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RELATÓRIO
DAS ATIVIDADES
DE 1998
Brasília
– 1999
Membros
da Comissão de Direitos Humanos (CDH)
Funcionários
da CDH
Endereço
completo da CDH
Introdução
Presença
dos membros da CDH nas reuniões
Ação
legislativa
Indicações
Requerimentos
de informações
Proposta
de fiscalização e controle
Proposições
transformadas em lei em 1998
Proposições
em tramitação
Eventos
III
Conferência Nacional de Direitos Humanos
Seminários
Audiências
públicas
Sessão
solene
Subcomissões
e missões externas
Participação
em campanhas
Participação
em fóruns, conselhos e comitês
Fiscalização
A
CDH e o processo orçamentário
Denúncias
recebidas
Alguns
casos tratados pela CDH em 1998
MEMBROS
DA COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS
PRESIDENTE: Deputado ERALDO TRINDADE (PPB-AP)
1º VICE-PRESIDENTE: Deputado OSMAR LEITÃO (PPB-RJ
2º VICE-PRESIDENTE: Deputado LUIZ EDUARDO
GREENHALGH (Bloco PT-SP)
3º VICE-PRESIDENTE: Deputado LUIZ ALBERTO (Bloco
PT-BA)
TITULARES
EM 11/11/98
DEPUTADO
|
PARTIDO
|
ESTADO
|
|
AGNELO
QUEIROZ
|
Bloco/PC
do B
|
DF
|
|
ALDIR
CABRAL
|
PFL
|
RJ
|
|
ALZIRA
ÉWERTON
|
PSDB
|
AM
|
|
CARLOS
MELLES
|
PFL
|
MG
|
|
DE
VELASCO
|
Bloco/PRONA
|
SP
|
|
ERALDO
TRINDADE
|
PPB
|
AP
|
|
FERNANDO
LOPES
|
Bloco/PDT
|
RJ
|
|
FLÁVIO
ARNS
|
PSDB
|
PR
|
|
GILVAN
FREIRE
|
PSB
|
PB
|
|
HÉLIO
BICUDO
|
Bloco/PT
|
SP
|
|
JAIR
BOLSONARO
|
PPB
|
RJ
|
|
JOSÉ
ANÍBAL
|
PSDB
|
SP
|
|
JOSÉ
THOMAZ NONÔ
|
PSDB
|
AL
|
|
JOSÉ
LINHARES
|
PPB
|
CE
|
|
LUIZ
ALBERTO
|
Bloco/PT
|
BA
|
|
LUIZ
EDUARDO GREENHALGH
|
Bloco/PT
|
SP
|
|
MAURÍCIO
REQUIÃO
|
Bloco/PMDB
|
PR
|
|
OSMAR
LEITÃO
|
PPB
|
RJ
|
|
ROBERTO
VALADÃO
|
Bloco/PMDB
|
ES
|
|
SEBASTIÃO
MADEIRA
|
PSDB
|
MA
|
|
TALVANE
ALBUQUERQUE
|
PFL
|
AL
|
|
VILMAR
ROCHA
|
PFL
|
GO
|
|
WALTER
PINHEIRO
|
Bloco/PT
|
BA
|
SUPLENTES EM 11/11/98
|
DEPUTADO
|
PARTIDO
|
ESTADO
|
|
AYRES
DA CUNHA
|
PFL
|
SP
|
|
DELFIM
NETTO
|
PPB
|
SP
|
|
DOLORES
NUNES
|
PFL
|
TO
|
|
FERNANDO
FERRO
|
Bloco/PT
|
PE
|
|
JORGE
WILSON
|
Bloco/PMDB
|
RJ
|
|
LAMARTINE
POSELLA
|
PPB
|
SP
|
|
MARILU
GUIMARÃES
|
PFL
|
MS
|
|
MARIO
ASSAD
|
PFL
|
MG
|
|
MOACYR
ANDRADE
|
PPB
|
AL
|
|
NILMÁRIO
MIRANDA
|
Bloco/PT
|
MG
|
|
NOEL
DE OLIVEIRA
|
Bloco/PMDB
|
RJ
|
|
PADRE
ROQUE
|
Bloco/PT
|
PR
|
|
PEDRO
WILSON
|
Bloco/PT
|
GO
|
|
RICARDO
GOMYDE
|
Bloco/PC
do B
|
PR
|
|
SARNEY
FILHO
|
PFL
|
MA
|
FUNCIONÁRIOS
DA COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS
Secretário:
Márcio
Marques de Araújo
Assessoria
Técnica:
Augustino
Pedro Veit
Maria
Aparecida Neves da Cunha
Sueli
Aparecida Bellato
Norma
Rejane Pinto Batista (Assistente)
Setor
Administrativo:
Clotildes
de Jesus Vasco (Coordenadora)
Eli
Ferreira da Costa
Juracema
Camapum Barroso
Maria da
Consolação Soares
Setor
de Informação e Documentação:
Adriana
Maria Dias Godoy
Ana Pacheco
Felício
Natal Palasse
May Wolf
Teresinha
de Lisieux Franco Miranda
Programa
Pró-Adolescente:
Gilson
Alves Silva
Sabrina
Rosa do Carmo
Endereço da Comissão de Direitos Humanos
Comissão
de Direitos Humanos
Câmara
dos Deputados
Anexo
II, Sala 185A
Brasília
- DF - CEP 70160-900
Telefones
(061)318 8284, 318 8285, 318 8283, 318 8286 e 318 8287
Fax
(061)318 2170
Home
Page: http://www.tba.com.br/pages/cdh
E-mail:
cdh@tba.com.br
Introdução
DIREITOS
HUMANOS EM 1998
1998
foi especialmente significativo para os direitos humanos
no mundo. Além de marco do Cinqüentenário da Declaração
