|
A
economia de fundos próprios: um novo regime de acumulação
financeira
Dominique
Plihon*
A
economia francesa, assim como a maior parte das economias européias,
mudou de regime macro-financeiro desde o início dos anos 80.
Estas economias passaram de um regime de endividamento para um
regime de fundos próprios.
Em outros termos, as empresas a partir de então se financiam
essencialmente com base nos seus fundos próprios, recorrendo cada
vez menos ao endividamento bancário. Trata-se de uma mudança de
lógica financeira que tem implicações econômicas e sociais
consideráveis.
Nossa
hipótese é de que se pode explicar satisfatoriamente certas mutações
econômicas e financeiras observadas na Europa, neste fim de século,
com base nesta mudança de regime macro-financeiro. A nosso ver,
esta mudança de regime constitui uma nova etapa na inserção de
nossas economias no capitalismo financeiro mundial, e corresponde
a uma modificação da relação de forças em favor dos credores
e dos detentores do capital financeiro em escala mundial.
Depois
de ter apresentado a influência preponderante dos fundos próprios
no financiamento das empresas, relaciona-se esta evolução com vários
fenômenos atuais que estão a ela diretamente ligados: a
distribuição do valor agregado em favor das empresas, o papel
crescente da lógica acionária [actionnariale] e de fundos
de investimento estrangeiros, a financeirização da gestão das
empresas. Conclui-se esta reflexão sublinhando dois efeitos
perversos da economia de fundos próprios: o aumento da
instabilidade financeira e da especulação, de uma parte, e a
transferência de riscos para os assalariados, de outra.
1.
Transição para a economia de fundos próprios: a evidência
A
participação dos fundos próprios não parou de aumentar desde a
metade dos anos 70, até atingir um valor próximo de 100% dos
recursos financeiros das empresas a partir de meados dos anos 90.
Constata-se na Tabela 1 que as duas fontes de recursos próprios,
as emissões de ações e, sobretudo, a poupança das empresas,
desenvolveram-se fortemente. Em compensação, o endividamento,
que representava quase 50% do financiamento das empresas na metade
dos anos 70, tornou-se marginal. Em particular, os pagamentos,
pelas empresas, foram superiores aos seus empréstimos junto aos
estabelecimentos de crédito, fato que justifica os fluxos
negativos existentes no fim do período.
Tabela
1
Aumento
da importância dos fundos próprios no financiamento das empresas
|
Fluxo
em bilhões de francos
|
1975
|
1980
|
1987
|
1990
|
1994
|
1996
|
|
A.
Autofinanciamento
parcela
relativa à poupança bruta (a)
|
103
95
|
185
174
|
503
469
|
640
596
|
837
743
|
877
743
|
|
B.
Emissões de ações
|
15
|
52
|
160
|
221
|
257
|
289
|
|
C.
Endividamento (b), com a parcela
relativa
aos mercados (c)
e
aos estabelecimentos de crédito
|
104
14
85
|
147
17
119
|
211
38
150
|
512
99
387
|
–54
19
–93
|
–18
68
–112
|
|
D.
Financiamento total : A + B + C
|
222
|
384
|
874
|
1373
|
1001
|
1148
|
|
Parcela
dos fundos próprios : A + B / D
|
53%
|
62%
|
76%
|
64%
|
109%
|
102%
|
(a)
Poupança bruta + subsídios ao investimento + outras transferências
de capital;
(b)
Sócios + mercados + estabelecimentos de crédito;
(c)
Emissões líquidas de títulos do mercado monetário e de obrigações.
Fonte:
INSEE (Comptes nationaux). Conseil National du Crédit.
O
segundo fato notável diz respeito à evolução da taxa de
autofinanciamento das empresas. Assiste-se, efetivamente, a uma
alta recorde desta taxa (Poupança/FBCF), que ultrapassa
largamente o limiar dos 100% desde 1993. Esta evolução resulta
da conjunção de dois fenômenos característicos da situação
atual das empresas francesas: uma progressão rápida das
receitas, que permitiu a acumulação de uma poupança abundante,
e uma falta de dinamismo do investimento produtivo, que se
traduziu em uma baixa duradoura da taxa de investimento, como
mostra a Tabela 2.
