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V CARAVANA NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS
RELATÓRIO
Uma Amostra da Realidade dos
Abrigos
e Asilos de idosos no Brasil
Comissão de Direitos Humanos
Câmara dos Deputados
Brasília, março de 2002
Relatório da V Caravana Nacional
De Direitos Humanos
Sistema Asilar Brasileiro
Brasília, março de 2002
APRESENTAÇÃO
ENTRE O SILÊNCIO E A MORTE
Deputado Marcos Rolim
É difícil saber quantos são os idosos institucionalizados no
Brasil. Pelos dados do governo, existem hoje em torno de 19 mil idosos
atendidos em instituições asilares. O número pode ser muito maior se
levarmos em conta que muitas das instituições do tipo não estão
cadastradas e outras tantas funcionam, efetivamente, na clandestinidade.
Durante uma semana, em outubro de 2001, estivemos visitando casas de
internação de idosos em quatro estados brasileiros. Ao todo, foram
28 instituições visitadas das quais apenas 6 nos pareceram
adequadas ou em boas condições. Pelo que pudemos perceber, há um modelo
largamente hegemônico no Brasil quando falamos em instituições para
idosos: trata-se do modelo asilar. Poderíamos definir esse modelo
afirmando que os asilos são aquelas instituições onde se verifica,
primeiramente, uma segregação dos idosos diante da comunidade de entorno.
Como regra, os idosos estão apartados de qualquer convivência comunitária;
não saem do asilo ou, quando o fazem, realizam apenas breves e vigiadas
incursões. Além desta apartação, tão típica das "instituições totais"
(Goffmann), deveríamos agregar outra característica fundamental, a saber:
o abandono. Os idosos internados em asilos estão abandonados duplamente.
Primeiro, pela família; segundo, pela própria instituição. Esse duplo
esquecimento os condena a uma realidade sempre idêntica, não raras vezes
definida por eles mesmos como um cotidiano onde se "come e dorme". Aos
idosos vitimados por esse modelo asilar não se oferece atividades. Para
todos os efeitos, eles estão internados em um espaço cuja realidade se
situa entre o silêncio e a morte. O silêncio incontornável da vida que
resta e o silêncio futuro que resultará do fim da vida.
Nos asilos, os idosos não são concebidos como cidadãos. São
resquícios, lembranças avulsas, lamentos. Pessoas tratadas como
absolutamente incapazes, mesmo quando no gozo pleno de suas faculdades
mentais ou independentes fisicamente. Não podem decidir o que quer que
seja, devem responder prontamente às normas internas definidas sempre por
outros, comer a comida que outros preparam, dormir e acordar nas horas de
praxe, tomar a medicação que lhes é dada e aguardar. Aguardar,
indefinidamente, por nada. Em grande parte das instituições, não possuem
sequer o direito ao nome próprio. Aqueles que interagem com eles, não
sabem seus nomes. O espaço que habitam não é o seu espaço. Dormem em
quartos onde as camas quase se tocam, junto com outros idosos que jamais
viram antes. Não possuem privacidade, nem contam com mobiliário próprio
que lhes permitam guardar seus pertences e ter a eles acesso. Nesses
espaços onde se estranham, não contam, em regra, com uma estrutura física
adaptada a sua condição física ou às dificuldades que passam a
experimentar para locomoção e outras atividades da vida diária (AVD). Os
asilos onde foram deixados costumam lhes construir armadilhas perigosas:
às vezes, uma escada íngreme, sem corrimões; às vezes, um banheiro úmido e
escorregadio, sem amparos. Por conta disso, caem freqüentemente e se
machucam.
Muitas dessas casas de idosos são, apenas, pequenos e
modestos empreendimentos privados pelos quais seus proprietários auferem
renda. Para isso, apropriam-se das aposentadorias, pensões e outros
benefícios dos internos; muitas vezes, manipulando diretamente os cartões
bancários de seus "clientes" e a generosidade da comunidade envolvidas em
campanhas beneficentes. Outras instituições manifestam o resultado de um
"espírito filantrópico" que se imaginou auto-suficiente. Nesses casos, a
boa intenção costuma ser rapidamente ultrapassada pelas carências e
dificuldades oferecidas aos próprios internos por conta da ausência
absoluta de qualquer profissionalismo, seja na administração das Casas,
seja no cuidado com os idosos. Tanto numa quanto noutra situação, o que
temos são depósitos de pessoas desassistidas.
Nossa Caravana permitiu conhecer um tanto dessas
instituições e nosso compromisso, com o presente relatório, além de
compartilhar a experiência que tivemos, é oferecer uma contribuição para o
desenvolvimento de políticas públicas que enfrentem, no Brasil, o desafio
de assegurar o envelhecimento com dignidade a todos.
Deveríamos dedicar mais atenção ao tema, senão por outro
motivo pelo fato de que ele tende a ser um dos grandes desafios das
próximas décadas. Todos os estudos demográficos em nosso país atestam um
fato inconteste: nossa população está envelhecendo proporcionalmente. De
um lado, pelo aumento da expectativa de vida; de outro, pela redução
abrupta das taxas de natalidade, o que se observa é o crescimento
proporcional da população com 60 anos ou mais. Em 1900, a expectativa de
vida no Brasil não ultrapassava os 33,7 anos; em 1940 alcançou os 39 anos
e, em 1950, os 43,2 anos. Em 1960 já era de 55,9 anos e entre as décadas
de 60 e 80, alcançou os 63,4 anos. Atualmente, está em 68 anos e em 2025
será de 80 anos. Hoje, as pessoas com mais de 60 anos já são 14,1 milhões
de brasileiros, o que significa 9,1% da população. Dentro de 20 anos, os
idosos em nosso país serão 32 milhões e representarão 15% do conjunto da
população. Ocuparemos, então, o sexto lugar no ranking mundial de
populações idosas. Em 2025, calcula-se, 2/3 dos idosos do mundo estarão em
países da "periferia": 284 milhões na China, 145 milhões na Índia, 32
milhões no Brasil e na Indonésia, 18 milhões no Paquistão, 17 milhões no
México e em Bangladesh e 16 milhões na Nigéria.
No caso brasileiro, essa evolução assinala uma radical
mudança no perfil demográfico e será a responsável pela duplicação da
população de idosos em 20 anos. O processo já tem registrado um impacto
considerável sobre as demandas por saúde e deverá alterar, também, as
políticas sociais. Na área da saúde, tem-se, atualmente, por exemplo, um
peso muito maior nas doenças crônicas degenerativas, o que tem implicado
em custos crescentes de internação, tratamento e medicação. Toda essa
mudança, não se fez acompanhar, ainda, seja por uma legislação moderna e
garantidora dos direitos dos idosos, seja por uma rede institucional que
lhes assegure proteção e amparo. A Política Nacional do Idoso (PNI),
resultante da Lei 8.842 de 04 de janeiro de 1994, ofereceu diretrizes
importantes que, não obstante, jamais constituíram algo mais do que uma
promessa. No âmbito governamental, observa-se a importância conferida aos
idosos quando se descobre o que os orçamentos públicos realizam em
programas destinados a eles.
Será preciso alterar esse quadro se quisermos nos preparar
para o desenvolvimento de políticas públicas na área nas próximas décadas.
Além de recursos e atenção das diferentes instâncias de governo, será
preciso assegurar algumas mudanças de ordem cultural em nosso país. Entre
nós, normalmente, a velhice é vista como o equivalente a um conjunto
progressivo de perdas. Ela seria, então, primeiramente, uma lenta e
inexorável "subtração de humanidade". Um olhar mais atento sobre o
processo de envelhecimento, todavia, haverá de concluir que este olhar
assinala um estereótipo cultural. Envelhecer é, ao largo das naturais
mudanças físicas e sensoriais, também um processo de crescimento. O
envelhecimento é, em primeiro lugar, uma das condições para a conquista da
sabedoria. Apenas a experiência acumulada e a reflexão madura podem nos
conduzir a esse lugar especial, tão valorizado, por exemplo, nas tradições
orientais. O vigor físico e a beleza do corpo, aliás, só podem adquirir um
status equivalente à felicidade em uma sociedade que se esvazia de
significações morais e que, por decorrência, despreza a cultura. De outra
parte, há que se questionar, também, a postura daqueles que, diante das
necessidades de cuidado a serem dispensados a um idoso no âmbito de sua
família, optam pela sua internação em um asilo. Essa prática, encontrada
não apenas entre as famílias mais carentes, mas também entre famílias de
classe média e alta, estrutura-se sobre a noção de que aquele idoso
transformou-se em um "estorvo". É preciso, então, "livrar-se dele". Ora,
parece evidente o quanto tal posição revela a respeito de determinada
insensibilidade moderna. Nos asilos que visitamos, recolhemos dezenas de
histórias que dão conta dessa maldade que nossas tradições parecem
amparar. Os idosos com quem conversamos desejavam, acima de tudo, estar no
convívio dos seus, repartir com seus filhos e netos a vida que ainda pulsa
e, quando falavam neles, era possível notar que seus olhos brilhavam. Por
que razão vamos continuar admitindo que os mais jovens privem os idosos
desse brilho?
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RELATÓRIO:
I - SÃO PAULO
A V Caravana Nacional de Direitos Humanos iniciou seus
trabalhos na cidade de São Paulo, segunda-feira, dia 15 de outubro. Além
dos Deputados Federais Padre Roque (PT/PR) e Marcos Rolim (PT/RS) , da
jornalista Janete Lemos, assessora da CDH e da assistente social Jurilza
Mendonça, representante da Comissão Especial do Idoso, do Conselho
Nacional dos Direitos da Pessoa Humana do Ministério da Justiça,
somaram-se aos trabalhos o Deputado Federal Arnaldo Faria de Sá (PL/SP) ,
o Dr. João Estevan da Silva, coordenador do Grupo de Atuação e Proteção ao
Idoso do Ministério Público de São Paulo e a Dra. Tomiko Born, assistente
social, representando a Sociedade Brasileira de Geriatria e
Gerontologia.