Universal dos Direitos Humanos e da Declaração Americana
de Direitos e Deveres do Cidadão, o período foi rico em
esforços da comunidade internacional para implementar
esses direitos em âmbito mundial, com o fortalecimento da
Corte Penal Internacional, ligada à ONU, e o ineditismo
da detenção do general Augusto Pinochet, na Inglaterra,
pondo fim à era da impunidade certa dos ex-ditadores, o
que abriu nova perspectiva para a validade
extraterritorial dos direitos humanos. Vimos cair uma
ditadura de quatro décadas num país populoso, a Indonésia,
onde o ex-ditador Suharto foi forçado a deixar o poder. São
episódios históricos de elevado conteúdo simbólico,
que contribuíram para disseminar o debate e a compreensão
sobre os direitos humanos em escala universal, com grande
repercussão no Brasil.
Entretanto,
continuaram em alta os conflitos armados e as violações
sistemáticas dos direitos humanos. O continente africano
foi palco de várias guerras sangrentas, a região dos
Balcãs continuou instável, houve novos ataques
norte-americanos e ingleses contra o Iraque e o terrorismo
fez novas vítimas. Os testes nucleares da Índia e
Paquistão colocaram a região do Índico em alerta.
Depois de um ensaio nas conversações de paz, a Colômbia
voltou a conflagrar-se numa guerra civil. A utilização
de crianças em combates foi generalizada. A miséria e a
fome prosseguiram como rotina para uma parte importante da
humanidade. Os conflitos em todo o mundo indicaram a
necessidade de fortalecimento da ONU e de outras instâncias
capazes de intervirem em nome da segurança, da paz e do
bem-estar dos povos face aos efeitos perversos da
globalização econômica.
Em
nosso país, os 50 anos da Declaração Universal dos
Direitos Humanos ocorreram em meio aos avanços
institucionais e ao crescimento da mobilização social
nessa área. As comemorações ensejaram numerosas avaliações
das conquistas e projeções dos desafios a serem
superados. O balanço dos direitos humanos no Brasil
manteve a tendência dos últimos anos: conseguimos avanços
que não podem ser desprezados, principalmente no campo
institucional, mas obtivemos muito pouco no que diz
respeito à implementação de novos direitos. O país
continua carente de soluções para questões cruciais,
como a violência policial, o desrespeito às crianças e
adolescentes, a precariedade do sistema carcerário, as
dificuldades de acesso de grande parte da população aos
serviços da justiça, saúde, educação, segurança...
Cinqüentenário
O
cinqüentenário foi uma oportunidade bem aproveitada para
a difusão dos valores propugnados pela Declaração
Universal, que teve diversas edições novas, inclusive
desta Comissão de Direitos Humanos. A OAB fez publicar a
Declaração com seus 30 artigos comentados por
personalidade do mundo jurídico. Convênio entre a
Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, a Unesco e a USP
produziu o extenso manual "Direitos Humanos no
Cotidiano", reunindo interpretação dos artigos e
indicações para os cidadãos colocarem em prática o
conteúdo de cada item. A Comissão de Direitos Humanos
elegeu a Declaração como tema principal da III Conferência
Nacional de Direitos Humanos, o que propiciou a análise e
o debate envolvendo uma pluralidade de parceiros. Eventos
importantes foram realizados em todo o país para debater
o significado da Declaração Universal. Para comemorar a
data, até uma moeda de R$ 1,00 foi lançada.
