas.
MM: Depois do choque ao saber que tinha a doença
que tem, com que dificuldades de ordem prática se confrontou?
PM: Não sei se se refere à falta de apoios
por parte de entidades estatais ou privadas.
Isso ainda não senti, talvez porque, praticamente,
ainda não os
requeri, e os poucos que solicitei foram-me
concedidos sem dificuldades anormais a um estado burocrático, centralista
e desprovido de meios técnicos.
Temo estar agora a entrar na fase em que esses apoios
são bem-vindos. Claro que deparo, quase todos os dias, com as famigeradas
barreiras arquitectónicas, algumas completamente incompreensíveis e
absurdas como as de alguns hospitais, clínicas e centros de saúde.
MM: Apesar de tudo, considera que o que lhe
aconteceu foi uma tragédia? Gostava que falasse um pouco sobre isso.
PM: Foi uma reviravolta de 180º,
relativamente ao que tinha sonhado para mim, que me trouxe tudo aquilo que
mais temia e numa idade em que as expectativas e esperanças são muitas.
Estava na linha de partida para a grande jornada que é
a vida, tinha tudo para que fosse uma agradável aventura e, de repente,
tudo foi por água abaixo. Dei por mim alinhado para iniciar uma aventura
que não era a minha, para a qual não estava preparado, que aponta para
uma meta assustadora e por caminhos muito dificeis.
Mas, mesmo assim, não é uma tragédia.
MM: A propósito; o nome Stephen Hawking diz-lhe
alguma coisa?
PM: Ouvi, pela primeira vez, este nome pouco
depois de me ter sido diagnosticada a doença.
Fiquei um pouco surpreendido com a coincidência do
caso clínico, pois temos a mesma doença, que nos afectou quase na mesma
idade e tem, em ambos, uma evolução anormalmente lenta, embora ele
esteja doente há muito mais tempo que eu.
Ele é apontado, por muitos, como um exemplo a seguir
por todos os que têm algum tipo de deficiência, talvez porque, apesar de
altamente incapacitado fisicamente, casou, tem uma família e tem um
emprego que o realiza e para o qual praticamente só precisa da
inteligência. Mas o mais importante foi ter conseguido que, e segundo o
que ele disse, a vida que tem não seja muito diferente da que teria sem a
doença.
Isto é, sem dúvida, um feito notável, mas convém
não esquecer que é o resultado da feliz conjunção de múltiplos
factores, como: ter uma personalidade sedentária e intelectual, ter uma
inteligência acima do normal, ter paixão pela física teórica, ter
encontrado as pessoas certas no tempo certo, viver num meio
sócio-cultural aberto e despreconceituoso e, claro, muita força de
vontade.
Ora, nem todos têm estes atributos, interesses e
"sorte", por isso não devemos deixar que nos imponham
expectativas que não desejamos ou não podemos alcançar, por muito que
nos esforcemos. Saber reconhecer os próprios limites é meio caminho para
o equilibrio emocional.
MM: Hoje, como pessoa com necessidades
especiais, quais são as grandes lutas?
PM: Visto não haver muito a fazer a nível médico,
a minha luta diária é aprender a viver o melhor possível com as limitações
que vão surgindo no dia-a-dia, sem tentar atribuir culpas à sociedade
pelas suas imperfeições, pois se nenhum de nós é perfeito, porque
haveria a sociedade de o ser ?
MM: Este nosso diálogo está a ser acompanhado
por muita gente que terá passado experiências semelhantes. Haverá algo
que considera importante dizer-lhes?
Como não gosto de dar conselhos, só lhes posso
dizer aquilo que faço, elas concordarão, ou não, comigo.
Quando, em Londres, me confirmaram ( com reticências )
o diagnóstico, prometi a mim mesmo "vender" o mais caro possível
o bem mais precioso que possuía - a saúde.
É isso que tenho feito desde então, usando até ao
limite as forças que me restam, mesmo que me chamem teimoso e orgulhoso
por não pedir ajuda. Também decidi não me esconder, embora me doa muito
ser olhado, ou com olhos de "carneiro mal morto" a dizer -
Coitadinho -, ou com olhos de "boi a olhar para um palácio" a
dizer - Que é aquilo ?
De resto, tento gozar os pequenos prazeres que aparecem
e não olho para trás, o passado nunca me atraiu, e evito olhar muito
para a frente,
só o necessário, pois arrisco-me a ver o que não
quero.
MM: Resta-me agradecer mais uma vez a sua
disponibilidade e, se me permite, dar-lhe um grande abraço solidário.
Independentemente das nossas limitações, as nossas vidas valem a pena e
tanto mais quanto nós formos unidos na senda de um aspecto da evolução
humana que se encontrou estagnada durante séculos que equivalem a uma
eternidade.
PM: Agradeço e retribuo o abraço e desejo a
todos, com ou sem limitações, com ou sem deficiências, doentes ou não,
uma vida plena de paz interior e o máximo de saúde.
Perguntas e Respostas
Esta secção é baseada no Guia de Acessibilidade
proposto pelo GUIA (Grupo Português pelas Iniciativas em Acessibilidade)
na petição pela acessibilidade da Internet Portuguesa.
O QUE SIGNIFICA INTERNET PARA NECESSIDADES
ESPECIAIS?
Um grande número de pessoas com necessidades especiais
têm manifestas limitações ao nível motor, da visão, da audição, da
fala, da concentração, memorização, leitura ou percepção
(paralisias, amputações, dificuldade de controlo dos movimentos,
cegueira, surdez, etc.) que os inibem ou impossibilitam de utilizar
plenamente as potencialidades deste meio de comunicação.
Uma "Internet para necessidades especiais"
baseia-se na concepção de equipamentos, software e conteúdos (por
exemplo a Web e o correio electrónico) com características de
acessibilidade para pessoas com necessidades especiais.
Embora se debruce, geralmente, sobre utilizadores com
limitações físicas ou sensoriais, o conceito não se limita a estas
questões. Por exemplo: utilizadores que possuem modems mais lentos e que
decidam desactivar a apresentação de gráficos encontram dificuldades
similares às sentidas por pessoas com limitações de visão. As soluções
encontradas para acrescentar legendas, destinadas aos utilizadores surdos,
podem permitir utilizar índices de texto na busca de documentos de vídeo
e de áudio
QUE OPORTUNIDADES OFERECE A INTERNET A CIDADÃOS COM
NECESSIDADES ESPECIAIS?
A acessibilidade às tecnologias de informação e
comunicação deve ser considerada como um factor de qualidade de vida a
que todos têm direito. Para a maioria das pessoas a tecnologia torna a
vida mais fácil. Para uma pessoa com necessidades especiais, a tecnologia
torna as coisas possíveis.
O precário acesso à informação e a serviços de
telecomunicações, as barreiras arquitectónicas e a escassez de
transportes públicos adaptados têm constituído um dos mais sérios obstáculos
à integração escolar,
profissional e social dos cidadãos com necessidades
especiais, limitando o seu acesso à equiparação de oportunidades a que,
inegavelmente, têm direito.