Na Secretaria estadual de Assistência e
Desenvolvimento Social (SADS), há 525 Instituições
beneficentes/filantrópicas ou estatais para internação de idosos
regularmente inscritas. Desse total, há 194 asilos que integram a rede de
instituições conveniadas. Não se conhece o total de Casas de Repouso ou
Casas Geriátricas com fins lucrativos, mas sabe-se que elas estão
concentradas na cidade de São Paulo e nos municípios de maior porte. Não
há registros exatos sobre a demanda reprimida nos asilos de São Paulo,
mas, em 1999, a SADS estimava em 130 mil pessoas o número dos que
aguardavam vagas nas instituições asilares existentes.
A realidade das instituições asilares de São Paulo tem
experimentado um forte impacto nos últimos anos por conta da atuação do
Ministério Público Estadual. Em apenas 7 anos, a fiscalização sistemática
do MP fez com que 48 asilos fossem fechados e mais de 200 prisões de
proprietários e funcionários de instituições irregulares fossem
decretadas. Tais medidas projetaram seus efeitos em toda a rede permitindo
que a maioria das instituições realizassem investimentos para a melhoria
dos serviços prestados e adaptação de suas instalações. Como resultado,
alcançou-se avanços consideráveis em itens importantes como alimentação,
higiene e eliminação de barreiras arquitetônicas. Muito entretanto, ainda
resta por fazer, conforme nossa inspeção demonstrou.
1) ASSOCIAÇÃO "O RAIAR DO SOL" -
o primeiro
depósito de idosos
A primeira visita da Caravana foi à Associação "O Raiar
do Sol" no Cambuci , em São Paulo (Rua Luís Gama 500). A entidade
funciona muito precariamente em um antigo prédio do INSS e se mantém
graças a doações e promoções beneficentes. No dia de nossa visita
havia 93 idosos internados, cerca de 20% deles apresentando um quadro
de dependência. Do total de internos, 36 –segundo nos informou o
diretor – contribuem com as despesas de manutenção do asilo com suas
pensões ou aposentadorias. Como regra, os internos permanecem todo o
dia sem atividades. Não desfrutam, também, de privacidade e seu acesso
aos meios de comunicação é precário.
O prédio é absolutamente inadequado para uma instituição
de internação de idosos, a começar pelo fato de possuir 4 andares com
acessos exclusivos por escadas. Essa característica dificulta em muito
o deslocamento dos internos e faz com que alguns deles permaneçam
confinados aos seus quartos, sem condições de acesso ao pátio interno.
Essa é, por exemplo, a situação do Sr. João Coelho da Costa, 61 anos,
corinthiano, ex-sapateiro ortopédico, portador de deficiência física,
que se arrasta para ir ao banheiro, mas que não pode descer sozinho as
escadas.
Observamos uma carência de pessoal técnico
especializado. O responsável pela instituição, Sr. Djalma Batista de
Oliveira, é enfermeiro e trabalha no "Raiar do Sol" como voluntário.
Em que pese o esforço e a atenção que parecem caracterizar sua postura
na relação com os idosos, o fato é que a população ali residente
encontra-se em situação de abandono. A maior parte dos internos não
recebe visita de familiares nem desenvolve qualquer atividade externa.
Muitos parecem, inclusive, conformados com essa situação, como se não
restasse mesmo outro destino aos velhos. Seu Milton, por exemplo, 72
anos, que veio de Minas Gerais para São Paulo em 1935, aposentado pela
construção civil, nos disse que vive de suas recordações e que já não
se importa com nada: "- A gente luta tanto para educar e criar os
filhos que quando fica velho já não tem mais nada....Fica só a
recordação, eu fui..."
Trabalham no estabelecimento 22 pessoas, sendo 12
cuidadores, 4 auxiliares de enfermagem, 4 auxiliares de serviços
gerais e 1 assistente social, além do diretor. Não recolhemos qualquer
relato indicando situações de maus tratos ou de violência contra os
internos na instituição.
A associação "O Raiar do Sol" não está com sua
documentação legal regularizada, não dispondo, por isso, do registro
de utilidade pública. Segundo seu diretor, as despesas gerais com a
instituição alcançam a média de 22 mil reais/mês.
Pudemos perceber que pelo menos alguns dos internos que
pagam pela internação não possuem informações a respeito desse custo,
nem sabem situar ao certo o que foi feito de suas pensões e/ou
aposentadorias. Seu Américo, por exemplo, 71 anos, que morou 18 anos
em Portugal, que serviu ao Exército e que trabalhou muito tempo em
restaurantes e hotéis de São Paulo, afirma dispor de uma aposentadoria
de "mais ou menos 400 reais", mas não sabe o que é feito dela, nem
quanto daquele total é utilizado para pagar sua internação. Dona
Charlotte, 88 anos, húngara de nascimento e ex-professora de francês,
nos deu a entender que possuía propriedades e uma renda que lhe
permitiria viver uma outra situação ao final de sua vida.
2) CLÍNICA GERIÁTRICA JOÃO TONIOLO - O asilo na sua
versão rica
A Caravana tomou a decisão de visitar uma das inúmeras
Clínicas em São Paulo que abriga idosos das camadas mais privilegiadas
da sociedade. Nos interessava, sobretudo, o contraste com o tipo de
instituição de cuidados precários que acabávamos de conhecer.
Aleatoriamente, chegamos, então, à Clínica Geriátrica João Toniolo no
bairro da Aclimação (Rua Espírito Santo, 273).
A instituição, de natureza privada, é dirigida por
médicos geriatras e contava, no dia de nossa visita, com 23 internos.
A maioria dos internos apresentava um quadro de dependência. A equipe
de funcionários perfaz 14 profissionais, incluindo psicólogo,
terapeuta ocupacional, nutricionista e fisioterapeuta. A Clínica
funciona em uma casa com 10 quartos, mais 4 em uma área anexa, aos
fundos.
O custo médio de uma internação aqui fica em torno de
1.500 a 2.500 reais/mês.
A Clínica oferece musicoterapia aos internos e, tanto
quanto nos foi possível, constatar, dispõe dos recursos técnicos
necessários e indispensáveis aos cuidados dos idosos dependentes. Os
internos não dispõem de atividades externas.
Seja como for, o quadro geral nos pareceu guardar
semelhanças surpreendentes com outras instituições de natureza asilar,
destacadamente no que se refere à ausência de sentido que parece
revestir o cotidiano dos idosos ali internados. Nos chamou a atenção,
também, as limitações de espaço em toda a unidade e, especialmente, a
ausência de uma área maior para a permanência dos internos ao ar
livre.
3) CASA DO ANCIÃO - ociosidade, demência e
abandono
A Caravana deslocou-se para a periferia de São Paulo
chegando até uma instituição chamada de "Centro de Cidadania de São
Miguel Paulista (Avenida Coca, 85) onde funciona a "Casa do Ancião".
Ali, quando de nossa visita, estavam, depositados 57 idosos, muitos
deles com um quadro de dependência e, alguns, com problemas graves de
saúde mental. O responsável pela instituição, Sr. Ivo Tadeu Ribeiro, é
administrador e trabalha há 6 anos na área. Segundo nos informou,
possui uma despesa mensal de 24 mil reais, suportada com as
contribuições dos próprios idosos, com verbas públicas e com doações.
Há carência de pessoal técnico e os serviços médicos são
assegurados por trabalho voluntário. Também é voluntário o trabalho de
um profissional em nutrição. Na área de fisioterapia, há uma
estagiária, apenas. Os 9 funcionários que cuidam dos internos se
revezam em funções de limpeza e recebem, em média, 200 reais por
mês.
O espaço físico da unidade é absolutamente inadequado.
Inúmeras são as barreiras arquitetônicas para o deslocamento dos
internos. O quadro geral constatado no que se refere às condições de
higiene também é bastante precário.
Não há qualquer tipo de programa envolvendo atividades
com os idosos pelo que não se estimula sua autonomia. Aqui, passa-se o
tempo todo sentado, tomando sol ou assistindo televisão. Na palavra de
uma das internas: "A vida aqui é comer e dormir".
O isolamento social vai produzindo um quadro geral de
apatia e conformismo entre os internos. Dona Dirce, por exemplo, 62
anos, passa suas tardes sentada sem ter o que fazer, mas afirma:
"Estou bem no pedaço"; dona Maria Deonízia, 71 anos, diz, apenas:
"Estou mais perto do céu... a idade vem, entende? E a gente vai
baixando até que um dia abaixa e não levanta mais..."
Na instituição, encontramos casos de pessoas não idosas
com um quadro de demência e abandono.
4) "LAR DAS MÃEZINHAS" – aqui se aprende o valor do
silêncio
Nossa quarta e última visita em São Paulo foi ao "Lar
das Mãezinhas", na Penha ( Rua Júlio Collaço, 179). A instituição
abrigava na data de nossa inspeção 40 idosas sendo que, desse total,
25 apresentavam um quadro de dependência. A responsável pela unidade,
dona Ivani Milani de Almeida, trabalha há 12 anos na área e nos
informou que a despesa mensal do asilo fica em torno de 14 mil reais.
A instituição recebe verbas públicas, arrecada cerca de 50% das
internas o correspondente a um salário mínimo por mês (20X180 reais,
portanto) obtendo os valores restantes com doações junto à
comunidade.
O Lar das Mãezinhas é, do ponto de vista arquitetônico,
quase uma armadilha. As condições de acessibilidade e deslocamento
são, mais do que precárias, perigosas. Em alguns pontos da
instituição, uma queda pode ser fatal. O asilo não dispõe de
refeitório o que obriga as internas a fazerem as refeições em suas
camas.
