|
A
CAMINHO DA PAZ
O reino dos
poderosos é semelhante a um pastor
que foi a seu
rebanho e escolheu três ovelhas.
E as privilegiou
deu-lhes a melhor
pastagem, um abrigo seguro,
o
livre acesso, toda assistência
toda cobertura.
Só lhes exigiu
unia coisa:
“Conto com a
vossa fidelidade!...”
E a isso chamou
de paz.
Mas as novecentas
e noventa e sete restantes eram como se não
existissem:
sem terra, sem
pastagem, sem abrigo sem assistência,
sem pra onde ir.
Entretanto, a voz
esquecida desde não se
sabe quando, abafada, ignorada, começa a tomar
corpo na periferia da vida.
E o pastor se
assusta já não pode
ignorá-la, porque ela mesma
recobrou a memória...
Por isso tenta
distrai-la escolhendo mais
algumas ovelhas para os privilégios
do reino, tenta enternecê-la
argumentando com
as grandes dificuldades do
reino, tenta reabafá-la
tomando-lhe as próprias
palavras num gesto de
condescendência, tenta emudecê-la
intimidando-a com
possíveis consequências, tenta aniquilá-la
revelando-se pela força em sua verdadeira
identidade...
Mas uma voz que
se descobre não pode se calar!
E do seio do
rebanho esquecido novas línguas se
desatam, novos gestos
afloram. As mãos se unem, os passos se firmam a caminho da
verdadeira paz!...
J.
Thomaz Filho
Petrópolis,
janeiro de 1982
A
Redação
|