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O programa Passarela dos Direitos Humanos


Os princípios fundamentais da cultura dos direitos humanos só sobreviverão se as pessoas continuarem a pensar que vale a pena conservá-los. Precisam ser defendidos constantemente. “Tenho direito a isto. Não se trata de algo que eu quero ou que preciso. É meu. É uma responsabilidade que deve ser assumida”.Mas os direitos humanos só têm valor através das razões invocadas para os justificar e estas têm de ser válidas. Devemos ter a possibilidade - e não há melhor local para isto do que a escola-de encontrarmos nós próprios essas razões, pois, se assim não for, não seremos capazes de reivindicar os nossos direitos quando estes nos forem recusados ou tirados, nem tão pouco sentiremos a necessidade de satisfazer as reivindicações que nos forem apresentadas em matéria de direitos. Temos de descobrir por nós próprios a razão por que os direitos humanos são tão importantes, porque este exercício de reflexão desenvolve o sentido de responsabilidade. 

Os métodos de ensino devem ser ativos. Como todas as pessoas, os alunos aprendem melhor fazendo as coisas: coisas interessantes e variadas. É por isso que foi escolhido um método centrado na experiência. Tem-se verificado que o ensino dos direitos humanos exige mais do que um simples esforço intelectual. O ensino dos direitos humanos favorece o desenvolvimento de uma capacidade muito importante-a capacidade de emitir juízos fundados e meditados que é vital para a nossa própria sobrevivência. Uma experiência escolar racional pode ajudar a desenvolver esta capacidade (e pode também tornar mais eficaz a aprendizagem da leitura, da escrita e do raciocínio). 

Esta publicação abarca uma quantidade de áreas onde surgem questões fundamentais. Não pretende ser mais um peso num programa escolar já sobrecarregado, mas uma forma de sistematizar matérias que já são certamente ensinadas nas escolas.

A cada área correspondem questões específicas e as atividades estão adaptadas a estas questões. No desenvolvimento das atividades são levantadas as questões pertinentes, são discutidas as respostas e somos atraídos ao setor particular em questão.

Os professores poderão eventualmente conceber outras atividades ou definir outras áreas e descobrir outras maneiras de utilizar as que aqui sugerimos.

Estas atividades podem desenrolar-se de forma diferente nos diversos níveis escolares e de acordo com a dinâmica de cada classe. Aqueles que já praticaram estas atividades verificaram com freqüência que quando tinham decidido, antecipadamente, que certa solução não resultaria, em geral enganaram-se. Vale a pena ter isto presente. 

Muitos estudos têm sido efetuados sobre o modo como as crianças desenvolvem as suas capacidades de julgamento à medida que vão crescendo. Pode acontecer que nem todos os elementos da mesma classe tenham capacidade para atingir imediatamente o nível de conscientização que os princípios dos direitos humanos requerem. Se pressionar os alunos para que compreendam tudo desde o princípio, corre-se o risco de os impedir que exprimam honestamente o que eles pensam ou sentem e mesmo de comprometer todo o progresso posterior.

Na presente publicação parte-se do princípio de que todo ser humano tem a possibilidade de refletir sobre a questão dos seus direitos e que, por volta dos dez anos de idade, alunos a quem seja dada essa oportunidade, têm capacidade de refletir ativa e profundamente muito para além do que geralmente se espera dele. A necessidade de material escolar suplementar foi reduzida ao mínimo e pode dizer-se que os recursos mais valiosos de que o professor dispõe para trabalhar são os seus alunos e a experiência da vida quotidiana. 

O Fórum Nacional de Educação em Direitos Humanos que se preocupa com a formação da cultura da paz, com o objetivo de contribuir para a formação do professor, no sentido de oferecer-lhe mais um recurso didático sobre os temas transversais, ética e cidadania, já contemplados nos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais), está oferecendo aos educadores UM OLHAR PEDAGÓGICO DA DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM.

Trata-se de um manual, com atividades pedagógicas para se trabalhar com a Declaração dos Direitos do Homem, de uma maneira prática e divertida. As atividades são destinadas aos alunos de 1º a 5º série do ensino fundamental. 

Acreditamos que este material será um convite para a participação de educadores na construção de uma sociedade mais justa, promovendo relações humanas, éticas e democráticas e tornando a própria escola uma instituição promotora de respeito mútuo e de Paz.

 

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