Tabela
2
A
alta espetacular da taxa de autofinanciamento
|
Indicadores
em %
|
1970
|
1980
|
1990
|
1995
|
1996
|
1997
|
|
Taxa
de investimento (1)
|
22,1
|
19,4
|
18,9
|
16,3
|
16,1
|
15,5
|
|
Taxa
de autofinanciamento (2)
|
75,5
|
61,7
|
88,9
|
114,9
|
112,1
|
118,3
|
(1)
Taxa de investimento : parcela dos investimentos no valor
agregado;
(2)
Taxa de autofinanciamento : poupança sobre investimento.
Fonte:
INSEE. Comptes Nationaux.
Em
conseqüência deste duplo movimento de poupança e investimento,
as empresas francesas no geral apresentam como resultado, desde
1993, uma capacidade de financiamento da ordem de 1,5% do PIB, ao
passo que, antes, tinham tradicionalmente necessidade de
financiamento. Trata-se, portanto, de um fenômeno novo,
verificado qualquer que seja o tamanho da empresa, como confirmam
os dados das centrais de balanços.
2.
Economia de fundos próprios e aumento dos lucros das empresas
A
acumulação de fundos próprios pelas empresas está fundada em
uma distribuição do valor agregado favorável aos lucros. É,
com efeito, por meio dos seus lucros que as empresas obtêm sua
poupança (principal fonte de fundos próprios) e remuneram seus
acionistas (segunda fonte de fundos próprios). Qualquer que seja
o indicador usado – taxa de exploração, taxa de poupança,
taxa de rentabilidade do capital – uma constatação se impõe:
a situação financeira das empresas melhorou consideravelmente
desde o início dos anos 80.
Uma
análise de longo prazo acerca da taxa de exploração das
empresas (ver Tabela 3) mostra a alta espetacular da parcela do
valor agregado apropriada pelas empresas francesas desde 1983, ano
da mudança de rumos da política econômica na França, com a
instauração do rigor salarial (plano Delors). Apesar de uma
compressão no início dos anos 90, a taxa de exploração das
empresas francesas está atualmente em um nível historicamente
elevado, da ordem de 32%, segundo estimativas do INSEE relativas
ao conjunto das sociedades não-financeiras. Essa constatação se
verifica para as principais categorias de empresas: empresas
individuais e sociedades, grandes empresas e PME, e qualquer que
seja a base estatística utilizada (contabilidade nacional e
centrais de balanço).
Um
segundo indicador atesta a boa saúde financeira das empresas
francesas. Trata-se da taxa de poupança (Poupança/VA): sua evolução
é semelhante àquela da taxa de exploração e ultrapassa, na
metade dos anos 80, o nível recorde de 1970 (Tabela 3).
Tabela
3
Indicadores
de resultados de sociedades não financeiras
|
Indicadores
em %
|
1970
|
1980
|
1985
|
1990
|
1995
|
1996
|
1997
|
|
Taxa
de exploração (1)
|
29
|
24
|
25,5
|
30.5
|
32,0
|
31,7
|
32,3
|
|
Taxa
de poupança (2)
|
16,7
|
12,0
|
12,8
|
16,8
|
18,8
|
18,0
|
18,3
|
(1)
Taxa de exploração : excedente bruto de exploração sobre
valor agregado;
(2)
Taxa de poupança: parte dos lucros não distribuídos
(descontados os impostos) no valor agregado.
Fonte:
INSEE.
Uma
distribuição do valor agregado desfavorável aos assalariados
A
contrapartida desta alta nas receitas das empresas é a forte
degradação da situação dos assalariados na distribuição salários-lucros.
Com
base na participação dos salários na riqueza nacional (medida
pelo PIB), o Office Statistique des Communautés Européennes
confirma a evolução desfavorável das rendas do trabalho nos países
da União Européia, descrita na Tabela 4. Na Europa dos 15, houve
uma queda da participação dos salários no PIB de
aproximadamente seis pontos, o que significou a passagem de uma média
de 75,5% em 1971/80 para 69,6% em 1995. Foi na França que a
parcela relativa aos salários sofreu a queda mais forte desde os
anos 70, alcançando o menor nível em 1995.