A utilização de um computador e o acesso à Internet
permitem a estes cidadãos (sem dúvida aqueles que são confrontados com
os maiores obstáculos, tanto físicos como de ordem social) acederem a um
conjunto imenso de fontes de (in)formação, estabelecerem contactos e
trocarem informações, exercerem uma actividade, encontrarem formas
alternativas de lazer e de divertimento, aumentarem as suas relações de
amizade, em suma, construírem uma vida com significado.
QUAL É A PERCENTAGEM DE CIDADÃOS COM NECESSIDADES
ESPECIAIS ?
As pessoas idosas e com deficiência constituem uma
elevada percentagem da população mundial. Estes dois segmentos da população
estão fortemente correlacionados em termos de necessidades especiais. Nos
Países da União Europeia, o número de pessoas idosas e/ou com deficiência
situa-se entre 60 e 80 milhões de pessoas. Este número está a crescer e
estima-se que no ano 2020 uma em cada quatro pessoas (25%) se encontre
nesta situação!
Em Portugal, a taxa de população portadora de deficiências
ronda os 9,16%:
Visão-135.428; Audição-115.066; Fala-66.778; Outras
de Comunicação-87.665; Cuidado Pessoal-130.801; Locomoção-357.495;
Tarefas Diárias-106.870; Face a Situações-418.889;
Comportamento-199.525.
O QUE É A ACESSIBILIDADE?
A Acessibilidade que defendemos envolve três noções:
"Utilizadores", "Situação" e "Ambiente":
- O termo "Utilizadores" significa que nenhum
obstáculo é imposto ao indivíduo face às suas capacidades sensoriais e
funcionais.
- O termo "Situação" significa que o
sistema é acessível e utilizável em diversas situações,
independentemente do software, comunicações ou equipamentos.
- O termo "Ambiente" significa que o acesso não
é condicionado pelo ambiente físico envolvente, exterior ou interior.
A acessibilidade da Internet caracteriza-se pela
flexibilidade da informação e interacção relativamente ao respectivo
suporte de apresentação. Esta flexibilidade permite a sua utilização
por pessoas com necessidades especiais, bem como a utilização em
diferentes ambientes e situações, e através de vários equipamentos ou
navegadores.
QUAIS SÃO OS CONSTRANGIMENTOS NO ACESSO À
INTERNET?
Utilizadores
Problemas sentidos por utilizadores com vários tipos
de limitações:
1 - Os utilizadores cegos poderão ter dificuldade em:
- obter informações apresentadas visualmente;
- interagir usando um dispositivo diferente do teclado
(como o rato, por exemplo);
- distinguir rapidamente as ligações num documento;
- navegar através de conceitos espaciais;
- distinguir entre outros sons uma voz produzida por síntese.
2 - Os utilizadores amblíopes ou daltónicos poderão
ter dificuldade em:
- distinguir diferenças cromáticas, de contraste ou
de profundidade;
- utilizar informação dependente das dimensões;
- distinguir entre diferentes tipos de letra;
- localizar e/ou seguir ponteiros, cursores, pontos
activos e locais de recepção de objectos, bem como manipular
directamente objectos gráficos.
3 - Os utilizadores com dificuldades de audição poderão
ter dificuldade em:
- distinguir alterações de frequência;
- ouvir certas gamas de frequências;
- localizar sons;
- identificar sons específicos entre o ruído de
fundo.
4 - Os utilizadores surdos poderão ter dificuldade em:
- aperceber-se de informações auditivas;
- produzir fala reconhecível como sendo um sinal
vocal;
- utilizar o inglês como segunda ou terceira língua
(visto a linguagem gestual ser a primeira língua das pessoas que tenham
nascido surdas).
5 - Os utilizadores com limitações motoras poderão
ter dificuldade em:
- carregar simultaneamente em várias teclas (fraca
coordenação de movimentos)
- carregar em teclas enquanto movem o rato;
- deslocar os membros ou tentar alcançar objectos;
- executar acções que impliquem precisão ou rapidez.
6 - Os utilizadores com problemas de concentração,
memorização, leitura ou percepção poderão ter dificuldade em:
- ler sem ouvir o texto lido em voz alta (dislexia);
- executar algumas tarefas no espaço de tempo
requerido;
- ler e compreender as informações existentes;
- perceber qual a função de um objecto gráfico sem
legenda.
7 - Os utilizadores com múltiplas limitações poderão
deparar-se com:
- soluções que criam novas barreiras a um tipo
diferente de limitação
Situação
Problemas relacionados com software, comunicações ou
equipamentos:
- compatibilidade com navegadores;
- utilização de comunicações lentas;
- utilização de equipamento sem saída audio;
- compatibilidade com monitores e resolução de ecrã;
- utilização de vários equipamentos (sem monitor
e/ou sem rato, por exemplo);
- utilização de impressoras monocromáticas.
Ambiente
Problemas relacionados com o ambiente físico
envolvente, exterior ou interior:
- utilização em ambientes ruidosos;
- utilização em ambiente interior/exterior com muita
luminosidade.
A ACCESSIBILIDADE IMPÕE LIMITES AO DESENVOLVIMENTO
DA INTERNET?
A adopção de técnicas de acessibilidade na concepção
das páginas e aplicações para a Internet não são limitações, antes
pelo contrário, estas tornam-nas mais robustas, flexíveis, rápidas e fáceis
de usar para a generalidade dos utilizadores. Permitem também a utilização
de equipamentos menos convencionais para o acesso à Internet como a
televisão, o telefone e equipamentos electrónicos de bolso, bem como a
utilização de equipamentos mais antigos. Estas técnicas permitem ainda
um aumento na indexação e divulgação de páginas e
conteúdos nos motores de pesquisa (cusco, altavista, yahoo, etc.).
QUAL É O OBJECTIVO DAS DIRECTIVAS DE ACESSIBILIDADE
DO GUIA E DO W3C ?
Melhorar a acessibilidade da informação disponível
na Internet, sem prejudicar o seu aspecto gráfico ou funcionalidades. A
sua aplicação deve permitir:
a) a respectiva leitura possa ser feita sem recurso à
visão, movimentos precisos, acções simultâneas ou a dispositivos
apontadores, designadamente ratos;
b) a obtenção da informação e a respectiva pesquisa
possam ser efectuadas através de interfaces auditivos, visuais ou tácteis.
QUEM VAI BENEFICIAR COM ESTAS DIRECTIVAS?
Os utilizadores da Internet, nomeadamente:
Pessoas com deficiências (visuais, auditivas, motoras
e outras)
Idosos
Pessoas que consultam a Internet:
- com modems ou ligações lentas;
- com equipamentos portáteis (ex: agendas electrónicas
ou outros assistentes digitais);
- com equipamentos sem saída audio;
- via audiotexto (consulta da web/email usando
equipamento telefónico);
- em quiosques públicos
As entidades e particulares que disponibilizam informação
na Internet:
Pois aumenta substancialmente o número de utilizadores
que conseguem ter acesso à sua informação.
A IMPLEMENTAÇÃO DA ACESSIBILIDADE É DIFÍCIL E
CARA ?
