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O
caminho da conquista dos direitos do Homem
Herança dos
pensadores europeus do direito natural, do Estado de direito e do
universalismo nos séculos XVII e XVIII, a afirmação do ser humano
como um ser pensante com um fim em si mesmo, de perfectibilidade,
de liberdade e de consciência moral está na base dos direitos
humanos*. A seguir, as etapas de uma luta para promover um pensamento do
respeito incondicional à pessoa.

1679:
Habeas Corpus: lei inglesa que garante a liberdade e a " segurança "
individual contra as prisões e as penas arbitrárias, tornando obrigatória
uma apresentação rápida perante um juiz cuja independência deve ser
assegurada em relação ao poder executivo.
1689:
Bill of Rights: Declaração inglesa dos direitos, de valor unicamente
nacional, que baseia a realeza na soberania nacional e não no direito
divino, apresenta a supremacia da lei em relação ao rei, a soberania
do Parlamento, o direito de petição e de voto, a liberdade individual
e as garantias judiciárias.
1776 :
Declaração de independência dos Estados Unidos da América: primeira
afirmação do " direito à vida " – que só
voltará a aparecer no século XX – e do fato de que o poder deve
repousar sobre o consentimento dos governados.
1789:
Declaração francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão: de apresentação
universal, ela é considerada como arquétipo de todas as declarações:
soberania nacional, sistema de governo representativo, primazia da livre
" expressão da vontade geral ", separação dos
poderes, igualdade de todos perante a lei, a justiça, as contribuições
e os empregos públicos, presunção de inocência, direito à resistência
contra a opressão, direito à propriedade, à segurança, liberdade de
consciência, de opinião, de pensamento...
1791:
Projeto de Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã: por Olympe
de Gouges, reivindicando que a Declaração de 1789 seja aplicada às
mulheres ("a mulher tem o direito de subir ao cadafalso, ela
deve ter também o de subir à tribuna").
1793:
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão do Ano I: estende a
concepção de liberdade aos negros, proclama, pela primeira vez, os
direitos econômicos e sociais: "direito à instrução", ao
trabalho e à "assistência", instaura o "direito à
insurreição" em caso de "violação dos direitos do
povo".
Prisão
nos Estados Unidos, 1993
1848: Constituição
da Segunda República Francesa: afirmação das obrigações sociais do
Estado, dos "direitos créditos" dos cidadãos, liberdade de
associação, de reunião, sufrágio universal, abolição da pena de
morte em matéria política, supressão da escravatura nas colônias,
ensino primário gratuito, programas de trabalhos públicos para os
desempregados...
1863: Comitê Internacional da
Cruz-Vermelha, fundado na Suíça por Henri Dunant. Primeira Convenção
de Genebra sobre a proteção dos feridos e doentes de guerra (estendida
aos prisioneiros em 1929).
1920:
Sociedade das Nações (SDN), esboço de instituição internacional
superior aos países encarregada de desenvolver a cooperação entre as
nações e garantir a paz e a segurança.
1924: Declaração dos Direitos da Criança,
chamada de declaração de Genebra, primeira declaração internacional
do gênero, adotada pela SDN.
1945: Carta das Nações Unidas: consagração
a nível internacional dos direitos do homem e das liberdades
fundamentais.
1945-46: Processo de Nuremberg: os
dirigentes e as organizações criminais nazistas são julgadas e
condenadas por crimes de guerra e crime contra a humanidade por um
Tribunal Militar Internacional.
1945: Criação
da UNESCO: organização das Nações Unidas encarregada da promoção
da paz entre os povos através da divulgação da ciência, da educação
e da cultura.
1948:
Declaração Universal dos Direitos do Homem: adotada pela Assembléia
Geral das Nações Unidas, síntese dos direitos civis, políticos, econômicos,
sociais e culturais.
1950: Convenção
Européia de Salvaguarda dos Direitos do Homem e das Liberdades
Fundamentais.