Um dos alojamentos coletivos possui, exatamente, 23
camas o que faz lembrar um hospital improvisado em um campo de
batalha. Outro quarto possui 9 camas. Essa característica, além de
outras repercussões negativas, praticamente elimina qualquer chance de
privacidade das internas.
Também aqui não há um corpo técnico mínimo e os recursos
humanos disponíveis são muito precários. A casa conta com a boa
vontade de um assistente social e um psicólogo, ambos em trabalho
voluntário.
Logo no corredor de entrada da instituição, pode-se ler
um cartaz onde se escreveu: "Feliz de ti que já conheces o valor do
silêncio" , uma frase que parece resumir bem o destino que se pretende
reservar àquelas idosas e a tantos outros que, por infelicidade,
terminarão seus dias em um asilo.
Tanto quanto nos foi possível constatar, a relação das
cuidadoras com as internas é, em regra, bastante impessoal e
desprovida de um investimento afetivo, o que, muito facilmente, pode
pavimentar o terreno para práticas de maus tratos. Dona Adelina, por
exemplo, que não pode caminhar – nem se deslocar pela casa porque não
há cadeiras de rodas disponíveis – estava com dois grandes hematomas
nos seus antebraços. Uma das atendentes, perguntada pelo deputado
Marcos Rolim sobre a razão de uma daquelas marcas, respondeu
rapidamente que aquela "mãezinha" tinha se machucado batendo o braço
no criado mudo. Quando o deputado mostrou a outra marca no outro braço
da idosa, a explicação não pôde ser mantida. Como as cuidadoras banham
dona Adelina em seu próprio leito, é bem provável que as marcas nos
braços sejam o resultado de uma manipulação diária feita às pressas ou
impacientemente.
Chamou nossa atenção o fato de que as cuidadoras, ao se
referirem às internas sob sua guarda como "mãezinhas", desobrigam-se
mais facilmente da tarefa de tratá-las pelos seus nomes próprios. Ora,
alguém reduzido a um epípeto é também alguém a quem se nega o direito
à individualização. Há, com efeito, uma epitetomania no trato com
idosos e expressões tão comuns do tipo "vovozinhas" ou "mãezinhas" só
aparentemente insinuam carinho. Como regra, elas são apenas o sinal de
uma distância.
A ociosidade nesse asilo é, também, a regra. Por ela,
todo um potencial criativo e produtivo de muitas daquelas idosas é
desprezado. Dona Josemira, por exemplo, tem apenas 59 anos mas foi
internada por conta de seqüelas de um AVC. Como não tem o que fazer,
passa o dia todo rabiscando poemas em um muito caprichado caderno que
exibe orgulhosamente. Ali escreveu coisas como: "a juventude é a
vitória da coragem" Ou, "Os anos enrugam o rosto. Renunciar ao ideal,
entretanto, enruga a alma". Ou , ainda: "Jovem é aquele que se admira,
que se maravilha..."
II - RIO DE JANEIRO
A Caravana, no Rio de Janeiro, trabalhou durante toda a
terça-feira, dia 16 de outubro e contou com a presença dos deputados
federais Padre Roque (PT/(PR) e Marcos Rolim (PT/RS); da jornalista e
assessora da CDH Janete Lemos; da assistente social Jurilza Mendonça,
representante da Comissão Especial do Idoso, do Conselho Nacional dos
Direitos da Pessoa Humana do Ministério da Justiça; da Dra, Elizabeth
Viana Freitas, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e
Gerontologia (SBGG); de Isabel Monteiro Lopes, Presidente do Conselho
Estadual do Idoso; da deputada estadual Tânia Rodrigues (PSB), relatora da
CPI do Idoso da AL/RJ; Leila Cerqueira, assessora parlamentar da Alerj;
Sara Nigri, vice-presidente da Associação Nacional de Gerontologia. No Rio
de Janeiro, o trabalho desenvolvido pela Assembléia Legislativa, através
da CPI do Idoso, presidida pelo deputado estadual Sérgio Cabral e relatada
pela deputada estadual Tânia Rodrigues, permitiu um levantamento
sistemático da situação da qual teríamos, com nossa visita, uma pequena
mostra. Instalada em 7 de março de 2001, a CPI , a partir de um conjunto
de denúncias de maus tratos a idosos, providenciou na inspeção de 129
Asilos, Casas de Repouso e congêneres, cada uma delas com termo registrado
de inspeção. Seu serviço de "Disque-Idoso" recebeu 358 denúncias de maus
tratos, violência ou discriminação a idosos no RJ. O relatório final da
CPI, ao qual tivemos acesso antes mesmo de sua apresentação oficial,
impressiona pela gravidade das denúncias e amplitude do trabalho
realizado. No decorrer das inspeções, 11 instituições foram interditadas;
alguns dos seus responsáveis foram presos ou indiciados por
"Apropriação Indébita" (art. 168 do Decreto Lei 2.848/40, Código
Penal), ou por "Abandono de Incapaz" (art. 133) , ou por
"Omissão de Socorro" (art. 135) , "Maus Tratos" (art.136),
"Constrangimento Ilegal" (art. 146), "Cárcere Privado" (art.
148), "Tortura" (Lei 9.455/97) ou por "Propaganda Enganosa"
(art.37 da Lei 8.078/90 do Código de Proteção ao Consumidor). De todas as
instituições vistoriadas, verificou-se que 75 delas não possuíam Alvará de
Funcionamento, o que caracteriza uma situação de clandestinidade e
demonstra a inexistência de fiscalização. Para que se tenha uma idéia
aproximada do estado das instituições inspecionadas, 2 delas não possuíam
piso antiderrapante; 86 não possuíam escadas com corrimão; 76 não contavam
com barras de apoio nos banheiros e 77 estavam superlotadas. Para a CPI,
101 das instituições inspecionadas estavam em situação irregular
infringindo a legislação e a portaria 819/89 do Ministério da Saúde que
regulamenta o funcionamento desse tipo de instituição. Entre as
instituições visitadas, a CPI concluiu que apenas 11 ofereciam bons
serviços e uma atenção digna aos idosos.
5) ABRIGO EVANGÉLICO "RAZÃO DE VIVER" - religião e
solidão
A primeira instituição visitada no Rio de Janeiro foi o
Abrigo "Razão de Viver", em Realengo, Zona Oeste do Rio (Av.
Terterituba, 450, Jardim Novo Realengo). Trata-se de uma instituição
asilar de inspiração religiosa, dirigida pela senhora Lourdes Ferreira
da Silva, esposa de um pastor da comunidade (Abdias de Araújo
Ferreira). Quando de nossa visita havia 31 idosos internados.
A situação aqui, como que num espelho da realidade
social circundante, é de absoluta precariedade. A instituição funciona
em uma casa inadequada para a internação de idosos, com barreiras
arquitetônicas e ausência de adaptações como corrimões ou camas
protegidas. Há uma rampa que dá acesso a um pavimento superior, mas a
sua inclinação está muito além dos 10 graus preconizados pelas normas
técnicas de forma que ela mesma passa a oferecer riscos. Não há
técnicos disponíveis para o trabalho com os idosos, nem cuidados
médicos ou de outros profissionais da área de saúde para com os
internos dependentes. Ao todo, apenas 7 pessoas trabalham no asilo,
sem carteira assinada e ganhando, em média, 200 reais por mês. Não foi
possível recolher informações sobre o orçamento da instituição, nem
sobre as suas fontes de financiamento.
Quanto à medicação, constatamos que cada um dos internos
possui um vidro com seu nome, no interior do qual estão, misturados e
fora de suas embalagens, todos os remédios que ele deve tomar. A
medicação é distribuída sem qualquer controle ou supervisão
especializada e manipulada por "práticos".
Não há dieta específica aos internos que apresentam
problemas como a diabete ou hipertensão. Os idosos encontram-se em
total ociosidade, sem qualquer tipo de atividade que estimule sua
independência e em uma situação de isolamento social.
O abandono e a solidão são suportados pela maioria dos
internos como partes naturais de um desígnio divino. Dona Laura, por
exemplo, têm 4 filhos que não a visitam. Logo quando da nossa entrada
na instituição, iniciou uma longa conversa como deputado Marcos Rolim
a quem solicitou um favor muito especial: enquanto caminhavam pelo
asilo, dona Laura pediu ao deputado assentimento para que ela lhe
apresentasse as suas amigas como seu filho, o que fez, alegremente, o
tempo todo. Dona Augusta, 81 anos e completamente lúcida, também sabe
o que é a solidão. Ainda jovem perdeu as duas pernas quando foi
atropelada e vive, por isso, em uma cadeira de rodas. Sua história é
mais triste porque perdeu seus 4 filhos em um acidente no interior de
São Paulo. As crianças se deslocavam em uma Kombi para passar suas
férias na casa de uma amiga de dona Augusta quando o veículo chocou-se
com um caminhão. Morreram todos. O marido de dona Augusta a culpou
pelo trágico desfecho e , depois disso, só lhe cumprimentava dizendo:
" -Bom dia, criminosa.." Dona Augusta termina essa história com os
olhos úmidos e com a expressão: "- Se sofrimento matasse..." Dona
Augusta é crente da Assembléia de Deus. Além de não ter as duas pernas
é seqüelada de AVC, o que lhe retirou também o movimento da mão
direita, mas se considera uma mulher feliz: " – Não posso andar, mas
tem gente que tem as duas pernas e não anda. É pior, não é?"
Essa instituição havia sido inspecionada pela CPI do
Idoso da AL/RJ em 19 de abril de 2001. As constatações feitas à época
(Anexo II do Relatório da CPI) foram as mesmas. Segundo a CPI, o
abrigo Razão de Viver "não tem a menor condição de funcionamento" (p.