Dificuldades na concepção: A acessibilidade
resume-se à adopção de uma redundância parcial da informação,
principalmente ao nível dos "caminhos" para os conteúdos;
sendo estes últimos, na sua esmagadora maioria, acessíveis. O tempo
necessário para introduzir técnicas de acessibilidade na concepção de
uma página poderá atingir aproximadamente 5% do tempo gasto para
escolher uma apresentação visual agradável. Esta percentagem poderá
ser superior no caso da
utilização de vídeo e áudio, o que ainda é pouco
frequente.
Dificuldades na adaptação: Se a concepção de
uma página acessível para a Internet não acarreta praticamente custos
adicionais, o mesmo não se pode dizer em relação ás já existentes. As
dificuldades e os encargos de adaptação estão directamente relacionados
com a complexidade e tamanho de cada sítio. De qualquer maneira, as
actualizações periódicas da informação poderão ser aproveitadas para
"concertar" as páginas.
Custos em equipamentos e software: Para conceber
uma página ou aplicação para a Internet acessível a pessoas com
necessidades especiais não é necessário adquirir equipamento ou
programas adicionais.
Custos de aprendizagem: Existem na Internet várias
ajudas para a auto-aprendizagem e para a organização de formação:
documentos públicos contendo exemplos práticos e claros de técnicas
para a acessibilidade; cursos online; utilitários gratuitos (software)
que diagnosticam e sugerem alterações automaticamente; bem como vários
grupos voluntários de suporte.
QUEM DEVE USAR ESTAS DIRECTIVAS?
Estas directivas deverão ser usadas pelos responsáveis
pelo desenvolvimento de conteúdos na Internet.
AS DIRECTIVAS SÃO OBRIGATÓRIAS EM PORTUGAL?
Não. No entanto, Portugal é o primeiro país europeu
com regulamentação sobre acessibilidade dos sítios da administração pública
na Internet pelos cidadãos com necessidades especiais (Resolução de
Conselho de Ministros Nº 97/99 - publicado no Diário da República Nº
199, I Série B, em 26/08/1999). URL:
http://www.mct.pt/novo/legislacao/despachos/cneinter.htm
ONDE ENCONTRAR EXEMPLOS?
Actualmente existem vários documentos que propõem
regras de acessibilidade para a Web, alguns deles contendo exemplos práticos.
Sugerimos a consulta dos seguintes:
Directivas para a acessibilidade do conteúdo da Web -
1.0, do W3C*
http://www.utad.pt/wai/wai-pageauth.html
Requisitos de Acessibilidade do GUIA (Portugal)
http://www.acessibilidade.net
Web Frontiers - access & equity online (Austrália)
http://www.lawlink.nsw.gov.au/aus/access.html
IBM: Web Accessibility for Special Needs *
http://www.austin.ibm.com/sns/accessweb.html
Microsoft Accessibility guidelines for the WWW *
http://www.microsoft.com/enable/dev/web/guidelines.htm
* Inclui exemplos práticos
QUE METODOLOGIA USAR?
1. Implemente as directivas de acessibilidade.
2. Teste a acessibilidade da informação.
3. Faça as correcções necessárias, e volte a
testar.
4. Forneça formas alternativas para consultar a
informação não acessível.
5. Coloque o Símbolo de Acessibilidade na página de
entrada do seu sítio.
COMO TESTAR A ACESSIBILIDADE?
Pode testar a acessibilidade de uma página ou de um sítio,
por exemplo:
- usando ferramentas ou serviços de análise da
acessibilidade e compatibilidade (ex: Bobby http://www.cast.org/bobby)
- visualizando a(s) página(s) em várias condições/ambientes
com:
- imagens activas/inactivas;
- audio ligado/desligado;
- diferentes navegadores (ex: browsers de texto, com síntese
de voz, etc);
- diferentes resoluções gráficas;
- usando apenas o teclado para navegar ou interagir;
- usando utilizadores reais.
COMO IDENTIFICAR UM SÍTIO ACESSÍVEL?
Utilize o Símbolo de Acessibilidade na Web para
indicar que o sítio contém funcionalidades de acessibilidade para cidadãos
com necessidades especiais, para diferentes ambientes, situações,
equipamentos e navegadores. O símbolo deve incluir a definição
ALT="Símbolo de Acessibilidade na Web", e ser colocado na página
de entrada do sítio.
Recomendamos que acompanhe o símbolo da sua respectiva
descrição ("Um globo inclinado, com uma grelha sobreposta. Na sua
superfície está recortado um buraco de fechadura"), através de uma
ligação D.
O SÍMBOLO GARANTE A ACESSIBILIDADE TOTAL?
A afixação do Símbolo de Acessibilidade não garante
que um sítio seja 100% acessível, nem o cumprimento das directivas de
acessibilidade . A utilização deste Símbolo é um acto voluntário que
demonstra, unicamente, um esforço em aumentar a acessibilidade de um sítio.
SÍMBOLO DE ACESSIBILIDADE NA WEB
Utilize o Símbolo de Acessibilidade na Web para
indicar que o sítio contém funcionalidades de acessibilidade para cidadãos
com necessidades especiais, para diferentes ambientes, situações,
equipamentos e navegadores. O símbolo deve incluir a definição
ALT="Símbolo de Acessibilidade na Web", e ser colocado na página
de entrada do sítio.
Recomendamos que acompanhe o símbolo da sua respectiva
descrição ("Um globo inclinado, com uma grelha sobreposta. Na sua
superfície está recortado um buraco de fechadura"), através de uma
ligação D.
A afixação do Símbolo de Acessibilidade não garante
que um sítio seja 100% acessível, nem o cumprimento das Regras de
Acessibilidade. A utilização deste Símbolo é um acto voluntário que
demonstra, unicamente, um esforço em aumentar a acessibilidade de um sítio.
O símbolo de Acessibilidade é propriedade do CPB/WGBH
National Center for Accessible Media (NCAM) e sua reprodução e utilização
é livre. Podem encontrar várias versões deste símbolo em:
http://www.wgbh.org/wgbh/pages/ncam/currentprojects /symbolwinner.html
.
Requisitos de Acessibilidade
do GUIA
A aplicação destes procedimentos (regras) a formas de
escrita e de apresentação de páginas e aplicações na Internet
destinam-se a assegurar que:
a) a respectiva leitura possa ser feita sem recurso à
visão, movimentos precisos, acções simultâneas ou a dispositivos
apontadores, designadamente ratos;
b) a obtenção da informação e a respectiva pesquisa
possam ser efectuadas através de interfaces auditivos, visuais ou tácteis.
As Regras devem ser aplicadas somente à informação
considerada relevante para a compreensão da navegação e/ou conteúdos.
As Regras iniciadas com "Se possível, ..." são recomendações.
Todas as restantes Regras são obrigatórias.
Apresentação da Informação
Imagens
Fornecer descrição textual.
Fornecer equivalente textual para a informação
apresentada nos gráficos.
Audio
Fornecer descrição textual.
Se possível, fornecer transcrição textual e/ou
legendas.
Facilitar a interrupção da legendagem e de sons automáticos/repetitivos.
Animações ou Vídeos
Fornecer legendas, descrições e/ou transcrições.
Mostrar a legendagem na mesma página da animação ou
vídeo.
Se possível, fornecer descrições audio.
Objectos executáveis
Fornecer descrição sobre o seu objectivo ou modo de
funcionamento.
Fornecer alternativas se o objectivo não for acessível.