Tabela
4
Participação
dos salários no PIB (%)
|
País
|
1961/70
|
1971/80
|
1981/90
|
1990
|
1995
|
|
Estados
Unidos
|
71,1
|
72,1
|
71,6
|
71,6
|
71,2
|
|
Europa
dos 15
|
74,4
|
75,5
|
73,1
|
71,1
|
69,6
|
|
França
|
72,8
|
73,9
|
72,5
|
68,5
|
66,5
|
|
Alemanha
|
71,6
|
73,7
|
70,9
|
67,8
|
68,1
|
|
Reino
Unido
|
72,7
|
73,8
|
72,9
|
74,6
|
72,6
|
|
Itália
|
72,8
|
73,8
|
73,3
|
75,3
|
67,2
|
(1)
Participação dos salários corrigida pelas “taxas de
assalariamento”: esta correção visa tornar possíveis as
comparações entre os níveis e evoluções segundo os países,
tendo em conta as diferenças entre as estruturas sociais (em
particular o peso dos trabalhadores independentes no emprego
total).
Fonte:
Eurostat.
Trabalhos
econômicos
explicam a evolução recente da distribuição do valor agregado
principalmente por dois fatores:
–
a influência do desemprego sobre a negociação salarial: quando
o desemprego é alto, a relação de forças é desfavorável aos
assalariados; o aumento dos salários reais é inferior aos ganhos
de produtividade do trabalho, o que eleva os ganhos da empresa.
–
o impacto da alta das taxas de juros: o aumento do custo do
capital (medido pela taxa de juros) gera um acréscimo da parte
relativa à remuneração do capital. O INSEE estima, assim, que a
alta da taxa real de juros seria responsável pela baixa em dois
pontos do PIB da participação dos salários ao longo dos dez últimos
anos.
Segundo
estas análises, o peso do primeiro fator – o desemprego –
seria preponderante. Isso ajuda a explicar por que a parcela dos
salários na distribuição do valor agregado teria ficado
relativamente estável nos Estados Unidos, onde a taxa de
desemprego tem sido bem menor do que na Europa.
Sem
estar erradas, essas explicações não vão suficientemente
longe: de fato, essa distribuição do valor agregado é explicada
pela nova relação de forças que se estabeleceu entre o trabalho
e o capital, em favor deste último, como se mostrará agora.
3.
As empresas governadas pela lógica acionária
Uma
das principais conseqüências do papel preponderante assumido
pelos fundos próprios no financiamento das empresas foi modificar
as relações entre os três principais parceiros destas últimas,
acionistas, dirigentes e assalariados. Assistiu-se a um
questionamento do modelo tradicional da empresa, popularizado por
Berle e Means, segundo o qual há uma separação entre os
acionistas e os dirigentes, estes últimos detendo o poder efetivo
dentro da empresa. Sob o regime fordista que funcionou até os
anos 70, os dirigentes da empresa haviam travado acordos com os
assalariados, organizando uma repartição dos ganhos de
produtividade no seio da empresa, o que permitiu a preservação
da estabilidade da repartição do valor agregado.
O
advento da economia de fundos próprios consagra o fim deste
regime. O modelo tradicional, qualificado de stake-holder,
e que considera a empresa como uma comunidade de interesse entre
seus três parceiros, cedeu lugar a um novo modelo, denominado shareholder,
que dá a primazia absoluta aos interesses dos acionistas.
O
aumento da importância dos investidores institucionais
O
poder dos acionistas foi consideravelmente reforçado pelo
desenvolvimento da gestão coletiva da poupança. Este fato
ocasionou uma concentração de capital das empresas nas mãos dos
investidores institucionais, enquanto que, no passado, os
acionistas estavam largamente dispersos entre os poupadores
individuais. Hoje, três tipos de investidores detêm uma parcela
crescente do capital das empresas na maior parte dos países
industrializados; são os famosos fundos de pensão anglo-saxões,
os fundos mútuos (OPCVM na França), e as companhias de seguro. A
título de ilustração, a parte das ações detida pelos
investidores institucionais nos Estados Unidos passou de 5% em
1946 para mais de 50% em 1996. Na França, essa proporção
ultrapassou igualmente 50% no fim dos anos 90.
Na
Europa, ao longo dos anos 90, um dos fenômenos mais importantes
foi a chegada em massa dos investidores estrangeiros. Estes detêm
entre 20 e 40% do capital das empresas cotadas em bolsa nos
principais países europeus, como mostra a Tabela 5. A maior parte
dessas participações financeiras estrangeiras provém de
investidores anglo-saxões, e, em particular, dos fundos de pensão
norte-americanos.