Dois
brasileiros foram distinguidos com importantes premiações
internacionais. O Secretário Nacional de Direitos
Humanos, José Gregori, recebeu o Prêmio de Direitos
Humanos da ONU e a professora Luzia Canuto, que atua no
Sul do Pará em defesa dos trabalhadores rurais e contra a
impunidade, o Prêmio Direitos Humanos do Governo da França.
Os prêmios refletem, além dos méritos pessoais da atuação
de ambos, o reconhecimento da comunidade internacional
pelos esforços do Brasil para o progresso nos direitos
humanos.
Em
contrapartida, o Brasil recebeu em 1998 repreensão formal
da Corte Interamericana de Direitos Humanos pelo
assassinato de João Canuto - pai de Luzia Canuto -,
ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio
Maria-PA, e pela deficiência na apuração do crime,
ocorrido em 1995 e até hoje impune. Outra repreensão da
OEA foi evitada por meio de uma solução amistosa no
processo relativo à impunidade dos responsáveis pelo
assassinato de 18 presos no 42º Distrito Policial, em São
Paulo, ocorrido em 1989. O governo brasileiro admitiu a
responsabilidade e assumiu o compromisso de ver os responsáveis
punidos e as famílias dos mortos indenizadas.
Conquistas
No
campo das conquistas obtidas em 1998 no Brasil,
assinalamos o decreto legislativo aprovando a solicitação
do presidente da República para o reconhecimento da
competência obrigatória da Corte Interamericana de
Direitos Humanos no país. Outro instrumento legal
importante foi a ampliação das penas alternativas, uma
esperança de ver amenizado o drama da superlotação dos
presídios. Aprovado pela Lei 9.714, de 25 de novembro de
1998, ele prevê, como alternativa à privação da
liberdade, a prestação pecuniária, perda de bens e
valores, prestação de serviço à comunidade e a
entidades públicas, interdição temporária de direitos
e a limitação de fim de semana para autores de crimes
menos graves.
O
programa de proteção à testemunha, mesmo carente de
recursos e sem ter sido ainda regulamentado em lei, já é
objeto de convênios entre a Secretaria Nacional de
Direitos Humanos e 6 estados, a partir da experiência
bem-sucedida do Gabinete de Apoio Jurídico às Organizações
Populares - GAJOP, de Pernambuco.
No
bojo da reforma administrativa, a Secretaria Nacional de
Direitos Humanos ganhou mais status, abrindo-se a
perspectiva de ampliação de sua estrutura. Entre as ações
dessa Secretaria ao longo do ano, registramos a implantação,
em caráter experimental, do serviço civil voluntário no
Rio de Janeiro e no Distrito Federal, que poderá
representar o início de um projeto mais amplo e
ambicioso. O programa de renda mínima associado à
retirada de crianças do trabalho na zona canavieira do
Nordeste, sizaleira da Bahia e carvoeira de Mato Grosso do
Sul foi adotado, embora com um alcance bastante modesto.
Consideramos
oportuno o diálogo estabelecido pelo Secretário Nacional
de Direitos Humanos com as emissoras de televisão para
sensibilizá-las no sentido de conter os excessos na
exploração da violência e das imagens bizarras e
pornográficas. Sem acenar com a censura, José Gregori
deu início a este debate, ao qual a Unesco já está
participando. Essa é uma questão que deveria ser
abordada também por outros atores sociais e veículos de
comunicação de massa, na busca de conciliar a programação
da mídia com o respeito aos direitos humanos e à
cidadania.
Alguns
estados estão começando a implantar medidas na esfera de
sua competência, visando ao progresso dos direitos
humanos. No Rio Grande do Norte, foi elaborado em 1998 o
Programa Estadual de Direitos Humanos, secundando
documento similar em São Paulo - Estado pioneiro no lançamento
do programa em 1997. Ouvidorias de Polícia foram ou estão
sendo criadas, com formatos e eficácia diferenciados, no
Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pará, Espirito Santo e
Distrito Federal, depois da experiência também pioneira
de São Paulo. Há que se registrar ainda a celebração
de convênios envolvendo a Anistia Internacional e a Cruz
Vermelha com o Governo Federal e governos estaduais para a
formação de policiais, capacitando-os a trabalhar com os
conceitos de direitos humanos. Um exemplo bem-sucedido
desses cursos é o do Amapá, onde a abordagem é aplicada
em toda a estrutura da segurança pública, incluindo a
criação da Polícia Interativa com a comunidade.