Informação dinâmica
Fornecer uma versão estática.
Permitir interromper ou parar: objectos e páginas de
actualização automática, movimentos ou efeitos de piscar.
Cores
Garantir um bom contraste entre a cor do texto e o
fundo.
Permitir que a cor do texto, ligações e fundo possa
ser alterada.
Garantir que os textos e gráficos mantêm a
legibilidade e significado quando observados sem cores.
Disposição da informação
Se possível, permitir que a disposição da informação
possa ser reestruturada.
Atribuir nomes descritivos e consistentes à estrutura
e elementos da página.
Contactos
Fornecer uma forma simples e óbvia para contactar a
pessoa da organização responsável pela informação e o(s)
administrador(es) do sítio.
Fornecer o endereço, telefone e fax da organização.
Navegação
Ligações
Garantir que as ligações textuais são palavras ou
expressões compreensíveis fora do contexto.
Fornecer equivalente textual das ligações embutidas
em objectos.
Interacção
Permitir a activação dos elementos da página através
do teclado.
entação
Identificar claramente a localização actual do
utilizador na estrutura da informação.
Colocar os objectos interactivos e ligações numa
ordem lógica que permita uma navegação clara e compreensível através
do teclado.
Fornecer uma ligação para a página de entrada do sítio,
em todas as páginas.
Fornecer índice do conteúdo em sítios complexos.
Conformidade
Verificar a acessibilidade e validar a codificação
seguindo standards
actuais e ferramentas de diagnóstico.
Os sítios da Internet que satisfaçam os requisitos de
acessibilidade referidos deverão indicá-lo de forma clara, através de símbolo
na página de entrada a que reconhecidamente seja associada essa característica.
Glossário
Gráficos: imagens contendo informação
quantitativa ou qualitativa (como gráficos de barras ou tarte).
Objectos executáveis: objectos que podem ser
manipulados para dar acesso à informação ou produzir resultados.
Informação dinâmica: informação que é
actualizada após uma interacção ou período de tempo.
Sobre este documento
Este documento fez parte das regras de acessibilidade
propostas pelo GUIA (Grupo Português pelas Iniciativas em Acessibilidade)
na petição pela acessibilidade da Internet Portuguesa.
Foi elaborado por Francisco Godinho e Ricardo Silva e
revisto e pelos seguintes especialistas:
Cynthia D. Waddell, ADA Coordinator City of San Jose,
CA - EUA
http://www.ci.san-jose.ca.us/index.html
David Bolnick, Microsoft - EUA
http://www.microsoft.com/enable
Earl Jonhson, SUN Microsystems - EUA
http://www.sun.com/tech/access/
Emmanuelle Gutiérrez y Restrepo, SID@R - Espanha
http://www.sidar.org
Geoff Freed, CPB/WGBH National Center for Accessible
Media - EUA
http://www.wgbh.org/wgbh/pages/ncam/
Neill McBride, Dolphin Computer Access - Reino Unido
http://www.dolphinuk.co.uk
Javier Romañach, COCEMFE - Espanha
http://www.cocemfe.es
Phill Jenkins, IBM Special Needs - EUA
http://www.ibm.com/sns
Directivas para a acessibilidade do
conteúdo da Web - 1.0
Recomendação do W3C, de 5 de Maio de 1999
Este documento é uma versão traduzida de Web Content
Accessibility Guidelines 1.0, do W3C, podendo conter erros de tradução.
A versão normativa, no idioma inglês, pode ser encontrada no endereço:
http://www.w3.org/TR/WAI-WEBCONTENT
Esta tradução da versão inglesa encontra-se no
endereço:
http://www.utad.pt/wai/wai-pageauth.html.
Tradutores:
Pedro Pla Afonso Dias: pla@ip.pt
Leonel Morgado: leonelm@bigfoot.com
Ana Cardoso Pires: escrivao@mail.telepac.pt
A tradução, manutenção e revisão deste documento
é da responsabilidade da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
(UTAD). A reprodução e distribuição é livre, desde que cumpra os
requisitos do documento do W3C sobre direitos de autor e copyright.
Editores:
Wendy Chisholm, Trace R & D Center, Universidade de
Wisconsin - Madison (EUA)
Gregg Vanderheiden, Trace R & D Center,
Universidade de Wisconsin - Madison (EUA)
Ian Jacobs, W3C
Copyright © 1999 W3C (MIT, INRIA, Keio). Todos os
direitos reservados. São aplicáveis as disposições do W3C relativas a
responsabilidade, marcas, utilização de documentos e licenciamento de
software.
Sinopse
As presentes directivas explicam como tornar o conteúdo
Web acessível a pessoas com deficiências. Destinam-se a todos os
criadores de conteúdo Web (autores de páginas e criadores de sítios) e
aos programadores de ferramentas para criação de conteúdo.
O principal objectivo destas directivas é promover a acessibilidade. No
entanto, a sua observância fará também com que o conteúdo da Web se
torne de mais fácil acesso para todos os utilizadores, independentemente
do respectivo agente do utilizador (por ex., navegador de ambiente de
trabalho, navegador por voz, telemóvel, computador pessoal para o automóvel)
e quaisquer que sejam as limitações associadas à respectiva utilização
(ambientes barulhentos, divisões mal iluminadas ou com excesso de iluminação,
utilização em modo mãos-livres, etc.). A observância destas directivas
irá ainda ajudar as pessoas a encontrarem informações na Web mais
rapidamente. Estas directivas não visam de modo algum restringir a
utilização de imagem, vídeo, etc., por parte dos produtores de conteúdo;
antes explicam como tornar o conteúdo de multimédia mais acessível a um
público mais vasto.
O presente documento constitui-se como uma referência
para princípios de acessibilidade e ideias de concepção. Algumas das
estratégias nele tratadas incidem sobre factores relacionados com a
internacionalização da Web e com o acesso móvel. Todavia, o documento
centra-se no tema da acessibilidade e não trata em profundidade de questões
relacionadas com outras actividades da W3C. Para mais informações,
consulte a página do W3C sobre actividades relacionadas com o acesso móvel
e a página do W3C sobre actividades relacionadas com a internacionalização.
Pretende-se que este documento seja duradouro, razão
pela qual não fornece informações específicas sobre suporte de
navegadores para as diferentes tecnologias, já que seriam informações
necessariamente sujeitas a constantes alterações. Essas informações
pormenorizadas podem obter-se no sítio da Iniciativa para a
acessibilidade da Web (consultar [WAI-UA-SUPPORT]).
Este documento inclui um anexo que organiza os pontos
de verificação por tópico e nível de prioridade. Os pontos de verificação
do anexo têm ligações às respectivas definições, contidas neste
documento. Os tópicos identificados no anexo abrangem imagens, multimédia,
tabelas, frames, formulários e programas interpretáveis. O anexo está
disponível quer como tabela de pontos de verificação, quer como lista
de pontos de verificação.