Tabela
5
Taxa
média de participação estrangeira no capital próprio das
empresas européias – 1996 (%)
|
|
Alemanha
|
Espanha
|
França
|
Itália
|
Reino-Unido
|
|
Índice
de referência
|
DAX
30
28,5
|
IBEX
35
47,8
|
CAC
40
28,1
|
MIB
30
24,0
|
FT
– SE 100
18,8
|
|
Empresas
cotadas em Bolsa
|
24,0
|
38,8
|
22,1
|
22,2
|
19,7
|
|
Empresas
não cotadas em Bolsa
|
12,7
|
25,7
|
16,1
|
14,0
|
14,8
|
Fonte:
CREP, segundo os dados Amadeus do bureau Van Djik, e
Global Equity Ownership, do Grupo Carson.
A
França é um dos países onde o avanço dos investidores
estrangeiros foi mais rápido. Estes se aproveitaram das privatizações
maciças efetuadas no país, nos últimos anos, para se
apropriarem de uma parcela quase sempre elevada do capital das
empresas nos setores bancário e industrial, como ilustra a Tabela
6.
Tabela
6
Parcela
dos investidores estrangeiros no capital das grandes empresas
francesas
Em
% do capital em setembro/1999
|
Bancos
–
Seguradoras
|
Investidores
estrangeiros
|
Investidores
anglo-saxões
|
Indústria
|
Investidores
estrangeiros
|
Investidores
anglo-saxões
|
|
BNP
Société
Générale
CCF
AXA
AGF
|
45
50,1
68,8
44
25
|
20,4
29
10
28
16,5
|
Elf-Aquitaine
Rhône-Poulenc
Vivendi
Alcatel
Accor
|
56
59,6
51,5
49
48
|
39
14,4
27
30
30
|
Os
novos princípios de gestão da empresa
Os
investidores institucionais estrangeiros, que gerem em nome dos
seus clientes enormes portfólios de ações, buscam impor regras
de gestão – fala-se, a esse respeito, de “governança” –
nas empresas controladas.
A
hipótese teórica fundamental do modelo anglo-saxão de gestão
da empresa é a de que os acionistas e os executivos da empresa têm
interesses contraditórios. Estes últimos buscam privilegiar seus
interesses, em termos de poder e remuneração, valorizando as
informações privilegiadas às quais têm acesso no interior da
empresa. As novas formas de gestão definidas pelos investidores
anglo-saxões têm como objetivo, precisamente, reduzir as
“assimetrias de informação” e o estimular os executivos a
administrar a empresa tendo como único objetivo a maximização
dos valores das ações.
Os
investidores avaliam a governança das empresas segundo cinco critérios
principais:
(1)
A informação dos acionistas: qualidade da informação acerca da
estrutura dirigente da empresa, o que implica, particularmente, a
independência dos administradores, a existência de um responsável
pelas relações com os investidores e o estabelecimento de um
sistema contábil adaptado às normas anglo-saxãs.
(2)
Direitos e obrigações dos acionistas: respeito ao princípio
“uma ação, uma voz, um dividendo”.
(3)
Composição do conselho de administração: procedimentos de eleição
e remuneração dos membros do conselho e dos comitês, separação
das funções de presidente e de diretor geral.
(4)
Ausência de medidas anti-take-overs hostis: eliminação
de todas as medidas destinadas a impedir as ofertas de compra
hostis (poison pill) e a limitar o poder dos órgãos de
direção.
(5)
A remuneração dos dirigentes: o objetivo é definir formas de
remuneração que estimulem os dirigentes a buscar a maximização
do valor acionário. Uma das principais técnicas utilizadas é
constituída pelas stock options.
A
ação do poder público e do patronato francês
em
favor dos investidores estrangeiros
Na
França, governos sucessivos, independentemente de sua coloração
política, tudo fizeram para atrair os investidores estrangeiros
para a praça financeira de Paris, modernizando-a com base no
modelo anglo-saxão. Suas esperanças foram imensamente superadas,
dado que os não residentes tornaram-se atores muito ativos na
bolsa, realizando quase 25% das transações, segundo as pesquisas
do Banque de France.
O
desejo do patronato francês de caminhar na direção de um modelo
de governança mais próximo das normas anglo-saxãs é ilustrado
pelo conteúdo dos relatórios elaborados por Viennot (1995 e
1999), antigo presidente da Société Générale. As recomendações
dos relatórios Viennot mostram claramente o desejo dos dirigentes
de grandes empresas francesas de levar em consideração as
demandas dos investidores estrangeiros relativas à informação
dos acionistas e à organização de conselhos de administração.