1952:
Convenção internacional sobre os direitos políticos da mulher (ONU).
1965:
Convenção internacional sobre a eliminação de todas as formas de
discriminação racial (ONU): condenação especial do regime do
apartheid na África do Sul.
1966/1976:
Adoção e entrada em vigor do Pacto Internacional relativo aos direitos
econômicos, sociais e culturais e do Pacto relativo aos direitos civis
e políticos: destinados a assegurar o respeito à Declaração de 1948.
1969: Convenção
americana relativa aos direitos do homem.
1971 : Fundação
da ONG Médicos sem Fronteiras na França, início do movimento humanitário
dos "French Doctors": curar segundo os princípios de
imparcialidade, neutralidade e humanidade, mas também, testemunhar.
1972:
Lei francesa contra o racismo: permitindo principalmente que se reprima
na imprensa a provocação à discriminação, ao ódio, à violência
em razão da raça ou da religião.
1974: Carta
Internacional dos Direitos e Deveres Econômicos dos Países (ONU):
resultante dos esforços para serem instauradas novas relações entre
os países industrializados e os em desenvolvimento fundadas na "igualdade,
na igualdade soberana e na interdependência dos interesses".
1975: Acordos
de Helsinque: "Conferência sobre a Segurança e a Cooperação na
Europ ", que estende o respeito às liberdade e aos direitos
humanos à URSS e aos países do leste europeu.
1979: Convenção
internacional sobre a eliminação de todas as formas de discriminação
para com as mulheres (ONU): recordação de todos os direitos em todos
os campos, exortação a que os países adotem todas as medidas visando "acelerar
a instauração de uma igualdade de fato", e afirmando que o "papel
tradicional do homem na família e na sociedade deve evoluir tanto
quanto o da mulher, se se pretende chegar a uma igualdade entre o homem
e a mulher".
1981: Carta
Africana dos Direitos do Homem e dos Povos.
1984: Convenção
internacional contra a tortura e as outras penas ou tratamentos cruéis,
desumanos e degradantes (ONU).
1987: Convenção
européia pela prevenção da tortura e das penas ou tratamentos cruéis,
desumanos ou degradantes.
1988: Resolução
de 5 de abril da Assembléia Geral da ONU instaurando o direito de
penetrar em território soberano para salvar vidas. Resolução de 8 de
dezembro da AG da ONU consagrando "o direito de acesso às vítimas
das catástrofes naturais e das situações de emergência da mesma
ordem". Reconhecimento do direito de assistência.
1990: Convenção
internacional sobre os direitos da criança (ONU), afirmação dos
direitos básicos: direito a um nome, a uma nacionalidade, a uma família,
à seguridade social, à educação e ao lazer.
1990 (14 de dezembro):
Resolução da AG da ONU reconhecimento da necessidade dos "corredores
humanitários" para facilitar o encaminhamento da ajuda.
1991 (5 de abril): Resolução
688 do Conselho de Segurança, considerada a fundadora do direito de
ingerência. Pela primeira vez em sua história, a comunidade
internacional considera uma ameaça contra a paz um problema interno de
direitos humanos – "a repressão das populações civis
iraquianas em inúmeras partes do Iraque". Zonas de segurança
sob a proteção das Nações Unidas são criadas pelos curdos no norte
do Iraque.

O direito à saúde é um "direito permanente", Cotonou,
Bénin 1997.
1992 (13 de agosto:
Resolução 770 permitindo pela primeira vez o recurso à força, a fim
de proteger o encaminhamento da ajuda humanitária a uma população vítima
de um conflito armado, no caso a Bósnia-Herzegóvina.
1992 (3 de dezembro): Resolução
794 autorizando a instalação preventiva de tropas na Somália, tendo
por objetivo "instaurar condições de segurança para as operações
de socorro humanitário".
1998: Corte
penal permanente internacional: lançada pela Conferência de Roma e
destinada a julgar os autores de genocídios, crimes de guerra e crimes
contra a humanidade.
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