22)
6) ABRIGO SÃO JOSÉ - mais abandono
A Segunda instituição visitada pela Caravana no Rio de
Janeiro foi o Abrigo São José, no Kosmos (Rua dos Caquizeiros, 851). O
diretor , Sr. Américo Sobral, era comerciante mas já atua na área há 6
anos. No dia de nossa visita havia 55 idosos no asilo. Ao todo, 13
pessoas trabalham na instituição e as despesas do asilo costumam
alcançar valores entre 8 a 10 mil reais/mês. A maioria dos internos
aqui, senão todos, pagam por suas internações com importâncias que,
segundo nos foi possível apurar, variam de 180 a 400 reais.
Essa instituição fica localizada em um terreno
privilegiado (10 mil metros quadrados) com espaços amplos de
circulação externa. A área faz lembrar um pequeno sítio, ou uma casa
de campo. Todo o terreno, entretanto, é cercado por muros altos o que
isola os internos do mundo exterior. Logo na entrada, há um cartaz
onde se lê: "Visitas às quintas e domingos – das 14 às 16 horas." Ora,
não há como se justificar tamanha limitação. Uma casa de internação de
idosos não precisaria, aliás, de qualquer restrição ao direito que os
internos possuem de privarem com seus familiares.
Os prédios onde os idosos estão alojados é todo marcado
por barreiras arquitetônicas. Os banheiros e os demais espaços de
circulação interna não possuem pisos anti-derrapantes e a higiene
deixa muito a desejar. Em alguns dos quartos, janelas e portas estavam
sem os vidros e havia infiltrações nas paredes. Os banheiros
necessitam de adaptações para que se tornem espaços seguros e
confortáveis. Dona Elisa experimentou, de uma forma muito dolorosa, a
insegurança nos banheiros: alguns dias antes de nossa visita, havia
sofrido uma queda, à noite, no banheiro contíguo ao seu quarto. Por
conta disso, quebrou o braço. Dona Elisa só foi atendida por um
profissional da instituição um dia após a queda. Na hora mais difícil
quem a ajudou foram suas colegas de quarto.
Todos os internos estão submetidos a mesma dieta. Isso é
um problema não apenas para aqueles que precisariam de uma dieta
especial por conta de problemas de saúde, mas também para gente como a
dona Zilá, por exemplo. Aos 86 anos, dona Zilá fala bem baixinho, mas
impressiona pelo raciocínio rápido e pela forma detalhada como relata
episódios de sua vida. Sofre, entretanto, com a comida porque não a
aprecia. Segundo suas palavras, tem "fastio" e, por isso, não come
quase nada. Dona Zilá nos contou que gostaria mesmo é de comer
caranguejo, mas que ali já havia perdido a esperança de voltar a
sentir o gosto de seu prato preferido...
Os internos não possuem privacidade e permanecem todo o
tempo ociosos. Na área externa há uma piscina que, entretanto,
permanecia cercada e, aparentemente, fora de uso. Os internos não
realizam atividades externas.
A CPI do Idoso da AL/RJ também inspecionou esse abrigo
no dia 18 de maio de 2001. Constatou as mesmas limitações e
irregularidades. Segundo o informe do anexo II da CPI, apurou-se que o
dono do estabelecimento manipulava o cartão magnético bancário de
alguns dos idosos internados que recebiam benefícios do INSS. ( p.36)
7) CASA DE REPOUSO SANTA ROSA - O asilo misterioso
da Tijuca
Nossa última visita no Rio quase não se realizou. O
responsável pela Casa de Repouso Santa Rosa, na Tijuca ( Rua Antônio
Salema, 63) Sr. Paulo Carvalho, fez o que pode para impedir nossa
entrada em sua instituição. Primeiro, atrás de uma grade do portão de
entrada, afirmou que não permitiria a entrada da Caravana. Depois,
tentou negociar a entrada de um grupo pequeno de participantes e, por
fim, a contragosto, aceitou a entrada de um grupo excluindo
terminantemente a imprensa. O Sr. Paulo argumentava temer os
resultados da visita sobre a saúde dos próprios idosos ali internados
que, segundo ele, poderiam "ficar agitados". A única pessoa que ficou
"agitada" com a nossa visita, entretanto, foi o Sr. Paulo Carvalho que
revelou-se um cidadão despreparado para as funções que desempenha e
dono de um comportamento agressivo e autoritário. Talvez, de qualquer
forma, houvesse outros motivos para que o administrador temesse a
nossa visita.
O responsável nos informou que o asilo mantinha 5 idosos
internados. Durante a nossa inspeção, entretanto, só foi possível
encontrar 4. Tentamos ter acesso a um segundo pavimento que, segundo o
Sr. Paulo, estava em obras. Não foi possível porque o administrador
não o permitiu. Segundo afirmou, o espaço estaria interditado por
laudo específico da vigilância sanitária. Também não nos foi permitido
acesso a qualquer documento da instituição e o Sr. Paulo recusou-se a
responder a maioria das perguntas feitas pelos integrantes da
Caravana. Tudo aqui parecia estar envolto pelas sombras...
Conforme pudemos constatar, não havia alimentos
suficientes, seja na geladeira, seja nos armários utilizados como
dispensa. Os banheiros da Casa são inadequados, o mesmo se podendo
dizer das rampas. Os quartos estavam com o piso encerado, o que
constitui uma ameaça aos internos.
Os internos não tem o que fazer na misteriosa Casa da
Tijuca. Dona Henriqueta, 93 anos, o afirma taxativamente: "Aqui é só
comer e dormir".
A CPI do Idoso da AL/RS esteve nessa instituição em 04
de maio de 2001. Constatou inadequação completa das instalações
arquitetônicas, desnível de piso, buracos, etc. banheiros não
adaptados, distância não regular entre as camas, péssimas condições de
higiene, desorganização, ausência de registro de evolução dos
pacientes nos prontuários, condições precárias de conservação dos
alimentos, etc. Também quando da visita dos técnicos da CPI, o dono da
instituição mostrou-se "muito irritado" (sic). (p. 119, Anexo II do
Relatório da CPI do Idoso)
III - PERNAMBUCO
A Caravana trabalhou, durante os dias 17 e 18 de
outubro, em Pernambuco, na cidade do Recife e em alguns municípios da
região metropolitana. Além dos deputados federais Padre Roque (PT/PR),
Marcos Rolim (PT/RS) , da jornalista e assessora da CDH Janete Lemos e
da assistente social Jurilza Mendonça , representante da Comissão
Especial do Idoso, do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Humana
do Ministério da Justiça, acompanharam a Caravana Paula Regina
Machado, presidente do Conselho Estadual do Idoso; Eliane Moura, da
Prefeitura Municipal; Carolina Marinho, assessora da Comissão de
Defesa da Cidadania da Assembléia Legislativa; Gilson Roberto de Melo
Barbosa, Promotor de Justiça; Margarida Santos, enfermeira da
Secretaria de Saúde do Estado de Pernambuco.
Além das visitas às instituições, a Caravana realizou
uma audiência pública com a participação de cerca de 50 pessoas
representando autoridades governamentais e entidades da sociedade
civil com atuação na área de atenção aos idosos, além de profissionais
do setor.
A Prefeitura de Recife, através da Secretaria Municipal
de Saúde, conjuntamente com a vigilância sanitária e como Ministério
Público, tem realizado um processo de fiscalização sistemática sobre
os abrigos da capital. Durante o ano 2001, até o mês de agosto, 157
inspeções já haviam sido realizadas. Segundo o "Relatório das
Inspeções das Instituições de Longa Permanência para Idosos no
Recife", datado de setembro de 2001, constatou-se que apenas 11% das
Instituições estavam com licença atualizada. Do total de unidades
inspecionadas, 67% delas foram autuadas. 33% encontravam-se de acordo
com a legislação. Realizada a coleta de amostras de água em 12
instituições de longa permanência de idosos, sete apresentaram
presença de coliformes fecais na água; ou seja: a água era imprópria
para o consumo humano.
8) ABRIGO CRISTO REDENTOR - Aqui pode-se amarrar
idosos
O primeiro asilo visitado pela Caravana em Pernambuco
foi o Abrigo Cristo Redentor, na periferia de Recife em Jaboatão dos
Guararapes (Av. Agamenon Magalhães, s/n), criado em 1944 e
administrado com o auxílio de irmãs e membros da Igreja católica.
O responsável pela instituição, Sr. Felipe do Rosário é
administrador de empresas e atua na área há 25 anos. No dia de nossa
visita, havia 150 idosos internados. O asilo possui 300 vagas.
Segundo o Sr. Felipe, cerca de 90 dos idosos ali
internados são dependentes. A despesa com a instituição fica em torno
dos 25 mil reais/ mês. O Abrigo Cristo Redentor recebe verbas federais
– 12.500 reais/ mês. O administrador relatou aos deputados que a
instituição funciona com um déficit mensal o que motiva uma série de
campanhas junto à comunidade para doações e auxílios. Após conversar
com os idosos, os deputados souberam que a norma da Casa é a cobrança
de uma taxa mínima de 180 reais / mês de cada idoso. Ora, 150 internos
recolhendo mensalmente 180 reais assegurariam à instituição uma renda
de 27 mil reais. Importância que somada às verbas do governo federal
totalizaria uma receita de 39,5 mil reais. A instituição teria lucro,
então? Perguntado diretamente sobre isso pelo deputado Marcos Rolim, o
Sr. Felipe do Rosário não ofereceu uma explicação convincente nem
mostrou a contabilidade da instituição. Como a instituição recebe
verbas públicas, seria interessante a realização de uma auditoria.
O Abrigo Cristo Redentor ocupa uma grande área com
espaços amplos de circulação externa e pavilhões onde ficam os
alojamentos dos idosos. A área externa, entretanto, é muito mal
aproveitada. Os alojamentos são imensos. Em um deles contamos 120
camas. Com essa estrutura física, os idosos não possuem qualquer
chance de privacidade. Toda a instituição precisaria de reformas
estruturais básicas para um mínimo de segurança e conforto para os
internos. Não há piso anti-derrapante nas áreas internas de circulação
e nos banheiros; não há assentos nos vasos sanitários, nem apoios para
facilitar seu uso; a higiene dos banheiros deixa a desejar, as camas e
os colchões são de péssima qualidade, não contam com grades protetoras
e são, em regra, muito baixas.