Os relatórios propõem, assim, a introdução de administradores
independentes, a separação das funções de presidente e de
diretor geral e a instauração de novas normas contábeis, próximas
dos padrões anglo-saxões, destinadas a introduzir mais transparência
nas contas. Porém, nada é proposto no que tange à representação
dos assalariados nos conselhos, assim como em relação às
modalidades de negociação salarial que prevalecerão na empresa.
4.
A financeirização da gestão das empresas
Com
o domínio total dos acionistas, representados pelos investidores
institucionais, os managers são levados a dar prioridade
à rentabilidade financeira da empresa. Objetivos que antes
prevaleciam – como o desenvolvimento da produção e do emprego
– tornam-se secundários. Daí resulta uma “financeirização”
da gestão das empresas.
Os
novos métodos de gestão voltados para a “criação de valor acionário”
O
objetivo primordial imposto às empresas é a “criação de
valor acionário”. Trata-se de aumentar por todos os meios o
valor bursátil da empresa, visando maximizar a riqueza dos
acionistas, seus proprietários.
Para
alcançar este objetivo, as empresas equiparam-se com novos métodos
de gestão, dentre os quais o mais sofisticado é o método EVA (Economic
Value Added). O EVA pode ser definido de modo bastante
simples: constitui o resultado econômico da empresa após a
remuneração do total dos capitais investidos, endividamento e
fundos próprios. Um EVA positivo significa que a administração
conseguiu criar valor, beneficiando os acionistas durante um dado
exercício.
Segundo
Baudru & Morin (1999), as seguintes empresas francesas
colocaram em funcionamento o método EVA no decorrer dos últimos
dois anos: AXA, BNP, CCF, ELF, France Télécom, Lafarge,
Schneider, Société Générale, Valéo, Vivendi. Há seis anos, o
jornal L’Expansion publica uma classificação anual das
grandes empresas francesas, segundo seus resultados no que
concerne à criação de valor acionário, utilizando os
indicadores EVA.
As
alavancas estratégicas usadas para aumentar a criação do valor
acionário
Para
atingir o objetivo de maximização do shareholder value,
as empresas lançam mão de políticas bem definidas, que podem
ser classificadas em quatro categorias principais:
(1)
As fusões-aquisições são freqüentemente apresentadas como um
meio de criar valor acionário.
O resultado é geralmente atingido, como mostra a elevação súbita
das cotações na Bolsa das empresas-alvo. Constata-se, com freqüência,
que a maior parte do aumento do shareholder value
engendrado pelas operações de fusões – quando aquele se dá
– é transferido aos detentores do capital da empresa-alvo.
A
criação de valor acionário é obtida por meio da exploração
das sinergias existentes entre estabelecimentos fundidos e por
meio da realização de economias de escala. As aproximações
entre empresas permitem ganhos de produtividade significativos,
cujas conseqüências diretas incluem a redução do efetivo de
assalariados, que se segue a boa parte das fusões. Essas operações
se inserem em uma busca do tamanho critico, destinado a dar aos
novos grupos um poder de mercado maior frente à concorrência.
Iniciada
nos Estados Unidos, a corrida desenfreada às fusões-aquisições
ganhou os outros países industrializados. Cerca de 2.500 operações
entre países, envolvendo investidores estrangeiros, teriam sido
realizadas unicamente durante o primeiro trimestre de 1999,
perfazendo um total de US$ 411 bilhões (€ 384 bilhões), o que
representa uma alta de 68% em relação ao primeiro semestre de
1998.
(2)
A reconcentração nas ocupações de base
da empresa é um segundo meio de aumentar a criação de valor em
benefício do acionista. Concentrando-se nas atividades nas quais
detém uma vantagem comparativa, a empresa, supostamente, dota-se
de meios de valorizar seu savoir faire com relação aos
concorrentes, o que deveria traduzir-se em um aumento da criação
de valor em benefício de seus acionistas. Os investidores
estimulam as empresas que controlam a aplicar esta política por
duas razões, além da criação direta de valor acionário. Em
primeiro lugar, os investidores não apreciam as empresas
diversificadas, do tipo conglomerado, pois suas estruturas são
geralmente complexas, o que é considerado um fator de opacidade
para eles, que têm, entre outros objetivos, como se viu, a obtenção
do máximo de transparência. Segunda razão: os investidores
consideram que cabe a eles o compromisso de administrar a política
de diversificação, agindo sob |