Um documento separado, sobre técnicas relativas às
directivas para a acessiblidade do conteúdo da Web (versão 1.0)
([TECHNIQUES]), explica como pôr em prática os pontos de verificação
definidos no presente documento. Esse documento de técnicas aborda cada um
dos pontos de verificação em mais pormenor e dá exemplos utilizando a
linguagem de anotação de hipertexto (HTML - Hypertext Markup Language),
as folhas de estilo em cascata (CSS - Cascading Style Sheets), a linguagem
de integração de multimédia sincronizado (SMIL - Synchronized
Multimedia Integration Language ) e a linguagem de anotação matemática
(MathML - Mathematical Markup Language). O documento aborda ainda técnicas
para a validação e teste de documentos e um índice de elementos e
atributos de HTML (indicando quais as técnicas que os utilizam). O
documento de técnicas foi concebido para acompanhar as alterações
tecnológicas e será naturalmente actualizado com mais frequência do que
o presente documento. Nota: Nem todos os navegadores ou ferramentas de
multimédia suportam as funcionalidades descritas nas directivas.
Refira-se, em particular, as novas funcionalidades dos formatos HTML 4.0,
CSS 1 e CSS 2, que podem não ser suportadas.
O documento "Directivas para a acessibilidade do
conteúdo da Web - 1.0" faz parte de uma série de directivas de
acessibilidade, publicadas pela Iniciativa para a acessibilidade da Web.
Dessa série fazem parte as directivas para a acessibilidade de agentes do
utilizador ([WAI-USERAGENT]) e as directivas para a acessibilidade de
ferramentas de criação de conteúdo ([WAI-AUTOOLS]).
Estatuto deste documento
Este documento foi revisto pelos membros do W3C e por
outras partes interessadas. Foi subscrito pelo director do W3C, com o
estatuto de Recomendação do W3C. Trata-se de um documento estável, que
pode ser utilizado como material de referência ou citado como referência
normativa, noutro documento. O propósito do W3C ao emitir esta Recomendação
é chamar a atenção para o especificado e promover a sua adopção
generalizada, tendo em vista potenciar a funcionalidade e a universalidade
da Web.
A versão em língua inglesa das presentes especificações
constitui a única versão normativa. No entanto, existem traduções para
outras línguas, em http://www.w3.org/WAI/GL/WAI-WEBCONTENT-TRANSLATIONS.
A errata relativa à versão original (em língua
inglesa) deste documento está disponível em
http://www.w3.org/WAI/GL/WAI-WEBCONTENT-ERRATA. Agradece-se que comunique
quaisquer erros detectados neste
documento para o endereço wai-wcag-editor@w3.org.
Pode obter-se, a par de outros documentos técnicos,
uma lista das Recomendações do W3C em vigor, no endereço
http://www.w3.org/TR.
A produção deste documento está integrada na
Iniciativa para a acessibilidade da Web, do W3C. O objectivo do Grupo de
trabalho de directivas para conteúdo da Web é descrito na Carta do grupo
de trabalho.
Índice
Sinopse
Estatuto deste documento
1. Introdução
2. Temas da concepção para a acessibilidade
2.1 Assegurar uma transformação harmoniosa
2.2 Tornar o conteúdo compreensível e navegável
3. Organização das directivas
3.1 Convenções utilizadas neste documento
4. Níveis de prioridade
5. Conformidade
6. Directivas para a acessibilidade do conteúdo da Web
1. Fornecer alternativas equivalentes ao conteúdo
sonoro e visual
2. Não recorrer apenas à cor
3. Utilizar correctamente anotações e folhas de
estilo
4. Indicar claramente qual a língua utilizada
5. Criar tabelas passíveis de transformação
harmoniosa
6. Assegurar que as páginas dotadas de novas
tecnologias sejam transformadas harmoniosamente
7. Assegurar o controlo do utilizador sobre as alterações
temporais
do conteúdo
8. Assegurar a acessibilidade directa de interfaces do
utilizador integradas
9. Pautar a concepção pela independência face a
dispositivos
10. Utilizar soluções de transição
11. Utilizar as tecnologias e as directivas do W3C
12. Fornecer contexto e orientações
13. Fornecer mecanismos de navegação claros
14. Assegurar a clareza e a simplicidade dos documentos
Anexo A -- Validação
Anexo B -- Glossário
Bibliografia e agradecimentos
Referências.
A lista de pontos de verificação incluída em anexo
está disponível quer como tabela de pontos de verificação, quer como
lista de pontos de verificação.
1. Introdução
Muita gente não faz ideia do que é, nem que importância
possa ter, a temática da acessibilidade associada à concepção de páginas
para a Web. Pede-se, pois, ao leitor que pense que há muitos utilizadores
que actuam em contextos muito diferentes do seu. Referimo-nos a
utilizadores que podem estar numa das seguintes situações:
- Não ter a capacidade de ver, ouvir ou deslocar-se,
ou que podem ter grandes dificuldades, quando não mesmo a
impossibilidade, de interpretar determinados tipos de informações.
- Ter dificuldade em ler ou compreender textos.
- Não ter um teclado ou rato, ou não ser capazes de
os utilizar.
- Ter um ecrã que apenas apresenta texto, um ecrã de
dimensões reduzidas ou uma ligação à Internet muito lenta.
- Não falar ou compreender fluentemente a língua em
que o documento foi escrito.
- Ter os olhos, os ouvidos ou as mãos ocupados ou de
outra forma solicitados (por ex., ao volante a caminho do emprego ou a
trabalhar num ambiente barulhento).
- Ter uma versão muito antiga de um navegador, um
navegador completamente diferente dos habituais, um navegador por voz, ou
um sistema operativo menos vulgarizado.
Os criadores de conteúdo têm de levar em conta estas
diferentes situações, ao conceberem uma página para a Web. Embora haja
uma multiplicidade de situações, cada projecto de página, para ser
verdadeiramente potenciador da acessibilidade, tem de dar resposta a vários
grupos de incapacidade ou deficiência em simultâneo e, por extensão, ao
universo dos utilizadores da Web. Assim, por exemplo, através da utilização
de folhas de estilo para controlo de tipos de letra e para eliminação do
elemento FONT, os autores de páginas em HTML obtêm um maior domínio
sobre as páginas que criam, tornam-nas mais acessíveis a pessoas com
problemas de visão e, através da partilha de folhas de estilo, reduzem
os tempos de transferência de páginas, para benefício da totalidade dos
utilizadores.
As directivas abordam questões de acessibilidade e
apresentam soluções projectuais. Centram-se em cenários típicos
(semelhantes ao exemplo, acima, sobre os tipos de letra) que podem colocar
problemas a utilizadores com determinadas incapacidades. Por exemplo, a
directiva 1 explica de que modo os criadores de conteúdo podem tornar as
imagens acessíveis. Alguns utilizadores podem não ser capazes de ver
imagens, outros podem utilizar navegadores baseados em texto e que não
suportam imagens, e ainda outros podem ter desactivado o suporte de
imagens (por ex., porque possuem uma ligação lenta à Internet). As
directivas não aconselham a que se evitem as imagens como modo de
melhorar a acessibilidade. Antes, explicam que a disponibilização de um
equivalente textual da imagem pode torná-la acessível.