Foi possível perceber um tratamento despersonalizado das
cuidadoras aos idosos; como regra, os internos não são tratados pelo
nome próprio. Há restrição às visitas que só podem ocorrer duas vezes
por semana e pelo período de duas horas. Não se assegura a eles,
também, qualquer tipo de programação de atividades. Dona Joana, 91
anos, por exemplo, queixa-se de que não tem nada o que fazer e de que
gostaria que lhe fosse permitido, pelo menos, lavar suas próprias
roupas. Dona Joana já teve duas quedas, uma da cama e outra, no
banheiro. Ela e o marido estão internados ao custo de duas
aposentadorias. Tudo o que deseja é voltar para sua casa.
Pelo número de idosos internados, fica evidente a
carência de recursos humanos no asilo. Segundo o administrador, a
instituição conta com 1 psicólogo, 1 assistente social, 1
fisioterapeuta, 1 biomédico, 12 auxiliares de enfermagem e uma
recreadora. Segundo depoimento de alguns idosos, a recreadora já não
trabalhava na instituição. O manejo diário dos idosos acaba sendo
feito pelas 65 auxiliares de serviços gerais, supervisionadas pelo
trabalho voluntário de 6 irmãs.
Vários dos idosos se queixaram de que são proibidos de
se deitar durante o dia e que só podem retornar aos alojamentos ao
final da tarde. Essa, por exemplo, é uma das queixas de dona Maria do
Rosário, 71 anos, professora aposentada. Dona Maria foi descoberta
pelo deputado Marcos Rolim amarrada em uma cadeira de balanço. Segundo
a interna, ela era amarrada na cadeira para que não fizesse
"traquinagens". Perguntada sobre o tipo de traquinagens que ela
gostava de fazer, respondeu que todo o problema é que ela gostava
muito de fumar. Para que não fumasse, era presa à cadeira, todos os
dias.
9) LAR FRATERNAL LÍRIOS DO AMOR - nem fraternidade,
nem lírios, nem amor.
A segunda instituição visitada foi o "Lar Fraternal
Lírios do Amor", na cidade vizinha de Camaragibe (Estrada da Aldeia
s/n). Quando de nossa visita havia 52 pessoas internadas; quase todos,
idosos. A instituição "atende", também pessoas com problemas de saúde
mental e, como pudemos observar, um jovem autista. O asilo é uma casa
velha a qual se acrescentou algumas peças aos fundos. Nessa
instituição não se oferece, rigorosamente, qualquer cuidado aos
idosos. O lugar é, tipicamente, um depósito de velhos.
A responsável pelo asilo, dona Eronita Figueiredo de
Farias, é cabeleireira e atua na área há 15 anos. Do total de idosos
internados no asilo, 38 pagam pela internação. Há apenas 5 pessoas
trabalhando ali e nenhum recurso técnico ou especializado disponível.
Aos idosos não é oferecida qualquer atividade. Pelas péssimas
condições de alojamento, não se lhes permite, também, qualquer
privacidade. Os internos não saem da instituição e recebem raras
visitas de familiares. Estão, portanto, em situação de isolamento
social.
Aqui falta tudo. Higiene, por exemplo, ou forro nos
colchões, ou janelas nos quartos, ou cadeiras de rodas. A casa toda é
cheia de barreiras arquitetônicas e não dispõe das adaptações
necessárias para a segurança e conforto mínimos aos internados. Falta
assistência médica, faltam medicamentos, falta comida. O cenário não
evoca apenas miséria, mas negligência e maus tratos.
Durante a visita, vimos um senhor com uma grave ferida
no pé. Esse idoso dormia sentado em uma cadeira em uma área coberta
aos fundos da unidade. Sua ferida estava coberta de moscas e o pé
inteiro mostrava sinais de necrose. Ao lado dele, há um metro de
distância, um pequeno cercado – desses utilizados por bebês – era
ocupado por um jovem autista que permanecia ajoelhado no centro
daquele espaço movimentando ritimadamente e com rapidez seu tronco
para um lado e para o outro. No mesmo espaço, outros idosos com sinais
de demência vegetam sentados. Há sujeira por toda a parte. Um cão
feroz está amarrado a uma coleira ali perto e, na mesma área onde os
idosos estão, há um buraco de uns 6 metros quadrados por dois de
profundidade cercado por um único fio de arame farpado. Uma queda ali
pode ser fatal. Em diagonal ao buraco e na parte posterior da casa, em
frente ao galpão onde está o menino autista e alguns dos homens
velhos, há um outro "cercado". O espaço, dessa vez, é maior - talvez 9
metros quadrados , demarcado por móveis e restos de madeira. Ali
dentro, numa espécie de varanda, vive Rita Maria da Conceição, uma
senhora aparentando 60 anos, há dez anos no asilo, que não fala e que
apresenta sinais de doença mental. Por não saberem lidar com ela,
delimitaram seu espaço, como se estivesse presa. Já o cão é solto à
noite.
10) ASSOCIAÇÃO FILANTRÓPICA NOSSA SENHORA DE LOURDES
– isolamento social e abandono
Este asilo está localizado em Olinda (Rua José Alves de
Araújo, 299) e é administrado pela senhora Maria de Lourdes Oliveira
de Almeida, uma "prática" sem qualquer formação profissional que atua
há 11 anos na área.
Quando de nossa visita, havia 63 idosos internados (30
homens e 35 mulheres) . Desse total, 40 idosos apresentavam um quadro
de dependência.
O asilo é mantido pelas próprias contribuições dos
internos. !5 pessoas trabalham na instituição, sendo que há a visita
de um médico uma vez por semana.
Todo o espaço físico da instituição é inadequado com
inúmeras barreiras arquitetônicas ao deslocamento dos internos. Para
piorar o quadro, muitos idosos estão alojados no segundo pavimento do
prédio. O próprio prédio localiza-se muito perto de um "lixão", com
esgoto próximo.
Os recurso humanos disponíveis são totalmente
desqualificados e os internos permanecem em ociosidade absoluta. A
vigilância sanitária já determinou à proprietária a necessidade de
realização de inúmeras obras de adaptação, desde a colocação de barras
e corrimões até portas nos banheiros. Pelo que foi possível perceber,
a higiene é precária e muitos quartos enfrentam sérios problemas de
infiltração.
Aqui a atenção dispensada aos internos resume-se à
alimentação e aos leitos oferecidos.
11) NÚCLEO DE APOIO AO DOENTE DO INTERIOR - condições
subumanas
Essa Instituição, também em Olinda (Av. Correia de
Brito, 360) , é, na verdade, uma "casa de passagem" que se propõe a
auxiliar pessoas doentes que vêm do interior para tratamento na
capital. A grande maioria dos que estão aqui abrigados, não obstante é
de idosos. Quando de nossa visita, havia 40 idosos no asilo. Os
responsáveis pela instituição são Maria da Conceição de Santana e
Miguel Andrade da Silva. O asilo vive de doações e recebe apoio de um
Padre.
Apenas 4 pessoas trabalham no asilo, o que dá uma idéia
da precariedade da situação. Num único cômodo contamos 16 camas. Há
camas espalhadas pelos corredores e na varanda. Por decorrência, não
se oferece aos internos qualquer chance de privacidade. Os quartos, 4
ao todo, são pequenos e há apenas dois banheiros. As condições de
habitabilidade são, verdadeiramente, subumanas.
O pessoal que lida com os internos é totalmente
desqualificado e as condições de higiene da instituição são as piores
possíveis.
Encontramos frutas estragadas e alimentos mal
acondicionados.
12) CLÍNICA DE REPOUSO GERIÁTRICO DE RECIFE – I – O
mesmo modelo, os mesmos problemas
"Clínica de Repouso Geriátrico" é o nome dado a duas
instituições asilares, de um mesmo proprietário, situadas na mesma rua
(Ana Xavier 104 e 117) na Casa Amarela, em Recife. Para descrever
minimamente a situação que encontramos em cada uma delas, chamaremos
de Clínica I a situada no número 104 e Clínica II a situada no número
117.
A Clínica I é administrada por Judith Alves que atua na
área há 20 anos. Quando de nossa visita havia 34 idosos internados na
instituição, sendo que a grande maioria deles – cerca de 90% - era de
idosos dependentes. Os funcionários aqui, num total de 16 pessoas são
todos registrados e pagos pela Igreja.
As atividades desenvolvidas com os idosos possuem,
comumente, um sentido religiosos.
Duas vezes por semana um médico visita a instituição
atendendo aos internos. A Casa dispõe de uma enfermeira, uma
nutricionista e 4 auxiliares de enfermagem. Há, por certo carência de
pessoal.
Seria necessário, também, realizar algumas adequações na
estrutura física do prédio.
Os atendentes estavam participando de um curso de
"cuidadores de idosos", o que nos pareceu importante Percebemos um
certo nervosismo entre as pessoas que trabalham na instituição diante
de nossa visita e, especialmente, a postura assumida por alguns que
pareciam empenhados em não permitir que conversássemos isoladamente
com os internos.
Mesmo diante das limitações evidentes vividas pela
instituição, os internos manifestaram, no fundamental, determinada
satisfação com a atenção que recebem ali.
13) CLÍNICA DE REPOUSO GERIÁTRICO DE RECIFE – II - de
novo a ociosidade
A Clínica II é administrada pela Sra. Rosilda de Araújo
que atua na área há 30 anos. No dia de nossa visita havia 25 idosos
internados, sendo 20 deles dependentes. Os internos contribuem com um
mínimo de 180 reais, mas alguns chegam a pagar 350 reais por mês.
Segundo a informação que recebemos, a instituição é deficitária.
