Gregório Bezerra

Apresentação 

As vezes fico pensando que Che Guevara se inspirou em Gregório Bezerra para dizer que “é preciso endurecer-se sem jamais perder a ternura”. Que coisa pode exprimir melhor o exemplo desse herói do povo brasileiro? Duro-aço, ternura-flor, aparece nesse livro singelo com a dimensão histórica que nem o seu mais cruel inimigo ousará contestar. Combatente, pensador, camponês, poeta, herói, Gregório hoje é também candidato. Quer eleger-se deputado federal pelo PMDB de Pernambuco, para retomar a tribuna nacional que lhe foi roubada pela caça às bruxas que atingiu o Brasil no após-guerra (e persiste). Quer recuperar o seu mandato, legítimo, conquistado como o deputado federal mais votado do Recife nos idos de 46. Faz muito tempo. Como muitos pernambucanos “morrem de velhice antes dos trinta”, terá restado pouco do seu eleitorado. Mas Gregório acredita na juventude.

Afinal, Gregório é velho ou é jovem? Será ele o pai de Pedro Ivo? Ou um mono que vê mais longe do que os adultos indolentes e por isso já presencia o nascer da madrugada de justiça e liberdade com que todos nós sonhamos?

As duas coisas: ele é duro e velho quando enfrenta o presente de fome e miséria, é terno e jovem, quando antevê o amanhã socialista.

 

Eurico Andrade

Recife, julho de 82.