Como pode um equivalente textual tornar acessível uma
imagem? Ambas as palavras da expressão "equivalente textual" são
importantes:
- O conteúdo textual pode ser apresentado ao
utilizador sob a forma
de discurso sintetizado, em braille ou ainda em texto
visível. Cada um destes três processos faz apelo a um sentido diferente
(o ouvido, no caso do discurso sintetizado; o tacto, no caso do braille; a
vista, no caso do texto visível), tornando as informações acessíveis a
grupos representativos de um vasto leque de incapacidades e deficiências
sensoriais ou outras.
- Para ser verdadeiramente útil, o texto tem de
transmitir a mesma função ou finalidade que a imagem. Veja-se o caso do
equivalente textual de uma imagem fotográfica da Terra vista do espaço.
Se a finalidade da imagem é sobretudo decorativa, um texto do tipo
"Fotografia da Terra, vista do espaço" pode preencher a função
necessária. Já se a finalidade da fotografia for ilustrar uma informação
bem determinada acerca da geografia do planeta, o equivalente textual tem
de transmitir essa informação. Se a fotografia tiver sido inserida na página
para indicar ao utilizador que deve seleccionar a imagem (por ex., fazendo
clique sobre ela), o equivalente textual seria "Informações sobre a
Terra". Assim, se o texto veicular, ao utilizador deficiente, a mesma
função ou finalidade transmitidas aos restantes utilizadores, pode
considerar-se um equivalente textual.
De notar que, para além de beneficiarem os
utilizadores deficientes, os equivalentes textuais contribuem para que
todos e quaisquer utilizadores encontrem as páginas mais depressa, já
que os motores de pesquisa podem servir-se do texto na respectiva indexação.
Embora o fornecimento de equivalentes textuais de
imagens e demais conteúdo de multimédia seja da competência dos
criadores de conteúdo Web, a apresentação das informações ao
utilizador é da responsabilidade dos agentes do utilizador (por ex.,
navegadores e tecnologias de apoio, como os leitores de ecrã, monitores
braille, etc.).
Os equivalentes não textuais de texto (por ex., ícones,
discurso pré-gravado ou um vídeo de uma pessoa a traduzir o texto para língua
gestual) podem tornar os documentos acessíveis a pessoas que tenham
dificuldade em aceder a texto escrito, entre elas as que tenham deficiências
cognitivas, dificuldades de aprendizagem ou surdez. Os equivalentes não
textuais de texto podem também ser úteis a pessoas que não lêem.
Exemplo de um equivalente não textual de informações visuais é a
descrição sonora. A descrição falada de uma passagem visual de uma
apresentação multimédia beneficia quem não consegue ver as informações
visuais.
2. Temas da concepção para a acessibilidade
As directivas abordam dois temas genéricos: assegurar
uma transformação harmoniosa e tornar o conteúdo compreensível e navegável.
2.1 Assegurar uma transformação harmoniosa
Através da observância destas directivas, os
criadores de conteúdo Web podem produzir páginas cuja transformação
seja harmoniosa. Uma página com estas características mantém-se acessível
apesar da presença de quaisquer das limitações descritas sob o título
na introdução, entre as quais se contam as deficiências físicas,
sensoriais e cognitivas, as limitações de trabalho e as barreiras tecnológicas.
Apresentam-se a seguir alguns pontos-chave para a concepção de páginas
no sentido de produzirem uma transformação harmoniosa.
- Separar a estrutura da apresentação (ver a diferença
entre conteúdo, estrutura e apresentação).
- Incluir texto (incluindo equivalentes textuais). O
texto pode ser incluído de tal modo que seja possível de ser
interpretado por praticamente todos os dispositivos de navegação e por
quase todos os utilizadores.
- Criar documentos que cumpram a sua finalidade, mesmo
que o utilizador não consiga ver e/ou ouvir. Fornecer informações que
preencham a mesma finalidade ou função que o áudio ou o vídeo, de tal
modo que se adaptem o melhor possível a canais sensoriais alternativos.
Isto não significa que deva ser criada uma versão áudio pré-gravada de
todo o sítio, para o tornar acessível a utilizadores cegos ou com
grandes problemas de visão. Estes podem recorrer à tecnologia dos
leitores de ecrã para extraírem todas as informações de texto das páginas.
- Criar documentos que não dependam apenas de um tipo
de equipamento. As páginas devem poder ser utilizadas por pessoas que não
possuam rato, que tenham ecrãs pequenos, de baixa resolução ou monocromáticos,
que apenas recebam voz ou texto, etc.
O tema da transformação harmoniosa é tratado
sobretudo nas directivas 1 a 11.
2.2 Tornar o conteúdo compreensível e navegável
Os criadores de conteúdo Web devem tornar as suas
produções
compreensíveis e navegáveis. Isto passa não só por
uma linguagem clara e simples, mas também pela disponibilização de
meios compreensíveis para proceder à navegação entre páginas e no
interior delas. A inclusão de ferramentas de navegação e orientação
nas páginas é um factor potenciador da acessibilidade e da facilidade de
utilização. Nem todos os utilizadores podem servir-se das
"pistas" gráficas (como sejam mapas de imagens, barras de
deslocamento proporcionais, frames colocadas lado a lado, ou gráficos)
que guiam os utilizadores com boa visão, em navegadores, gráficos eles
também, de ambientes de trabalho gráficos. Os utilizadores perdem também
informações de contexto quando apenas conseguem ver uma parte da página,
seja porque estão a aceder à página palavra a palavra (por discurso
sintetizado ou monitor braille), seja secção a secção (num ecrã
pequeno ou fortemente ampliado). Sem informações de orientação, os
utilizadores podem não compreender tabelas, listas ou menus extensos, por
exemplo.
O tema da perceptibilidade e navegabilidade é
sobretudo abordado nas directivas 12 a 14.
3. Organização das directivas
Este documento contém catorze directivas, ou princípios
gerais, sobre concepção da acessibilidade. Cada directiva inclui:
- O número respectivo.
- A ideia-força que lhe está subjacente.
- Ligações para navegação. A presença de três
ligações permite passar para a directiva seguinte (ícone da seta para a
direita), para a anterior (ícone da seta para a esquerda), ou para a posição
que, no índice, é ocupada por essa mesma directiva (ícone da seta para
cima).
- A lógica subjacente à directiva e a indicação de
alguns dos grupos de utilizadores que têm a beneficiar com ela.
- Uma lista de definições de pontos de verificação.
As definições dos pontos de verificação de cada
directiva explicam de que modo esta se aplica a cenários típicos de
desenvolvimento de conteúdo Web. Cada ponto de verificação inclui:
- O número respectivo.
- A ideia-força que lhe está subjacente.
- O nível de prioridade que lhe está associado. Os
pontos de verificação de prioridade 1 são destacados através da
utilização de folhas de estilo.
- Notas informativas facultativas, para esclarecer
exemplos, e ainda referências cruzadas que apontam para directivas e
pontos de verificação relacionados.
- Uma ligação para a secção do documento de técnicas
([TECHNIQUES]), onde são abordadas questões sobre a passagem à prática
dos pontos de verificação, com exemplos.
Pretendeu-se que cada um dos pontos de verificação
fosse suficientemente específico, de maneira a que qualquer pessoa que
passe em revista a página ou sítio possa verificar facilmente que o
ponto de verificação em causa foi satisfeito.