O Asilo possui 10 quartos para os homens aos fundos,
espaço onde há um único banheiro e 5 quartos para as mulheres na
frente, com dois banheiros. Tanto quanto foi possível observar, a
higiene é precária.
12 pessoas trabalham aqui, entre elas uma enfermeira, um
nutricionista, um médico e dois auxiliares de enfermagem. O médico
comparece três vezes por semana.
Os idosos vivem em ociosidade máxima. Aqui, como em
tantos outros asilos visitados, tem-se a impressão de que tudo o que
se espera daqueles idosos é que aguardem silenciosamente por suas
mortes.
14) CONVIVER GERIÁTRICO - Enfim, uma instituição
modelo
Nossa visita ao "Conviver Geriátrico" mostrou aos
integrantes da Caravana o quanto uma instituição de tratamento de
idosos pode oferecer condições dignas aos internos. A instituição;
localizada no bairro de Boa Viagem, no Recife ( Rua José Lopes, 95) é
administrada por Solange Beltrão que é administradora de empresas.
No dia de nossa visita, havia 25 idosos internados,
sendo cerca de 80% deles dependentes.
Pela proposta da instituição exige-se que todos os
internos tenham plano de saúde e que suas famílias responsabilizem-se
pela contratação e remuneração dos cuidadores do usuário. Além dos
cuidadores, trabalham na instituição 17 pessoas: uma enfermeira, uma
nutricionista, um fisioterapeuta, um médico, um terapeuta ocupacional,
8 auxiliares de enfermagem e 4 auxiliares de serviços gerais.
O espaço físico está plenamente adaptado ao perfil dos
internos e possui 10 suítes e 6 apartamentos duplos, o que garante,
além do conforto e da segurança, a privacidade dos idosos. Todos os
internos tem acesso aos meios de comunicação, recebem visitas com
freqüência e costumam realizar atividades externas, com
acompanhamento. Há um programa de atividades físicas, recreativas e
fisioterápicas. Os recursos humanos disponíveis são qualificados.
IV - PARANÁ
A Caravana esteve no Paraná durante os dias 19 e 20 de
outubro visitando instituições asilares em Curitiba e em Londrina.
Além dos Deputados Federais Padre Roque (PT/PR) e Marcos Rolim
(PT/RS), da jornalista e assessora da CDH Janete Lemos e da assistente
social e representante da Comissão Especial do Idoso, do Conselho
Nacional dos Direitos da Pessoa Humana do Ministério da Justiça,
Jurilza Mendonça, acompanharam a Caravana, na capital Rosana Beraldi
Bevervanço, promotora de Justiça do Centro de Apoio Operacional das
Promotorias de Defesa dos Direitos do Idoso; Maurílio Pinto,
representante da Sociedade Brasileira de Gerontologia e Geriatria;
Heloise Elaine Pereira e Rosilene de Fátima Pollis, assistentes
sociais do Ministério Público; Glaucia Kishida; Lucinéia Benckl de
Macedo; Joanna Alekissandra Kantikas, representantes da Secretaria de
Vigilância Sanitária e em Londrina Maria Ãngela Santine; Genilda
Pozzeti Stabile, representantes da Secretaria Municipal do Idoso;
Marcelo Viana de Castro da Vigilância Sanitária.
IV -a) Curitiba:
15) RECANTO TARUMÃ - uma experiência de
cuidado
O "Recanto Tarumã - Sociedade Socorro aos Necessitados"
(rua Konrad Adenauer, 295) é uma instituição tradicional de Curitiba,
fundada em 1921. No dia de nossa visita abrigava 120 idosos. Desse
total, pelo menos 32 apresentavam um quadro de dependência.
Mantido através de doações da comunidade e da
contribuição de 2/3 do valor das aposentadorias dos internos, o asilo
tem uma despesa mensal da ordem de 50 mil reais. Segundo as
informações colhidas junto à direção da casa administrada pelo Sr.
Mário Pelatto, 36 pessoas trabalham na instituição, entre elas 1
assistente social, 1 psicólogo, 1 enfermeira, 1 fisioterapeuta, 1
terapeuta ocupacional e 4 auxiliares de enfermagem.
As instalações, amplas e bem cuidadas, integram vários
pavilhões numa área construída 492 metros quadrados atravessada por
espaços de circulação externa ajardinados e gramados. Dentro da
unidade muitas atividades são desenvolvidas sendo que os idosos têm
acesso à marcenaria, horta, artesanato, jardinagem e jogos
variados.
A instituição conta com consultório médico, farmácia,
espaço para banho de paraplégicos, sala para curativos, sala de
fisioterapia, sala de jogos, etc. Embora algumas pequenas adaptações
sejam ainda necessárias, observamos a existência de piso
antiderrapante nas principais vias de circulação interna, corrimões,
anteparos e outros equipamentos fundamentais para a segurança e o
conforto dos idosos.
Mais importante ainda do que as boas condições físicas
da instituição foi perceber, na conversa com os internos, a existência
de um grau de satisfação incomum com os serviços prestados resultado
que costuma ser alcançado sempre que o cuidado é a regra.
16) ASSOCIAÇÃO DE PROTEÇÃO AO IDOSO VOVÓ JOANA -
outro caso de isolamento social
Esse asilo (rua Piauí, 1.224) nos oferece um novo
exemplo do modelo de isolamento social dos idosos que deve ser
superado urgentemente no Brasil. No dia de nossa visita, havia 24
idosos internados. Para "cuidar" desses seres humanos - alguns
precisando de cuidados intensivos - trabalham na instituição apenas 3
pessoas.
Os idosos não possuem qualquer programa de atividades
que estimulem sua autonomia. Não possuem privacidade alguma e, em um
dos quartos, contamos 17 camas. Todas as instalações físicas são
inadequadas e a higiene é bastante precária.
Não foi possível obter informações confiáveis e
detalhadas da responsável pela instituição a respeito do orçamento da
unidade e de seu financiamento. As únicas informações dão conta de que
o aluguel pago pela casa é de 1.400 reais e de que a instituição
arrecada recursos junto à comunidade com bingos, rifas, jantares
beneficentes, etc. Sabe-se que a instituição é considerada de
utilidade pública.
17) VOVÔ JUQUINHA - um espaço de
negligência
O asilo Vovô Juquinha (Rua Mem de Sá, 491) é uma
instituição não regularizada dirigida pela senhora Madalena Dias
Ferreira . No dia de nossa visita havia 14 idosos internados sendo
dois deles dependentes.
A Instituição é absolutamente inadequada para a
internação de idosos e lhes oferece, tão somente, o leito onde dormem
e as refeições.
O espaço físico é formado por 4 quartos (2,3 e 5 camas),
mas sala de estar e cozinha. O banheiro não recebeu qualquer das
adaptações necessárias à segurança e conforto dos idosos. Verificamos
infiltrações de água em várias peças.
Os internos não dispõem de qualquer programa de
atividades que estimulem sua independência; há carência de recursos
humanos e um estado geral de negligência na atenção aos idosos. Alguns
idosos afirmaram que se sentem bem e que são bem tratados.
18) ASSOCIAÇÃO CASA DE REPOUSO VOVÓ SABINA - outro
depósito
O asilo "Vovó Sabina" (Rua Joaquim Manuel de Carvalho,
481) em Curitiba, administrado pela Sra. Benita da Silva, é apenas
outro depósito de idosos. No dia de nossa visita eram 12 os internos
sendo que, desse total, pelo menos 4 apresentavam um quadro de
dependência. A instituição não conta com funcionários. Todo o serviço
é feito pela responsável e por sua filha.
Uma vez por mês, um médico oferece seus serviços à
instituição em trabalho voluntário.
Os internos não desenvolvem qualquer tipo de atividade e
não têm privacidade.
As instalações são inadequadas e não oferecem segurança
ou conforto aos internos.
O asilo é sustentado com as contribuições dos próprios
idosos que variam de 180 a 575 reais/ mês.
19) LAR AFAGO - um lugar de pouco
carinho
O asilo denominado "Lar Afago" (Rua Joaquim Manoel de
Carvalho, 466) de Curitiba enfrenta inúmeras dificuldades e termina
por reproduzir, exatamente, o modelo asilar que se pretende superar.
A responsável pela instituição, dona Clarisse Maria
Antunes, é atendente de enfermagem e atua na área há dois anos.
No dia de nossa visita, havia 17 idosos internados,
sendo que pelo menos 7 deles apresentavam um quadro de dependência.
Também aqui os idosos passam seus dias sem qualquer tipo
de atividade que estimule sua independência. As limitações que
encontramos repetem as mesmas situações já observadas na maioria das
instituições visitadas pela V Caravana. Observamos a falta de recursos
humanos qualificados e constatamos um quadro geral de negligência na
atenção dispensada aos internos, destacadamente quanto aos necessários
cuidados de saúde. Também no Lar Afago há a visita de um médico uma
única vez ao mês.
Segundo fomos informados, 6 pessoas trabalham na
instituição e outras três prestam serviços voluntários.
As despesas do asilo são custeadas com as aposentadorias
e pensões dos idosos internados. Alguns deles chegam a pagar 400
reais/mês.
Pelo que pudemos observar, os idosos recebem na
instituição o mínimo necessário para que prolonguem sua existência. O
Lar Afago, em verdade, não é propriamente um lugar de carinho.
20) CLÍNICA DE REPOUSO SANTA MARIA - necessidade de
adaptações
A Clínica de Repouso Santa Maria (Rua Rockfeller, 1.287)
ainda não dispunha de licença da vigilância sanitária quando de nossa
visita. Para que funcione regularmente será necessário implementar
algumas reformas na estrutura física e adaptar melhor seus espaços
internos.
Os responsáveis pela instituição são Hilda Pereira Leite
e Carlos Augusto Leite que atuam na área há 13 anos.
O aluguel da casa custa 3.300 reais/mês e os internos
contribuem, em média, com 300 reais.