A
sociedade civil foi responsável por iniciativas
importantes, das quais destacamos a criação do Balcão
de Direitos Humanos do Movimento Viva Rio. Foi o oitavo
posto de atendimento jurídico comunitário instalado pela
organização carioca.
Violência e impunidade
A
violência e a impunidade de policiais destacaram-se entre
os fatos negativos não só de 1998 como dos últimos
anos. Os policiais militares que mataram 19 trabalhadores
sem-terra em Eldorado do Carajás-PA, em 1996, e os 12 de
Corumbiara-RO, em 1995, não foram ainda a julgamento,
sendo que a maioria continua a trabalhar normalmente. Dez
PMs acusados de participação na chacina de Vigário
Geral, que resultou em 21 pessoas mortas em 1993, no Rio
de Janeiro, foram absolvidos em julgamento realizado em 28
de novembro de 1998, apesar dos fortes indícios e dos
testemunhos. Já os policiais militares envolvidos no caso
da favela Naval, ocorrido em 1997 em Diadema-SP, onde o
conferente Mário José Josino foi morto e outras pessoas
espancadas durante uma blitze, registrada secretamente em
vídeo amplamente divulgado, foram condenados.
Pesquisa
divulgada recentemente pelo Instituto Superior de Estudos
da Religião - ISER - constatou que, em 301 ações de
policiais militares que resultaram em mortes ou ferimentos
de civis no Rio de Janeiro, de 1993 a 96, não foi
condenado um único PM. Levantamento da Ouvidoria da Polícia
de São Paulo mostra que a PM do Estado foi responsável
pela morte de 466 pessoas em 1998, num crescimento de 15%
em relação ao ano anterior. Já o relatório anual da
Human Rigths Watch Americas indica que, no Rio de Janeiro,
a PM matou média mensal de 60 pessoas no mesmo período
A
tortura continua a ser uma prática comum nas delegacias e
prisões brasileiras, seja como meio de forçar confissões
seja para manter uma pretensa disciplina baseada na
cultura do terror. Somente os casos registrados pela
Pastoral Carcerária da Arquidiocese de São Paulo
totalizaram, no ano do Cinqüentenário da Declaração
Universal, cerca de 500 denúncias de torturas de
detentos. São pouquíssimos os casos de aplicação da
lei 9.455/97, que criminalizou a prática da tortura.
Necessário se faz, diante da tradição histórica da
utilização da tortura no Brasil, lançar campanhas
visando coibir essa monstruosidade por meio do o
cumprimento da nova lei.
Os
estabelecimentos penais estão caracterizadas pela
superlotação e a extrema precariedade da alimentação e
atendimento de saúde, o que vem estimulando rebeliões e
fugas freqüentes. O complexo do Carandiru, em São Paulo,
emblemático pelas violências ali cometidas, deverá ser
desativado, de acordo com as autoridades do Estado, com a
transferência dos presos para 9 penitenciárias de porte
médio recém-construídas no interior. Em função da
falta de vagas nos presídios, delegacias de todo o país
estão sendo utilizadas inadequadamente para o cumprimento
de penas. Imperioso se faz que o Poder Judiciário adote
as penas alternativas e acelere os procedimentos de
progressão de pena, o que poderia reduzir a população
carcerária e os custos de manutenção do sistema penal.
Crianças
Embora
o país disponha de uma legislação moderna sobre
direitos de crianças e adolescentes, falta estrutura para
garantir seu cumprimento. São insuficientes e normalmente
precárias as instituições destinadas à aplicação de
medidas sócio-educativas aos jovens em conflito com a
legislação. Igualmente, os poucos serviços
especializados na proteção de crianças e adolescentes vítimas
de violência, prostituição e outros tipos de abuso são
prestados normalmente por organizações da sociedade
civil, verificando-se a omissão do Estado.
O
trabalho infantil também preocupa. Segundo estimativa do
IBGE, 4 milhões de crianças brasileiras entre 5 e 14
anos estão trabalhando. Muitas delas expostas a riscos de
acidentes e a problemas graves de saúde. Não raro são
submetidas a longas jornadas, o que as impede de estudar
e, assim, de sonhar com um futuro melhor. Para combater o
problema é necessário, além de intensificar a fiscalização
do trabalho, difundir programas de renda mínima eficazes
associados à freqüência escolar. Tais iniciativas são
urgentes, face à perspectiva de "infantilização"
do mercado de trabalho, tendência observada em épocas de
crise econômica, como ocorre no momento.