3.1 Convenções utilizadas neste documento
Foram utilizadas neste documento as seguintes convenções
editoriais:
- Os nomes dos elementos aparecem em maiúsculas.
- Os nomes dos atributos aparecem em minúsculas.
- As ligações às definições são destacadas através
da utilização de folhas de estilo.
4. Níveis de prioridade
O grupo de trabalho atribuiu a cada ponto de verificação
um nível de prioridade, com base no respectivo impacte em termos de
acessibilidade.
[Prioridade 1]
Pontos que os criadores de conteúdo Web têm
absolutamente de satisfazer. Se o não fizerem, um ou mais grupos de
utilizadores ficarão impossibilitados de aceder a informações contidas
no documento. A satisfação deste tipo de pontos é um requisito básico
para que determinados grupos possam aceder a documentos sediados na Web.
[Prioridade 2]
Pontos que os criadores de conteúdos na Web devem
satisfazer. Se não o fizerem, um ou mais grupos de utilizadores terão
dificuldades em aceder a informações contidas no documento. A satisfação
deste tipo de pontos traduzir-se-á na remoção de barreiras
significativas ao acesso a documentos sediados na Web.
[Prioridade 3]
Pontos que os criadores de conteúdos na Web podem
satisfazer. Se não o fizerem, um ou mais grupos poderão deparar-se com
algumas dificuldades em aceder a informações contidas nos documentos. A
satisfação deste tipo de pontos irá melhorar o acesso a documentos
sediados na Web.
Alguns pontos de verificação especificam um nível de
prioridade que poderá mudar sob determinadas condições (explicitadas).
5. Conformidade
Esta secção define três níveis de conformidade com
este documento:
- Nível de conformidade "A": foram
satisfeitos todos os pontos de verificação de prioridade 1;
- Nível de conformidade "Duplo A": foram
satisfeitos todos os pontos de verificação de prioridades 1 e 2;
- Nível de conformidade "Triplo A": foram
satisfeitos todos os pontos de verificação de prioridades 1, 2 e 3.
Nota: Os níveis de conformidade são apresentados por
extenso no texto, de modo a poderem ser compreendidos quando passados a
discurso sonoro.
Todas e quaisquer declarações de conformidade com
este documento têm obrigatoriamente de utilizar um dos seguintes
formatos:
Formato 1. Especificar:
- O título da directiva: "Web Content
Accessibility Guidelines 1.0".
- O URI (Uniform Resource Identifier) da directiva:
http://www.w3.org/TR/1999/WAI-WEBCONTENT-19990505
- O nível de conformidade satisfeito: "A",
"Duplo A" ou "Triplo A".
- O âmbito abrangido pela declaração de conformidade
(por ex., página, sítio ou porção definida de um sítio).
Exemplo do formato 1:
Esta página está conforme ao documento do W3C
"Web Content Accessibility Guidelines 1.0", disponível em
http://www.w3.org/TR/1999/WAI-WEBCONTENT-19990505, de nível "Duplo
A".
Formato 2. Incluir, em cada uma das páginas em
relação às quais se declara conformidade, um dos três símbolos
fornecidos pelo W3C e estabelecer a ligação entre esse símbolo e a
respectiva explicação (da autoria do W3C) do que representa essa declaração.
Em [WCAG-ICONS] encontram-se informações sobre os símbolos e o modo de
os inserir nas páginas.
6. Directivas para a acessibilidade do conteúdo da
Web
Directiva 1 - Fornecer alternativas ao conteúdo sonoro
e visual
Proporcionar conteúdo que, ao ser apresentado ao
utilizador, transmita, em essência, as mesmas funções e finalidade do
que o conteúdo sonoro ou visual.
Se bem que algumas pessoas não possam utilizar
directamente imagens, filmes, sons, applets, etc., continuam a poder
utilizar páginas que incluam informações equivalentes ao conteúdo
visual ou sonoro. As informações equivalentes têm de preencher as
mesmas funções que o conteúdo visual ou sonoro. Assim, o equivalente
textual de uma imagem de uma seta para cima, que estabelece a ligação a
um índice poderia ser "Ir para o índice". Em alguns casos, o
equivalente deve ainda descrever o aspecto do conteúdo visual (por ex.,
no caso de diagramas complexos, diagramas, etc.) ou do conteúdo sonoro
(por ex., no caso das amostras de áudio utilizadas para fins educativos).
Esta directiva realça a importância de fornecer
equivalentes textuais de conteúdo diferente de texto (como sejam imagens,
áudio pré-gravado, vídeo). O impacte dos equivalentes textuais reside
na sua capacidade
de serem comunicados de modo acessível a pessoas com
diferentes tipos de deficiências, utilizando uma grande variedade de
tecnologias. O texto pode ser rapidamente reproduzido por sintetizadores
de voz e monitores braille, e pode ser apresentado visualmente (numa
grande variedade de tamanhos) em monitores ou em papel. O discurso
sintetizado é essencial para cegos e para muitas pessoas com o tipo de
dificuldades de leitura que está frequentemente associado à surdez ou a
deficiências cognitivas ou de aprendizagem. O sistema Braille é
essencial tanto para pessoas cegas e surdas como para aquelas cuja única
deficiência sensorial é a cegueira. O texto apresentado sob a forma
visual beneficia tanto os surdos como a maioria dos utilizadores da Web.
O fornecimento de equivalentes não textuais (por ex.,
imagens, vídeos e áudio pré-gravado) de texto é também benéfico para
determinados utilizadores, especialmente para quem não lê ou tenha
dificuldade em ler. Em alguns filmes e apresentações visuais, pode
acontecer que a acção visual (como, por exemplo, a linguagem corporal ou
outras "pistas" visuais) não seja acompanhada de suficiente
informação sonora para transmitir a ideia de base com a mesma
integridade e clareza. Se não forem fornecidas descrições verbais desse
tipo de informações, quem não vê o conteúdo visual (ou não possa
olhar para ele) não poderá atingir o mesmo grau de compreensão.
Pontos de verificação:
1.1 Fornecer um equivalente textual a cada
elemento não textual (por ex., através de "alt" ou
"longdesc", ou como parte do conteúdo do elemento). Isto
abrange: imagens, representações gráficas do texto (incluindo símbolos),
regiões de mapa de imagem, animações (por ex., GIF animados), applets e
objectos programados, arte ASCII, frames, programas interpretáveis,
imagens utilizadas como sinalizadores de pontos de enumeração, espaçadores,
botões gráficos, sons (reproduzidos ou não com interacção do
utilizador), ficheiros de áudio independentes, pistas áudio de vídeo e
trechos de vídeo. [Prioridade 1]
Por exemplo, em HTML:
- Utilizar "alt" para os elementos IMG, INPUT
e APPLET, ou fornecer um equivalente textual como parte do conteúdo dos
elementos OBJECT e APPLET.
- No caso de um conteúdo complexo (por ex., um gráfico
ou diagrama), em que o texto "alt" não proporcione um
equivalente textual suficientemente completo, fornecer uma descrição
adicional, utilizando,
por exemplo, "longdesc" com IMG ou FRAME, uma
ligação dentro de um elemento OBJECT ou uma ligação descritiva.
- Em mapas de imagem, utilizar o atributo
"alt" com AREA ou o elemento MAP com elementos A (e demais
texto) por conteúdo.