Havia 45 idosos internados na Clínica quando a
visitamos. Não nos foi possível estimar o número de dependentes.
9 pessoas trabalham na instituição sendo duas delas
fisioterapeutas e uma terapeuta ocupacional. Um psicólogo, uma
nutricionista e um médico prestam serviços eventuais em regime de
voluntariado.
A cada 15 dias, a instituição organiza atividades
esportivas e de lazer com os idosos.
A Clínica conta com farmácia, refeitório, sala de estar,
quartos com 2,3 e 4 camas e uma área externa.
Aqui as visitas de familiares acontecem três vezes por
semana (quartas, sábados e domingos) das 14 às 17 horas.
A medicação e alguns equipamentos como fraldas são
adquiridos pelos familiares. Os remédios, de qualquer forma, estavam
bem acondicionados. A instituição possui um esterilizador e seus
prontuários estavam dentro dos padrões técnicos exigidos.
21) LAR DE UBERABA DE CIMA - sub-nutrição e
desidratação
O "Lar de Uberaba de Cima" (Rua Gabriel Passos Filho,
74) em Curitiba é uma instituição clandestina administrado pela
senhora Maria Sandoval que atua na área há pouco mais de um ano.
Quando de nossa visita, havia 6 idosos internados ali, todos
dependentes. Para cuidar deles, há apenas uma pessoa.
Examinando os idosos, o Dr. Maurílio Pinto, médico
geriatra, que acompanhou a Caravana em Curitiba representando a
Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), constatou
sub-nutrição e desidratação dos internos.
As condições gerais da instituição, de fato, são
subumanas.
Os idosos não realizam qualquer atividade e estão em
regime de isolamento social. Toda a parte física da instituição é
inadequada, há casos de infiltração e a higiene é precária. Faltam
recursos humanos elementares para a devida atenção a idosos
dependentes. O quadro geral é de negligência e abandono.
-
LAR BOM SOSSEGO - Um bom exemplo de
casa-lar
A última visita em Curitiba nos reservou a agradável
surpresa de descobrir um modelo de "Casa- Lar" , uma das formas
alternativas ao modelo asilar, funcionando - e muito bem. O Lar Bom
Sossego, situado no Jardim Paranaense (Rua Campo Mourão, 200) é uma
boa instituição.
A responsável, dona Rita de Cássia de Paula, possui
curso de cuidadores de idosos e atua na área há 9 anos.
A instituição é uma Casa onde estão internados 6 idosos
convivendo em um regime que faz lembrar um tipo de estrutura familiar.
Três pessoas trabalham ali. Quando de nossa visita, foi possível
perceber que algumas crianças da família da responsável interagem
positivamente com os idosos o que possibilitou o desenvolvimento de
relações afetuosas bastante sensíveis e importantes tanto para os
idosos quanto para as crianças.
O Lar Bom Sossego recusa-se a abrigar mais idosos,
embora tivesse espaço físico para tanto. A responsável afirma que se
aceitasse novas internações não teria mais condições de cuidar bem de
todos, consciência que atesta uma notável diferença diante daqueles
administradores que fazem questão de superlotar suas casas como forma
de aumentar sua receita.
IV -b) Londrina:
Em Londrina, após um processo de fiscalização
iniciado em fevereiro de 2001 pela Prefeitura Municipal, através da
Secretaria Municipal do Idoso, foram vistoriadas 18 instituições –
casas de repouso e asilos. Como resultado, obteve-se a transferência
de 94 idosos, para outras instituições ou para suas famílias. Em março
de 2001, o prefeito de Londrina assinou o Decreto 096/2001 que fixou
normas de funcionamento de asilos, casas de repouso, clínicas
geriátricas e estabelecimentos congêneres destinados ao atendimento de
idosos em Londrina. O mesmo instrumento legal determinou que novos
estabelecimentos só serão autorizados após parecer técnico da
Vigilância Sanitária e da Secretaria Municipal do Idoso.
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LONDRISAÚDE - no aguardo das adaptações
necessárias
O asilo "Londrisaúde" (Rua Lucila Balalaí, 149) opera
sem o alvará de funcionamento. A vigilância sanitária já determinou a
necessidade de várias adaptações como, por exemplo, na farmácia da
instituição.
4 pessoas trabalham no asilo, nenhuma com carteira
assinada. Há um médico que presta seus serviços no asilo três vezes
por mês ou "quando necessário".
O Londrisaúde funciona em uma casa (alugada por 650
reais/mês) de 240 metros quadrados. Além de 6 quartos, dispõe de sala
de estar, sala de jantar, cozinha e banheiros. Há algumas barreira
arquitetônicas a serem eliminadas, os banheiros não contam com os
amparos necessários ao uso dos vasos sanitários e estes não possuem
assento. Observamos algumas infiltrações e necessidade de uma higiene
mais cuidadosa nos quartos.
A responsável, Lídia de Souza e Silva, atua há 4
meses na área e cobra 300 reais por interno. Quando de nossa visita,
havia 12 idosos internados, sendo que dois deles apresentando um
quadro de dependência.
Constatamos um quadro de isolamento social e de
ausência de um programa de atividades que estimulem a independência
dos idosos; o padrão asilar, portanto.
Os Deputados Marcos Rolim e Padre Roque conversaram
demoradamente com um dos internos, senhor Geraldo Gütschow, 77 anos.
Seu Geraldo que luta tenazmente contra o câncer, não tem metade de sua
orelha direita e chama a atenção seja pelo seu porte físico, seja por
sua lucidez e determinação. Filho de alemães, aprendeu a lidar com
ervas medicinais e guarda em seu quarto uma impressionante quantidade
de misturas, chás, ungüentos e receitas naturais. Falando português
com um forte sotaque germânico, seu Geraldo nos contou que está
escrevendo a história de sua vida. Foi buscar o seu trabalho embaixo
do travesseiro de onde retirou uma grossa agenda enrolada em panos.
Ali constatamos um minucioso trabalho autobiográfico escrito em frente
e verso de centenas de páginas à caneta, com uma letra miúda e firme.
Um trabalho que, possivelmente, conte muito da saga dos imigrantes no
Paraná. Seu Geraldo se emocionou muito quando o Deputado Padre Roque
começou a falar com ele em alemão. Levantou-se, abraçou o deputado e
chorou. Talvez tenha se emocionado, também, pelo fato de alguém tê-lo
escutado.
24) CASA DE REPOUSO IRACEMA - outra casa
clandestina
Esse asilo funciona irregularmente no Conjunto Antares
(Rua Iracema, 67). A responsável , dona Marlene Oliveira Monteiro ,
auxiliar de enfermagem, atua há 11 meses na área e se queixou muito
das dificuldades financeiras da instituição. Dona Marlene demorou
muito para abrir o portão de ferro que dá acesso ao seu asilo. Os
deputados, após uma espera de 20 minutos, precisaram ameaçar que
chamariam a polícia se o portão não fosse aberto.
A Caravana constatou que estavam internados nessa
instituição 8 idosos.
Trabalham na casa um auxiliar de enfermagem e dois
auxiliares de serviços gerais.
Os internos não realizam qualquer tipo de atividade e
encontram-se em situação de isolamento social.
Há três quartos na casa (alugada por 430 reais). Um
deles com duas camas, outro com três e outro com seis.
A farmácia da instituição encontra-se absolutamente fora
dos padrões da vigilância sanitária e não há prontuários.
Há barreiras arquitetônicas a serem superadas e
necessidade de várias adaptações físicas.
Os internos sustentam a instituição pagando valores
entre 180 e 250 reais.
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LAR OLIVEIRA PARA IDOSOS - histórico de
interdição
O Lar Oliveira para idosos é uma instituição
clandestina. Mais do que isso: a responsável, dona Cida Pereira,
auxiliar de enfermagem com 4 anos de atuação na área, já teve uma
outra casa que administrava interditada pela vigilância sanitária.
Após a interdição, mudou-se de lugar abrindo um novo asilo e repetindo
o mesmo padrão de depósito de idosos.
Quando da nossa visita, havia 12 idosos internados,
todos com algum tipo de dependência.
Cinco pessoas trabalham no asilo, todas da mesma família
da responsável.
Os internos sustentam a instituição com valores de 200
reais/mês, em média. O aluguel da casa é de 400 reais e o total das
despesas é de 2 mil reais/mês.
A casa possui três quartos (com 3 e 4 camas) e as
condições de higiene são precárias.
Nenhuma atividade é desenvolvida com os idosos e os
recursos humanos disponíveis não são qualificados.
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CASA DE REPOUSO MARANATA - uma casa em boas
condições
A Casa de Repouso Maranata (Rua júlio Cesar Ribeiro,190)
, administrada por Lígia Ivone Critóvão, é, na verdade, uma Casa
Lar.
Quando de nossa visita, havia nove idosos internados,
todos dependentes.
Cada um dos internos aqui contribui com valores entre
400 e 600 reais/ mês. 90% deles possuem algum plano de saúde e a
grande maioria usufrui de serviços de fisioterapia.
A instituição conta com quatro auxiliares de enfermagem,
uma nutricionista, um auxiliar de serviços gerais e uma
cozinheira.
De maneira geral, pode-se afirmar que a instituição
encontra-se plenamente adequada no que diz respeito a sua estrutura
física e que as condições de higiene são boas.
Cada idoso possui uma pasta onde estão todos os
registros relevantes e os medicamentos estão bem
acondicionados.
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ASILO SÃO VICENTE DE PAULA - um bom
padrão
O asilo São Vicente de Paula ( Rua Maria Leonia Milito,
499) foi fundado em 1952. Nossa visita pôde perceber um bom padrão de
atendimento aos idosos nessa tradicional instituição londrinense.
O asilo recebe verbas públicas (5 mil reais da
prefeitura) e recolhe dos internos 126 reais/mês. O total de suas
despesas mensais fica em torno dos 20 mil reais.
