Diário de Mércia - 1974

1974

O julgamento de François Silvestre foi transferido para sete de fevereiro. É o segundo processo que responde na Auditoria da 7° Região, ambos com base em discursos atentatórios à segurança.

Tomei conhecimento que foi concedida a prescrição que pleiteava para Maria Luíza Nóbrega, advogada que se encontrava foragida há seis anos, era namorada de Emanuel Bezerra, membro do PCR, assassinado a pancadas no DOI em Recife, preso em Alagoas, filho de Joana Bezerra, procedente de Caiçara- Rio Grande do Norte. Foi presidente da Casa do Estudante em Natal. Fui advogada dele em um processo de reorganização. Inteligente- Caladão e macho- não denunciou ninguém.

1974

Agora o consulado já fala em dar visto na passagem.

Sr. Raimundo Cavalcanti está doente e manifesta desejo de se avistar com Tereza Cristina, que se acha em Otawa?. Pedro Mira de Albuquerque que me telefona aflito. A família de Cristina avisa-lhe que o pai está doente. Vai Cristina ao consulado, que se compromete dar-lhe passaporte provisório.
Nada há contra Tereza, inclusive uma pena ? está (prescrita).
Tereza, filha de Raimundo Cavalcanti, e Maria Joana Cavalcanti (falecida). Respondeu o processo 24/69, correu a revelia. Condenada a 6 meses de detenção
Expedido em 19/06/69- Fiz Recurso em sentido Estrito, que seguiu para o STM pelo of. 1285? Em 28/09/72- negado na sessão de 17/11/72. Em 22/03/73- julgada extinta a punibilidade pela prescrição da ação penal, a sentença transitou em julgado? em 25/03/76?-Pelo of. 531, o delegado de capturas em 27/04/76 devolveu o mandato de prisão. Com o of. 471 de 29/04/76 os autos foram remetidos à Auditoria de Conceição??.
Tereza continua aflita e o consulado diz que a entrada dela no país depende do Ministério do Exterior no Brasil.
Acaba de falecer agora às 14 horas, o Sr. Raimundo Cavalcanti.

Octavio tem sido muito dedicado. Tem me ajudado a superar as intrigas políticas. Estou muito sofrida.

Fui receber Tereza Cristina Cavalcanti, que pelo vôo 150 da VASP, com os três filhos do camada?.....

1974


Após trinta e seis anos de casada, D. Auta me procurou para fazer o desquite dela. Deu-me uma lição, quando me disse? "O velho apaixonou-se, e estou sofrendo, mas vou dar-lhe o desquite para poder viver uma ilusão".

Dona Pepe é uma velha extraordinária, tem suportado com equilíbrio as prisões do filho. Tem Ivo, o filho querido comunista, e Ivaldo, major do exército e médico, que nunca visitou o irmão quando preso aqui, com medo.
A vida tem suas ironias, Dr. Odon, cunhado de Ivo, casado com Mete, denunciou Ivo em 1964, revelando o lugar onde Ivo se achava escondido, foi uma desgraça. Ivo foi preso e torturadíssimo.

Tenho presenciado tantas violências, que me pergunto se é válido pertencer, e permanecer entre a minha espécie.

Adoro ouvir Beethoven, principalmente Symphony n°9 em D Menor, é um compositores que mais aprecio, acho mesmo que é o meu predileto.

Aradin gosta de me perturbar quando escuto música, concedo-lhe o direito de abusar, pois tenho me doado tanto aos filhos dos outros que falto ao meu Aradin.

Tia Ligia se faz presente me minha casa, sempre, e massacra a minha resumida paciência, mas sou a única sobrinha que a recebo com ternura, não posso decepcioná-la.

Octavio me admira e respeita, mas o que sou é o fruto da compreensão e do apoio que me dá.