Ver também o ponto de verificação 9.1 e o ponto de
verificação 13.10.
1.2 Fornecer ligações de texto redundantes
relativamente a cada região activa de um mapa de imagem sediado no
servidor. [Prioridade 1]
Ver também o ponto de verificação 1.5 e o ponto de
verificação 9.1.
1.3 Fornecer uma descrição sonora das informações
importantes veiculadas pelos trechos visuais das apresentações de multimédia,
até que os agentes do utilizador consigam ler, automaticamente e em voz
alta, o equivalente textual dos trechos visuais. [Prioridade 1]
Sincronizar a descrição sonora e a pista de áudio,
de acordo com o disposto no ponto de verificação 1.4. Para informações
sobre equivalentes textuais de informações visuais, consultar o ponto de
verificação 1.1.
1.4 Em apresentações multimédia baseadas em
tempo (por ex., um filme ou uma animação), sincronizar as alternativas
equivalentes (por ex., legendas ou descrições sonoras dos trechos
visuais) e a apresentação. [Prioridade 1]
1.5 Fornecer ligações de texto redundantes
para cada região activa dos mapas de imagem no cliente, até que os
agentes do utilizador proporcionem equivalentes textuais das ligações a
mapas de imagem sediados no cliente. [Prioridade 3].
Ver também o ponto de verificação 1.2 e o ponto de
verificação 9.1.
Directiva 2 - Não recorrer apenas à cor
Assegurar a perceptibilidade do texto e dos elementos
gráficos quando vistos sem cores.
Se a cor for o único veículo utilizado para
transmitir informações, as pessoas que não são capazes de diferenciar
certas cores, bem como os utilizadores de dispositivos sem cor ou com
monitores não visuais, não receberão essas informações. Se as cores
de fundo e de primeiro plano tiverem tons muito próximos, podem não ser
suficientemente
contrastantes quando vistas em ecrãs monocromáticos
ou por pessoas com diversos tipos de cromodeficiências.
Pontos de verificação:
2.1 Assegurar que todas as informações
veiculadas com cor estejam também disponíveis sem cor, por exemplo a
partir do contexto ou de anotações. [Prioridade 1]
2.2 Assegurar que a combinação de cores entre
o fundo e o primeiro plano seja suficientemente contrastante para poder
ser vista por pessoas com cromodeficiências, bem como pelas que utilizam
ecrãs monocromáticos. [Prioridade 2 para imagens; prioridade 3 para
texto].
Directiva 3 - Utilizar correctamente anotações e
folhas de estilo
Anotar os documentos com os elementos estruturais
adequados. Controlar a apresentação por meio de folhas de estilo, em vez
de o fazer com elementos de apresentação e atributos.
A utilização incorrecta -- isto é, sem observar as
especificações -- de anotações prejudica a acessibilidade. A utilização
errónea de uma anotação ou efeito de apresentação (por ex., utilizar
uma tabela para efeitos de disposição de objectos na página, ou um cabeçalho
para mudar o tamanho do tipo de letra) torna difícil, aos utilizadores
com software especializado, compreender a organização da página e
navegarem nela. Além disso, a utilização de anotações de apresentação
em vez de anotações estruturais para veicular uma estrutura (por ex.,
construir, com um elemento PRE de HTML, aquilo que parece uma tabela de
dados) dificulta a apresentação inteligível da página a outros
dispositivos (ver a descrição da diferença entre conteúdo, estrutura e
apresentação).
Os criadores de conteúdo Web podem sentir-se tentados
a fazer uso (ou mau uso...) de esquemas construtivos que produzam um
determinado efeito de formatação em navegadores mais antigos. Tais práticas
podem provocar problemas de acesso, pelo que é necessário avaliar se a
formatação em causa é tão importante que compense o risco de tornar o
documento inacessível a parte dos utilizadores.
No extremo oposto, os criadores de conteúdo não podem
sacrificar determinadas anotações só porque um determinado navegador ou
tecnologia de apoio não as trata correctamente. Por exemplo, é correcta
a utilização do elemento TABLE do HTML para anotar informações
tabulares, mesmo que alguns leitores de ecrã possam não
processar como deve ser texto lado a lado (ver ponto de verificação
10.3). A utilização correcta de TABLE e a criação de tabelas passíveis
de transformação harmoniosa (ver a directiva 5) permite que o software
reproduza as tabelas de modos que não apenas sob forma de grelhas a duas
dimensões.
Pontos de verificação:
3.1 Sempre que exista uma linguagem de anotação
apropriada, utilizar anotações em vez de imagens para transmitir informações.
[Prioridade 2]
Por exemplo, é de utilizar MathML para anotar equações
matemáticas, e folhas de estilo para formatar texto e organizar a sua
paginação (disposição na página). Além disso, evitar a utilização
de imagens para representar texto -- utilizar, em vez disso, texto e
folhas de estilo. Ver também a directiva 6 e a directiva 11.
3.2 Criar documentos passíveis de validação
por gramáticas formais, publicadas. [Prioridade 2]
Por exemplo, incluir uma declaração de tipo de
documento no início do documento, que se refira a uma DTD publicada (por
ex., a DTD estrita do HTML 4.0).
3.3 Utilizar folhas de estilo para controlar a
paginação (disposição em página) e a apresentação. [Prioridade 2]
Por exemplo, utilizar a propriedade 'font' do CSS em
vez do elemento FONT do HTML no controlo estilos de tipo de letra.
3.4 Utilizar unidades absolutas, e não
relativas, nos valores dos atributos da linguagem de anotação e nos
valores das propriedades das folhas de estilo. [Prioridade 2]
Por exemplo, em CSS, utilizar 'em' ou percentagens em
vez das unidades absolutas 'pt' ou 'cm'. Se forem utilizadas unidades
absolutas, há que verificar se o conteúdo reproduzido é utilizável
(ver a secção sobre validação).
3.5 Utilizar elementos de cabeçalho indicativos
da estrutura do documento e fazê-lo de acordo com as especificações.
[Prioridade 2]
Por exemplo, em HTML, utilizar H2 para indicar uma
subsecção de H1. Não utilizar cabeçalhos para produzir efeitos de tipo
de letra.
3.6 Anotar correctamente listas e pontos de
enumeração em listas. [Prioridade 2]
Por exemplo, em HTML, hierarquizar correctamente as
listas OL, UL e DL.
3.7 Anotar as citações. Não utilizar
anotações de citação para efeitos de formatação, como, por exemplo,
o avanço de texto. [Prioridade 2]
Por exemplo, em HTML, utilizar os elementos Q e
BLOCKQUOTE para, respectivamente, anotar citações curtas e mais
extensas.
Directiva 4 - Indicar claramente qual a língua
utilizada
Utilizar anotações que facilitem a pronúncia e a
interpretação de abreviaturas ou texto em língua estrangeira.
Se os criadores de conteúdo anotarem as mudanças de
língua num documento, os sintetizadores de voz e os dispositivos braille
podem passar automaticamente para a nova língua, tornando o documento
mais acessível a utilizadores multilingues. Os criadores de conteúdo
devem identificar a língua predominante do conteúdo do documento
(através de anotações o |