Conflitos agrários
Os
conflitos agrários continuaram figurando em 1998 como um
dos problemas sociais mais graves no país, caracterizados
por um enorme potencial de violência. A lentidão da
Justiça no julgamento dos massacres de Eldorado do Carajás-PA
e Corumbiara-RO, só para citar os casos mais emblemáticos,
estimula a impunidade e a reincidência. O aumento da
pobreza na zona rural - decorrente de fatores como a falta
de planejamento e enfrentamento dos efeitos da seca no
Nordeste, a rápida mecanização da agricultura, a demora
no processo de reforma agrária e o insuficiente apoio à
pequena propriedade rural - resultou em um ambiente de
tensão em várias regiões. Ao longo do ano ocorreram
assassinatos de trabalhadores sem-terra, formação de milícias
por fazendeiros, confrontos durante ocupações de terra,
saques de alimentos em armazéns e caminhões por
lavradores famintos.
A
situação dos índios também revela uma face do
desrespeito do Brasil para com os direitos humanos.
Juntam-se aos antigos problemas relacionados à ocupação
irregular de suas terras por fazendeiros, garimpeiros e
madeireiros e demora nas demarcações, a proliferação
de doenças, que vem assumindo proporções alarmantes.
O
Brasil figurou, mais uma vez, entre os 38 países
apontados pela Federação Internacional das Ligas de
Direitos do Homem e pela Organização Mundial Contra a
Tortura que violam os direitos de defensores dos direitos
humanos. Assassinatos de jornalistas e radialistas, bem
como ameaças contra eles continuaram ocorrendo no ano
passado, alçando o Brasil à condição de um dos países
mais perigosos para os profissionais da imprensa, de
acordo com a entidade internacional Jornalistas Sem
Fronteiras.
O
ano que passou foi rico de novas revelações sobre o período
da ditadura militar. Vieram a público, pela televisão,
imagens da reunião ministerial de 1968, em que o então
Presidente da República, General Costa e Silva, anunciou
o AI-5 e recebeu o apoio dos seus ministros. Outro
ex-presidente militar, General Ernesto Geisel, admitiu, em
entrevista gravada pelo historiador e ex-ministro Ronaldo
Costa Couto, que o jornalista Wladimir Herzog foi mesmo vítima
de assassinato e não de suicídio, conforme divulgaram à
época as autoridades militares. Vários torturadores
confessaram seus crimes e os métodos adotados, em
reportagem da revista Veja. Também foram divulgadas, pelo jornal O Globo, informações até então reservadas sobre a atuação da
secreta Operação Condor, que nos anos 70 reuniu os
governos ditatoriais do Chile, Argentina, Uruguai,
Paraguai, Bolívia e Brasil, com o apoio da CIA, para
perseguir, torturar e assassinar opositores políticos.
Perspectivas
Infelizmente,
há no horizonte perspectivas sombrias para a virada do
milênio. Segundo relatório da Organização
Internacional do Trabalho, um terço dos 3 bilhões de
trabalhadores de todo o mundo estará desempregado ou
subempregado. Embora o PIB mundial tenha sido multiplicado
por 6 nas últimas duas décadas, 80% dele está sob
controle de 20% da população do planeta. As projeções
apontam para a concentração de riquezas e o conseqüente
aprofundamento das desigualdades sociais.
Tendo
em vista esses efeitos perversos da globalização,
aliados ao acirramento da crise econômico-financeira dos
últimos meses no Brasil, é provável e desejável que o
enfoque sobre os direitos humanos valorize em 1999 as
questões econômicas e sociais - a chamada segunda geração
desses direitos. Afinal, são esses fenômenos os que mais
estão colocando em risco os direitos humanos no Brasil e
no mundo. A exclusão social, o aumento do desemprego, a
redução de direitos trabalhistas e previdenciários
conduzem inevitavelmente à fome e a marginalização,
podendo neutralizar conquistas obtidas no campo dos
direitos humanos no Brasil nos últimos anos. Torna-se
necessário contrapormos uma ação cooperativa no sentido
da globalização dos direitos humanos, buscando
implementar mecanismos capazes de equacionar os conflitos
decorrentes da presente conjuntura social.
PRESENÇA
DOS MEMBROS DA
COMISSÃO
DE DIREITOS HUMANOS NAS REUNIÕES DE 1998
|
TITULARES
|
|
DEPUTADOS
|
PARTIDO/UF
|
DATA
DE ENTRADA | |