GERALDO MAGELA F. T. DA COSTA
DADOS PESSOAIS
Nasceu em 1950 no município de Caicó,
Rio Grande do Norte, filho de Luis Fernandes da Costa e Francisca
Jandira Torres Fernandes da Costa.
ATIVIDADES
Gerardo era poeta e jornalista. Durante o
período em que residiu em Itu/SP, participou do jornal BIDU, gazeta
poética e política que mobilizava a juventude daquela cidade do
interior paulista. Depois, passou a morar em Sorocaba, onde prestou
exame vestibular na Universidade local, tendo alcançado a 5a série do
curso de medicina. Como estudante universitário engajou-se no movimento
estudantil, inclusive foi eleito presidente do Diretório Central dos
Estudantes da Universidade de Sorocaba. Era amigo de Alexandre Vanucci
Leme, estudante de Geologia na USP e assassinado pelo DOI-CODI do II
Exército na mesma época de Gerardo. Era sobrinho, pelo lado materno,
do ex-deputado e ex-prefeito de Caicó, Manoel Torres.
CIRCUNSTÃNCIAS DA PRISÃO E MORTE
Gerardo morreu em 28 de maio de 1973.
Segundo a versão oficial divulgada pela repressão política, Gerardo
teria se suicidado, atirando-se do Viaduto do Chá, centro de São
Paulo. A causa da morte do militante político foi atribuída a
traumatismo crânio-encefálico. O laudo foi assinado por Otávio D’Andréia,
legista da ditadura militar, responsável por inúmeros laudos falsos de
morte de prisioneiros políticos, a exemplo de Luís Eurico Tejera
Lisboa, morto sob torturas em São Paulo. Paradoxalmente o laudo oficial
não registra, no cadáver de Gerardo, nenhuma outra fratura ou mesmo
escoriações, prováveis em alguém caído de uma altura razoável. O
jornal francês, Le Monde, veiculou à época a morte de Gerardo,
atribuindo-lhe motivação de natureza política. Gerardo teria sido
enterrado no cemitério de Perus/São Paulo com o nome verdadeiro.
SITUAÇÃO ATUAL
Em 27 de outubro de 1977 foi exumado o
corpo de Gerardo, para logo em seguida ser reinumado na sepultura 537,
quadra 08, gleba 02 do cemitério de Perus. Gerardo Magela não consta
da relação oficial de mortos e desaparecidos políticos do Brasil. Sua
família nega-se a pronunciar-se a respeito dos acontecimentos que
resultaram na prisão e morte de seu ente querido. Informacões indicam
que a família teria selado um acordo com os órgãos de segurança para
obter os restos mortais de Gerardo, em troca do silêncio absoluto sobre
as circunstâncias reais do assassinato do jovem estudante. O Centro de
Direitos Humanos e Memória Popular (CDHMP), questiona que os restos
mortais enterrados em Caicó pela família, sejam realmente de Gerardo.
No contexto desse acordo feito com a repressão, não foram realizados
os exames técnicos e científicos (DNA, por exemplo ) que comprovassem
a verdadeira identidade dos despojos, restando, no limite, a dúvida e
incerteza, que só será dissipada quando da exumação do suposto
Gerardo Magela.
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