Quando de nossa visita havia 120 idosos internados,
sendo que, desse total, cerca de 70 apresentavam um quadro de
dependência.
Trabalham na instituição 24 pessoas. O asilo é campo de
estágio para a Universidade do Norte do Paraná (Unopar), o que lhe
assegura a presença de vários formandos em múltiplas disciplinas.
Há um programa consistente de atividades com os internos
envolvendo trabalhos manuais, música e dança, jardinagem, etc.
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CENTRO DE APOIO GERIÁTRICO - padrão médico de
qualidade
O Centro de Apoio Geriátrico de Londrina (Rua Santos
Dumont, 975) funciona desde 1987. Seu atendimento pode ser considerado
padrão, especialmente pelos cuidados à saúde do idoso.
Quando de nossa visita, havia 20 idosos internados.
Cerca de 70% deles com um quadro de dependência.
O centro possui 1800 metros quadrados de área e 1000
metros quadrados de área construída. O aluguel é de 3.300 reais. Sua
despesa fica em torno dos 17 mil reais/ mês. Os internos pagam um
valor básico de 920 reais e arcam com os custos de fraldas e
medicamentos, entre outras despesas.
15 pessoas trabalham aqui e os recursos humanos
disponíveis são de alta qualidade.
Há um programa consistente de atividades para os
internos envolvendo terapia ocupacional, fisioterapia, atividades
recreativas, etc.
O espaço físico é bom e está completamente adaptado; há
cuidados com a higiene.
Alguns dos idosos recebem visitas diariamente.
c) RECOMENDAÇÕES:
I - Que seja instalado, imediatamente, o Conselho
Nacional do Idoso.
II - Que o governo federal crie, imediatamente, a
Coordenação Nacional da Política do Idoso.
III - Que o Programa Nacional de Cuidadores de Idosos,
instituído pela portaria interministerial 5.153/99, que prevê a
formação de recursos humanos para tratamento domiciliar e
institucional de idosos seja, finalmente, executado.
IV - Que as instituições tipicamente asilares sejam,
progressivamente, desativadas em favor de uma política pública que
privilegie o atendimento domiciliar, as Casas Lares , os Hospitais-Dia
e os Centros de Convivência, conforme diretrizes da Política Nacional
do Idoso.
V - Que, em caráter emergencial, o governo federal, os
governos estaduais e as prefeituras, assegurem o deslocamento para
instituição de natureza hospitalar de todos os idosos portadores de
doenças infecciosas ou que necessitem de assistência médica permanente
ou de cuidados intensivos de enfermagem que estejam internados em
instituições asilares de caráter social, garantindo, desta forma, o
disposto pelo parágrafo único do inciso IX do artigo 4 da Lei
8.842/94.
VI - Que o Poder Público assegure, através da
fiscalização sistemática, que as instituições destinadas ao cuidado e
tratamento de idosos atendam, além do disposto pela legislação e
normas municipais ( Plano Diretor, Código de Edificações, Normas de
Prevenção de Incêndio, entre outras) , pelo menos, as seguintes
necessidades físico-espaciais, mantidas as proporções de acordo com as
diferentes modalidades de tratamento:
1) Programa para uma casa com 20 idosos Dimensão mínima
(m2 )
-
Sala para direção administrativa
......................................................12,00
-
Sala atendimento
multiprofissional..................................................12,00
-
Sala de
convivência..........................................................................30.00
-
Sala de
enfermagem.........................................................................10,00
-
Almoxarifado...................................................................................10,00
-
Refeitório.........................................................................................30,00
-
Cozinha............................................................................................16,00
-
Área de serviço/lavanderia (com
tanque)........................................04,00
-
Depósito
.......................................................................................04,00
-
Banheiros p/func.com armários (masc e
fem.)................................06,00
-
Dormitórios (máximo para 4 pessoas e 5 m2 por .........................100,00
-
Banheiros ( pelo menos 1 vaso para cada 5 idosos e 1
chuveiro para 10)
-
Áreas externas p/atividades (no mínimo 1 m2
por idoso)................20,00
2) As instituições de cuidado e tratamento de idosos
devem estar situadas em locais com facilidade de acesso ao transporte
coletivo e, preferencialmente, próximas aos serviços de saúde do
município, serviços de comércio e espaços de lazer e cultura,
favorecendo a integração do idoso, independente e mesmo o dependente,
à comunidade do entorno.
3) As instituições de cuidado e tratamento de idosos
devem ser compreendidas como locais de moradia prevendo, portanto, a
participação dos usuários na definição das rotinas e normas de
convivência bem como na qualificação individualizada dos ambientes,
destacadamente aqueles mais íntimos e reservados como os quartos .
Deve-se estimular, que nesses espaços, os idosos possam ter acesso a
uma série de elementos que atuem sobre sua memória física e
afetiva.
4) As instituições de cuidado e tratamento de idosos
devem ser, preferencialmente, de um único pavimento térreo. Todas os
desníveis externos ou internos devem ser dotados de rampas e escadas,
de fácil limpeza e conservação, antiderrapantes, uniformes e
contínuos.
5) Nos caminhos, nas áreas de circulação e em locais
específicos onde os idosos precisam de apoio (banheiros, rampas,
escadas, etc.) as instituições devem contar com corrimões conforme
especificado pela NBR 9050/ABNT.
6) Rampas e escadas devem ser executadas segundo as
mesmas normas da ABNT, observadas as exigências de corrimão e
guarda-corpo. Complementarmente, destacam-se a necessidade
de:
-
No primeiro e último degrau da escada dotá-los de
luz de vigília permanente;
-
Executar o corrimão de forma a torná-lo contrastante
em relação à parede onde for fixado para fácil e rápida
identificação e utilização;
-
No caso de acesso à edificação, a escada e a rampa
deverão Ter, no mínimo, 1,50m de largura;
-
No início e no término das escadas deve ser
instalada uma cancela, para controle de fechamento e/ou
abertura.
7) Corredores devem ter a largura mínima de 1,50m e ser
dotados de corrimãos de ambos os lados. Pisos, paredes e portas devem
ser bem visualizados através de variações de revestimento ou cor. Os
corredores e demais áreas de circulação devem estar livres de qualquer
obstáculo (como móveis, vasos, etc.)
8) Os espaços de circulação externa devem contar com
áreas verdes, com caminhos e bancos para descanso à sombra, solarium
protegido dos ventos e locais para jardinagem e outras atividades ao
ar livre. Os locais destinados à jardinagem e hortas devem ser
providos de canteiros elevados (como se fossem mesas, com altura
indicada da parte superior de 0,70m) para possibilitar seu manuseio
por pessoas sentadas.
9) A área de circulação de veículos deve ser isolada da
área de circulação externa de idosos.
10) As áreas internas devem ser dotadas de boa
ventilação e contar com condições ideais de iluminação natural e
artificial. Os interruptores devem ser luminosos.
11) Todas as áreas internas devem ser dotadas de
campainhas para emergência (nos dormitórios, esse equipamento deve se
situar junto à cabeceira das camas) e sistemas de segurança/prevenção
de incêndio com previsão de rápido e seguro escoamento de todos os
residentes.
12) As portas que separam as diferentes peças da
instituição devem possuir um vão livre igual ou maior que 0,80m. As
portas devem ser preferencialmente de correr, com trilhos embutidos no
piso, ou de abrir com dobradiças verticais, dotada de comando de
abertura de alavanca. Deve ser previsto 0,60m , contíguo ao vão da
porta, para facilitar o alcance da maçaneta.
13) As janelas devem ter peitoris de 0,70m para melhorar
a visibilidade, corrimão suplementar com 0,90m do piso para maior
segurança e comando de abertura de alavanca, quando se tratar de novas
construções.
14) Os assentos de poltronas e cadeiras, com uma altura
recomendada de 0,42 a 0,46m, devem ser revestidos por material
impermeável. É indicada a altura de 0,46 a 0,51m para as camas.
15) É expressamente vedado o uso de beliches e de camas
de armar bem como a instalação de divisórias improvisadas.
16) Os banheiros devem ser dotados de campainha de
alarme. Não deve se utilizar revestimentos que produzam brilhos e
reflexos para evitar desorientação ou confusão visual. Os boxes para
vaso sanitário e chuveiro devem ter a largura mínima de 0,80m, além do
espaço para o cuidador auxiliar o idoso. Deve ser previsto, no mínimo,
um box para chuveiro e um para vaso sanitário que permita o uso de uma
pessoa em cadeira de rodas, conforme especificações da NBR 9050/ABNT,
excetuada a altura da borda dos vasos sanitários que deve ser de 0,43m
do chão.
17) Nos chuveiros não é permitido qualquer desnível em
forma de degrau para conter a água. Indica-se o uso de grelhas
contínuas, desde que respeitada a largura máxima entre os vãos de
1,5m. Deve ser evitado o uso de cortinas de plástico e portas de
acrílico ou vidro para o fechamento do box de chuveiro. As barras de
apoio devem ser instaladas e ter dimensões conforme a NBR 9050/ABNT,
além de se, preferencialmente, em cortes contrastantes com a
parede.
VII - Que seja aprovado o projeto de Lei n ......./2002,
de autoria dos Deputados Marcos Rolim (PT/RS) e Padre Roque (PT/PR)
que estabelece normas básicas para o funcionamento dos
estabelecimentos que prestam atendimento integral institucional a
idosos como Asilos, Casas de Repouso, Clínicas Geriátricas e
congêneres e dá outras providências.
PROJETO DE LEI Nº 6.163 DE 2002
(Dos Srs. Marcos Rolim - PT/RS e Padre Roque - PT/PR
)
Estabelece normas básicas para o
funcionamento de estabelecimentos que prestam
atendimento integral institucional a idosos como
Asilos, Casas de Repouso, Clínicas Geriátricas e
congêneres e dá outras providências.
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